Bruxas e bruxos: o que são bruxas, o que são bruxedos

Sobre Bruxas e bruxos

“Uma pessoa não se torna uma bruxa para sair por aí sendo prejudicial ou para ser útil, uma visitante de terra em terra, numa vassoura. É para escapar de tudo isso – ter uma vida própria, não uma existência embonecada e determinada pelos outros. ”

Sylvia Townsend Warner

 

Sobre as bruxas, dizia a autora Aino Kallas ( 1878 – 1956):

“Como a partir do mesmo pedaço de barro um oleiro pode moldar um vaso ou um azulejo, o Diabo pode moldar uma bruxa num lobo ou um gato ou até mesmo um bode, sem subtrair e sem acrescentar nada a ela. Pois isso ocorre da mesma forma que o barro é moldado primeiro em um, depois moldado em outra forma, pois o Diabo é um oleiro e suas bruxas são o seu barro ”.

Assim se depreende destas palavras, que conforme Deus foi o oleiro de Adão – o primeiro homem –, pois o Diabo foi o oleiro da primeira bruxa – Lilith– . E daí em diante, existiram desde sempre o homem e as bruxas, até aos dias de hoje, e tal ideia teve eco até na literatura ao longo dos séculos. Por isso, assim se viram a descreveram as bruxas durante o decorrer dos milénios. E porem, que mais diz a Bíblia sobre as bruxas ? Na verdade, a Bíblia comprova – para alem de qualquer duvida possível – a existência de bruxas, bruxos, bruxarias, magia negra e trabalhos de magia negra.

Jean Bodin ( 1520-96), foi um jurista e filosofo francês que se debruçou sobre o estudo da bruxaria e das bruxas. A publicação da obra «De lá Demonomanie des Sorcieres» em 1580 foi uma obra de referência no estudo do fenómeno da bruxaria. Foi um dos primeiros autores da falar do termo «amarrações» ou «ligatures», através das quais as bruxas podiam constranger as pessoas espiritualmente, levando-as a – sob a influencia de castigos espirituais infligidos espiritualmente á alma da pessoa embruxada – agir de certa forma desejada pelo bruxedo .Teve porem o mérito de ser dos primeiros estudiosos a documentar que as bruxas não voavam literalmente nem fisicamente, mas sim e apenas em espírito, desprendendo o seu espírito do seu corpo físico, que ficava para trás inactivo e dormente na sua cama ou no seu lar, por forma a agir invisível e insuspeita. Da mesma forma, também argumentou que bruxa não se transformava literalmente nem fisicamente em lobo, nem gato, nem noutros animais, mas sim o seu espírito podia momentaneamente incorporar num desses animais, para através dele se mover neste mundo de forma indetectada. Tratava-se de uma forma de possessão temporária de um corpo de um animal, não por parte de um demónio, mas sim de uma bruxa. Ou seja: concluiu que estes fenómenos que constituíam lendas populares, eram na verdade fenómenos de natureza puramente espiritual, e não físicos. Bodin foi um dos primeiros a tentar alcançar uma definição jurídica e legal para aquilo que era uma bruxa. Escreveu Bodin que bruxo é «Aquele que conhecendo a lei de Deus, mesmo assim tenta realizar um certo acto através de um acordo com o Diabo» Escusado será dizer que esta definição é claramente insuficiente e incompleta, porem na altura foi a primeira tentativa.

A Bíblia porem, declara com clareza que bruxo ou bruxa é «Qualquer homem ou mulher que invocar os espíritos dos mortos ou praticar feitiçarias» , conforme enunciado no Livro de Levítico

Na nova versão internacional da Bíblia, diz-se que bruxas ou bruxos são «Os homens ou mulheres que, entre vocês, forem médiuns ou consultarem os espíritos», esclarecendo porem a versão da Bíblia Revista e Corrigida,  que bruxos e bruxas são «homem ou mulher em si tiver um espírito adivinho» [ i.e, que tiverem dentro de sí um espírito de bruxaria]

Assim fica claramente definido o termo de bruxo ou bruxa na bíblia, ou seja, alguém que está possuído por um espírito de bruxaria – ou quem tem dentro de sí um espírito de bruxaria – e que contacta com os mortos, contacta com os espíritos, e através dessa comunicação consegue realizar bruxedos ou feitiços.

Ora, como a arte de fazer bruxedos ou feitiços através da conjuração de espíritos e demónios é a própria noção de magia negra, então eis que aqui podemos encontrar o motivo pelo qual a noção de bruxaria anda tao intimamente ligada á noção de magia negra.

Pois assim sendo:

A definição de bruxo está bem esclarecida na Bíblia, quando os sacerdotes hebreus falaram sobre os bruxos, assim dizendo:

encantador, que consulte aos espíritos, praticante de magia, que consulte os mortos;

Deuteronomio 18:11

Pois assim está dito na Palavra de Deus:

o bruxo é aquele lança encantamentos, é aquele que pratica as ciências ocultas, é aquele que invoca espíritos, e é aquele que entra em contacto com o mundo dos mortos e das assombrações.

A bíblia é bastante explicita quando define o que é um bruxo ou uma bruxa.

Assim se pode ler na Sagrada Escritura sobre o episódio da escrava bruxa que são Paulo encontrou na cidade de Filipos, na Macedónia:

Uma jovem escrava (…) estava possuída por um espírito de adivinhação:[ i.e uma jovem mulher estava possuída por um espírito de bruxaria ] (…)  e dava muito lucro aos seus patrões (…) Paulo voltou-se e disse ao espírito: «Eu te ordeno em nome de Jesus Cristo: sai desta mulher!» E o espírito saiu imediatamente

Actos apóstolos 16,16-18

Assim se vê como são Paulo se encontrou com aquilo a que hoje em dia se chama de uma bruxa, ou seja, alguém que tinha dentro de sí aquilo a que a Bíblia se refere como um «espírito de adivinhação»; Note-se que o termo «espírito de adivinhação» e «espírito de bruxaria» eram termos popularmente usados para ser referir á mesma pratica espiritual, ou seja, á prática de bruxaria, pois que normalmente toda a bruxa possui algum nível de dom de vidência, que é um dos dons ocultos ou dons de trevas que a possessão por espíritos de trevas ou espíritos de magia negra tendem a conceder aos possessos por espíritos demoníacos dessa natureza, especialmente os espíritos de bruxaria.

Por isso, assim revela a Bíblia que uma bruxa ou um bruxo é alguém possuído por um espírito de bruxaria, sendo que é esse espírito de trevas que lhe concede as capacidades para exercer as artes da feitiçaria e ofícios da bruxaria.

Sobre o que são bruxos e bruxas, outro exemplo se pode encontrar na Bíblia, onde assim se pode ler:

Então, disse Saul aos seus criados: Buscai-me uma mulher que tenha o espírito de feiticeira,  [i.e. uma mulher que tem um espirito de bruxa dentro dela ]  para que vá a ela e a consulte. E os seus criados lhe disseram: Eis que em En-Dor há uma mulher que tem o espírito de adivinhar.[ i.e uma mulher que tem dentro dela um espirito de vidência e bruxaria ]

1 Samuel 28,7

Pois assim se observa: Tal como no episódio da bruxa escrava que sao Paulo encontrou, e através do qual se fica a saber aquilo que a Bíblia define muito claramente como o que é um bruxo ou uma bruxa, também o mesmo conceito de bruxo ou bruxa pode confirmar-se na Bíblia através de um outro episódio, o episódio da bruxa de Endor, onde ali está escrito que Saul foi consultar uma bruxa que morava no Vale de Jizreel, ou seja, uma mulher que tinha um espírito de bruxaria dentro dela, e que consultava os mortos.

Por isso, assim se confirma: a bruxa e o bruxo são pessoas com dom de comunicar com os espíritos, com as almas, com os mortos, até com demónios, e esse dom é concedido pelo espírito de bruxaria que habita no corpo do bruxo ou bruxa. È com base nesse dom, que depois se edificam todas as demais artes de bruxedos, feitiços e encantamentos que os bruxos e bruxas praticam nos seus ofícios de magia negra.

A bruxaria e os bruxos estão por isso intimamente ligados á magia negra, pois que para se ser bruxo ou bruxa deve-se ter sido possuído por um espírito de bruxaria, e os espíritos de bruxaria sao espíritos pertencentes aos domínios dos demonios, ao reino das entidades de trevas, ao Hades, que é o infernal trono do mundo do túmulo. Por isso: se um profeta ou um santo sao pessoas possuídas por espiritos dos domínios da luz e do reino celestial, já os bruxos ou bruxas são exactamente o oposto, ou seja, são pessoas possuídas por espíritos dos domínios infernais, do reino das trevas, do trono do mundo do Túmulo.

Por isso mesmo, a magia negra é sempre mencionada quando se fala de bruxaria, e também por isso muitas das vezes refere-se a questão da possessão demoníaca para falar sobre este tema. Porem, ao avaliarmos o assunto, há que distinguir duas situações completamente diferentes e distintas, ou seja, a diferença entre as possessões demoníacas involuntárias e voluntárias. Ou seja:

A diferença entre um bruxo ou bruxa, e uma vítima ocasional de uma passageira possessão demoníaca, é que a vítima de possessão demoníaca é invadida por um espírito contra a sua própria vontade, num processo violento e violentador, que deixa a própria pessoa sem controlo sobre sí mesma, e numa situação dramática, caída sob o poder a influencia de um demónio. Ao contrario, o bruxo ou a bruxa são possuídos pelo espírito de bruxaria de livre vontade, ou seja, é uma possessão desejada e consentida, que uma vez consumada funciona como uma parceria ou  como uma simbiose entre o espírito de trevas e o bruxo, ou seja, o espírito de bruxaria usa o bruxo como receptáculo para nele habitar e exercer as suas influencias neste mundo, ao passo que o bruxo conserva a sua autonomia e usa dos dons das trevas que a possessão demoníaca confere para praticar os ofícios da bruxaria.

Que um espírito de uma certa natureza pode entrar numa pessoa, isso a Bíblia descreve com grande detalhe. Conforme diz a Bíblia, Deus é espírito – João 4,24 – e Deus é senhor dos espíritos –  Números 27,15 – , e já varias foram as vezes que espíritos provindos de Deus entraram em pessoas fazendo-as falar, profetizar e praticar actos com o poder de Deus. Pois no caso da bruxaria, trata-se do mesmo processo através do qual o espírito santo entra numa pessoa, só que ao contrario, inversamente e ao oposto, ou seja, é um espírito de trevas, um espírito de bruxaria ou um espírito de magia negra que entra na pessoa escolhida, e possuindo essa pessoa, lhe concede a capacidade de praticar as artes e actos da bruxaria.

 

O que são bruxarias e bruxedos?

A bruxaria pode servir para infestar uma pessoa de espíritos de mortos, de demónios, de assombrações, de aparições, e força-la a fazer aquilo que se deseja,  e assim assombrar uma pessoa ate que lhe aconteça aquilo que se quer, ou então – teimando essa pessoa em não ceder ao desígnio da bruxaria – que essa pessoa fique assombrada, encerrada numa maldição, e com a alma condenada a um purgatório de tormentos dos infernos até há hora da sua desgraça, ou da desgraça de quem a rodeia.

Os feitos causados pelas bruxarias ou trabalhos de magia negra das bruxas, chamavam-se na antiguidade de maleficia.

De acordo com as teses teológicas da Idade Media, como a origem do poder das bruxas é malévolo, – provindo de Pactos com demónios – , então os feitos e efeitos das suas bruxarias e trabalhos de magia negra tendem a ser malévolos.

Em 1435, o teólogo Johannes Nider categorizou os fenómenos de maleficia ou bruxaria em sete grupos. De acordo com Johannes Nider, as bruxas podem causar mal de sete formas diferentes: inspirando luxuria através de amarrações, instigando ao ódio através de separações, causando impotência no homem ou infertilidade na mulher, gerando doença e enfermidade, gerando circunstâncias que acabam por tirar a vida, conduzindo á loucura, causando danos e prejuízos em propriedades ou animais em trabalhos de vingança. Todos estes fins são alcançados através de maldiçoes lançadas através de bruxarias de magia negra, sendo que esses trabalhos de magia negra apelam sempre á acção de espíritos de trevas, de assombrações, de aparições, e de almas de mortos.

È assim que, usando-se da magia negra, se fazem – por exemplo – as mais fortes amarrações, bruxarias de amarração, trabalhos de magia negra de amarração e amarrações amorosas, da mesma forma que se fazem as mais fortes bruxarias para se afastar o marido, bruxarias para afastar a mulher, bruxarias para separar o casal, trabalhos para separar casais.

Para alem disso, com a bruxaria pode-se ajudar na fertilidade dos inférteis com bruxarias para engravidar, assim como gerar infertilidade num útero. Com as bruxarias pode-se também dar potencia sexual, como pela magia negra pode-se tirar potencia sexual. Pelas bruxarias de magia negra, podem-se também causar enfermidades e desolações, assim com pela bruxaria de magia negra tanto se podem abrir como fechar caminhos na prosperidade da vida. Porem: a bruxaria dos bruxos também pode servir para entrar em contacto com assombrações e limpar uma pessoa do mal e dos empecilhos da vida, através de limpezas espirituais verdadeiramente eficazes.

Assim sendo:

Apenas executam a verdadeira bruxaria os bruxos e bruxas, tal conforme a Bíblia os descreve.  Para saber como funciona a bruxaria, leia: Bruxaria, como funciona a bruxaria

 

A hora do diabo , ou a hora das bruxas

A hora das bruxas ou a hora do diabo é ás 3 da madrugada, ou no período que vai das horas antecedentes e presentes ás 3 da madrugada, ou seja, das 2 ás 3, e das 3 ás 4.

Diz que assim sucede, por dois motivos:

Primeiro:

porque a hora das 3 da madrugada é a hora em que – de acordo com a regra das horas canónicas da igreja – há um período de ausência de orações pela igreja. Logo, é a hora em que o Diabo – isto é: espíritos, demónios e entidades do mundo dos mortos ou do mundo Além-túmulo – pode entrar mais facilmente neste mundo.

Segundo:

porque Jesus faleceu na cruz e saiu deste mundo ás 3 da tarde, e por isso aos demónios agrada-lhes vir e entrar neste mundo na hora oposta a essa, ou seja, ás 3 da madrugada, pois assim procuram imitar ao poder de Deus porem escarnecendo dele. È por isso nesta hora que mais se observam fenómenos sobrenaturais, assim como é uma hora usada para a pratica de poderosas bruxarias e invocações de espíritos e demónios.

Há porem a meia-noite e as 6 da madrugada, que são igualmente duas horas muito fortes para a bruxaria e para a presença de espíritos neste mundo.

A meia-noite representa o oposto do meio-dia, ou seja, o oposto do momento em que há mais luz no mundo, e por isso representa o momento em que há mais trevas no mundo. È por isso e também uma hora – e aquelas que se lhe seguem daí em diante –  favorável á manifestação de eventos sobrenaturais, assim como á pratica de bruxarias e magia negra.

As 6 da madrugada são uma alusão ao numero satânico da Besta – 666 – e as bruxarias feitas a essa hora destinam-se a terem reflexos ao longo de todo o dia que está nesse momento a nascer.

As colmeias de bruxas

As bruxas tradicionalmente organizam-se em colmeias. Uma colmeia de bruxas é um pequeno grupo ou comunidade de bruxas – regra geral de 3 a 13 bruxas –  que se reúnem para prestar culto ao Diabo, assim como praticar magia negra.

O termo colmeia vem da ideia que a sociedade das bruxas é uma sociedade matriarcal, no topo da qual se encontra um Rainha e nao um rei, tal como sucede nas colmeias. È uma inversão do esquema social estabelecido pelo Deus dos Cristãos, no qual o chefe tanto da família, como da igreja, é sempre um homem. E tal como nas colmeias todas as abelhas, sob autoridade de uma rainha, trabalham laboriosamente para uma finalidade, pois o mesmo sucede nas colmeias de bruxas, nas quais – tal como dedicadas abelhas trabalhadoras -, cada bruxa se entrega laboriosamente aos fins da magia negra.

As colmeias nalguns raros casos podem ser familiares, ou seja, uma família ou varias pessoas da mesma família acabam por constituir uma colmeia de bruxas. Exemplo disso, sucedeu em 1162 a cidade de Hartford ficou impressionada com os sinais de possessão demoníaca manifestados por uma mulher de nome Ann Cole. Os ataques impressionavam que os presenciava, pois Ann Cole assumia feições demoníacas, os olhos mudavam e ficavam completamente negros, e certa vez o seu corpo levitou até ao tecto. Ann Cole falava também em holandês, língua que a jovem mulher desconhecia por completo. Soube-se que Ann Cole tinha sido embruxada por uma bruxa chamada Rebecca Greensmith. Rebecca Greensmith, a sua mãe e o seu pai Nathaniel, eram todos descendentes de famílias holandesas que haviam emigrado para Connecticut, nos Estados Unidos. E todos eles eram também bruxas. Daí a explicação para a vítima de possessão demónica falar holandês, apesar de desconhecer completamente o idioma. A bruxa Rebecca Greensmith frequentava reuniões nocturnas ou Sabbates satânicos com outras bruxas, onde vários demónios incorporaram em homens e animais, e onde ritos profanos e obscenos eram celebrados. O pai Nathaniel há muito que havia cedido á tentação do demónio, tendo celebrado Pacto com o Diabo, e concedendo que a sua esposa e filha se entregassem aos festins lascivos com demónios, no decorrer dos Sabbats Satanicos. O próprio bruxo havia sido seduzido e tido relações luxuriosas com um demonio succubus incorporado por possessão demónicaa numa jovem donzela que travou amizade com a sua filha, e que já era uma bruxa, e que também havia recrutado mãe e filha para os caminhos da magia negra. A familia havia-se assim entregue ás mais profanas heresias, para deleite do demonio, que se banqueteia e sacia em tais devassos pecados. A família ficou conhecida como as bruxas Greensmith, uma célebre colmeia de bruxas.

Marca da bruxas

Henry Hallywell na sua obra «Melampronoea» de 1681, menciona a marca do Diabo ou a marca da bruxa, descrevendo-a como uma fonte de energias através da qual os demónios se vem alimentar a este mundo, para neste mundo persistirem a empreender nas suas actividades demoníacas. Se bem que os demónios podem fazer isso recorrendo-se tempos a tempos de animais, porem eles preferem saciar-se na privilegiada fonte – para eles, deliciosa – que é uma bruxa. Assim, o demónio alimentar-se-ia das energias vitais da bruxa, de forma a ter forças para permanecer neste mundo e executar os seus desígnios. Por seu lado, a bruxa conservar-se-ia neste mundo através da possessão do espírito demoníaco, que estando dentro dela a tornava mais resiliente e resistente nesta vida terrena. Tratava-se de uma simbiose explicada pelo autor. A marca é sempre um local totalmente indolor no corpo da bruxa, pois o acto do demónio extrair energia vital é doloroso, pelo que o local pelo qual o faz tem de ser um sitio no qual a bruxa não sinta qualquer dor, a fim que o processo decorra tranquilamente, e sem causar suspeitas a outrem, nem desconforto á própria bruxa. Por isso, o teste mais simples para encontrar a marca, era usar-se de uma simples agulha, procurando por sinais no corpo que sendo trespassados, sangrassem sem causar qualquer dor, ou fossem perpassados de forma totalmente indolor. Por vezes, esta marca assumia uma forma muito semelhante a um pequeno mamilo. Sabe-se de casos documentados de bruxas que, de facto, tinham esse pequeno mamilo insensível oculto no seu corpo. Foi o caso que se verificou em 1621, da celebre bruxa de Edmontin, Elisabeth Sawyer, assim como da ainda mais famosa bruxa de Salem, Bridget Bishop (1632-1692). Houve porem quem distinguisse entre a «marca da bruxa», e a chamada «marca do Diabo». Havia quem afirmasse que a marca da bruxa era essa espécie de «mamilo» através do qual o demónio se alimentava da bruxa, e porem a «marca do diabo» era antes uma outra marca que visava identificara bruxa enquanto pertença do Diabo, da mesma forma que o gado marcado com um ferro, ou até como se marcavam os escravos da antiguidade para identificar o seu proprietário. Ao aceitar o pacto demoníaco, a bruxa aceitava incondicionalmente receber tanto uma marca, como a outra. Esta questão foi levantada em 1662, aquando do caso da celebre bruxa Amy Duny, uma das bruxas de são Edmundo, em cujo o corpo se denotavam dois tipos de marcas diferentes: a típica marca da bruxa ou mamilo oculto, e a marca do diabo. Porem, ambas as marcas tem em comum que são local que podem ser tocados ou trespassados sem qualquer dor para a bruxa.

O sangue da própria bruxa assinando um contrato demoníaco, bem como a relação carnal com o Diabo através do qual a liturgia infernal é praticada para outorgar o pacto infernal, são os meios descritos e através dos quais se jurava obediência a Satanás, ao passo que se renegava Deus e em suma se entregava a alma ao demónio para adquirir poderes sobrenaturais de bruxaria.Aquela pessoa que se entregava ao demónio, era marcada pelo Diabo. A esse sinal, chamava-se a «marca da bruxa», ou a «marca de Caim».Essa marca corporal confirma que a bruxa é na verdade uma bruxa. A marca não pode ser um sinal de nascença, mas sim algo adquirido no momento em que o Diabo assume poder sobre essa pessoa, ou escolheu essa pessoa para ser seu servo e sacerdote.A «marca» é deixada pelo demónio no corpo da bruxa como forma de assinalar a obediência dessa pessoa para com o Diabo.A «Marca» é criada de diversas formas: ou pelas garras do Diabo ao passar pela carne do seu servo, ou pela língua do Diabo que tocando o individuo, lhe deixa a marca demoníaca. A «marca» pode-se manifestar em diversas formas: Uma verruga, uma cicatriz, um sinal, e especialmente um pedaço de pele totalmente insensível.

As teses ocultistas mais actuais, tendem a identificar esta «marca do Diabo» não como um sinal físico presente no corpo da bruxa, mas antes como um «sinal» marcado na alma da bruxa, ou seja: o seu «nome espiritual», o nome com que bruxa viverá depois do pacto com o Diabo, e com o qual fará as suas bruxarias.O «nome espiritual» é o nome que o demónio concede a uma bruxa quando ela outorga o seu pacto infernal, e é a «marca» que identificará para sempre essa pessoa diante do Diabo, da mesma forma que o «nome de baptismo» Cristão identifica uma pessoa diante de Deus.Assim, se o «nome de Baptismo» identifica uma pessoa diante de Deus, o «nome demoníaco» é o «sinal» por via do qual uma pessoa se identifica perante o demónio.Ao ser baptizado por Deus, recebe-se um nome, e ao ser «baptizado» pelo Diabo, recebe-se outro.

Bruxas mulheres e bruxos homens

Obras lendárias como o Malleus Maleficarum debruça-se sobre a existência das bruxas mulheres , sobre a sua origem, e a sobre a bruxaria por elas praticada. E porem, pergunta-se: então e os bruxos homens ? Não são tratados neste grimório? Responde-se: Sim, são. Porem, mais frequentemente são-no na seguinte perspectiva:

O juiz e caçador de bruxas Pierre de la Lancre, ( 1553 – 1631), que esteve ao serviço do rei Henrique IV, deixou relatos documentados sobre os Sabbats das bruxas, onde o diabo se fazia manifestar incorporando fosse num bode negro, ou fosse num homem, sempre através de possessão demoníaca de um corpo. Tais relatos encontram-se documentados na obra «Tableau» de 1612, no qual se constatava que o demónio possuía lascivamente as bruxas a seu bel-prazer, desde as mais jovens e belas que sentavam junto dele nas primeiras filas do Sabbat, ás menos favorecidas pela beleza, e até as mais idosas. Porem, no que respeita a bruxos-homens,  Pierre Vallin, um bruxo idoso do século XVII, afirmou abertamente que quando se tratava de visitar bruxos e de celebrar Sabbats com eles, assim como de os recrutar para selarem Pacto Infernal, o Diabo incorporava no corpo de uma jovem rapariga, por vezes uma rapariga desflorada recentemente mas que já tinha o habito, o vício e o gosto de ter o demónio dentro de sí, ou seja uma jovem bruxa. O Diabo tomava conta e domínio daquele jovem corpo feminino através de possessão demónica, assim copulando com o velho bruxo em actos pecaminosos, através dos quais o bruxo se entregava a perversos caminhos heréticos, e aceitava o Diabo como seu Senhor e Mestre.

Já o demonologista renascentista Girolamo Menghi , autor do Compendium of the Arts of Exorcism , a firmava que infinitas eram as formas que os demónios podiam assumir para se aproximar e perverter ou corromper o homem e a mulher. O demonologista aderiu á ordem dos franciscanos 1552. Foram varias as obras que escreveu, tais como Flagellum Daemonum ( 1557), Fustis Daemonun ( 1588), e o Compendium ( 1576). Nessas obras Menghi afirma que os demónios são espíritos, e por isso não tem sexo, isto é, não são macho nem fêmea. Por isso, eles apresentam-se ao ser humano conforme a própria inclinação natural do ser humano aos qual eles se estão a manifestar, de forma a favorecer o desejo da pessoa que o demónio deseja possuir. Se se trata um homem que goste de mulheres, o demónio far-se-á apresentar num corpo de uma linda mulher do agrado desse homem; se for uma mulher que se agrade com homens, então far-se-á apresentar na forma de um belo homem que lhe agrade; a carnalidade é por isso um meio para chegar a um fim. Ora, o meio é a sedução e o desejo, sendo que o fim é a corrupção daquela pessoa, a possessão daquela pessoa, levando-a aos caminhos da magia negra. Foi justamente por este meio, que muitos padres e freiras foram seduzidos por demónios, levados a subverter os seus sacramentos, e a celebrar Pacto com o diabo, por meio do qual receberem os ímpios sacramentos satânicos, tornando-se freiras e padres satanicos, passando a oficiar nas artes da magia negra, e celebrando os mais poderosos trabalhos de magia negra.

Havia por isso uma tese, segundo a qual um bruxo teria quase sempre uma origem peculiar, ou seja: muitos dos bruxos seriam homens do clero – padres, abades, monges, freis – , que estando sacramentados por Deus, porem subvertiam esses sacramentos sacerdotais, e passavam a servir ao Diabo. Tanto podiam ser os padres da Igreja Romana, como os padres da Igreja Ortodoxa, como os pastores e reverendos das Igrejas Protestantes e outras Igrejas Confessionais ou Denominacionais que entretanto se fundaram e espalharam pelos quatro cantos do mundo. Assim, desde que se tratasse de um sacerdote cristão de uma igreja Cristã – seja ela qual for – os sacerdotes a quem o diabo se insinuava, acabavam por inverter, perverter, corromper e dessacralizar os seus votos, dessa forma tornando-se servos do Diabo, ou seja, padres satânicos.  Dessa forma, e através de pacto  firmado com o demonio, eles recebiam os impuros sacramentos do sacerdócio ao Diabo, e tornavam-se secretamente bruxos. A lógica desta doutrina teológica medieval, assentava no seguinte pressuposto:

Os demónios sendo como são por natureza, agrada-lhes o pecado. È como o mel para a abelha, é uma fragrância irresistível, e é no pecado que eles se saciam. E nada lhe é mais apetecível – para alem da sedução e conversão de uma bela bruxa – , senão o pecado supremo de alistar nas suas fileiras homens e mulheres de Deus, ou seja: padres e freiras. A conversão de homens de Deus ao Diabo, era assim a outra porta de entrada para se tornar bruxo. Por isso mesmo, ao longo dos tempos da caça ás bruxas, não apenas bruxas foram perseguidas, como também diversos padres e freiras satânicas.

Os históricos julgamentos dos Cátaros, dos Valdenses e do Templários foram famosos, e destinaram-se a encontrar esses bruxos ou ímpios padres satânicos que trabalhavam ocultamente no seio da igreja e das ordens religiosas, secretamente servindo e prestando o herético culto a Satanás.

As reuniões de bruxas

As bruxas tradicionalmente, na antiguidade e da Idade Media, reuniam-se em sabbats. Nicolas Remy, ( 1530-1616), na sua obra Demonolatreiae ( 1595), descreve que nos Sabbats, Satanás determinou que as bruxas deveriam «conspurcar-se aos santos domingos entregando-se a demónios incubus e sucubus, contaminar-se com o pecado da sodomia ás quintas-feiras, e ao sábado cometerem a herética prostituição com a abominação da bestialidade»

Nessas reuniões ocultas – sabbats satânicos – era onde se fazia a invocação de demónios. Homens eram seduzidos e levados a participar nessas reuniões fosse por influencia de bruxas, ou de demónios sucubus, e ao participar nessas reuniões, eles acabavam irremediavelmente possessos pelos demónios invocados, tornando-se também eles bruxos.  As reuniões ocorriam em casas existentes em lugares ermos, mas também houveram sabbats negros celebrados em encruzilhadas. Nessas reuniões os participantes renunciavam á Igreja, eram baptizados pelo demónio, e depois seguiam participando em festins lascivos onde se praticavam actos de promiscuidade, assim como se planeava a feitura de trabalhos de magia negra e bruxarias. Nestas reuniões satânicas, o demónio invocado faziam-se incorporar num bode, num touro, num homem negro, ou num cão preto. Muitas bruxas revelaram que quando se tocava no diabo ele era gelidamente frio, e que as bruxas se lhe submetiam beijando as suas nádegas, assim como os seus cascos e as suas pegadas no chão. Muitas bruxas queixavam-se que a copula com o demónio era dolorosa, e o seu membro era frio. Depois, nestas mesmas reuniões os bruxos ajoelhavam-se e veneravam submissamente as bruxas, beijando-as nos pés, nos joelhos, no ventre, nos seios e nos lábios, seguindo-se a isso festins de lascívia onde os demónios possuíam as bruxas diante dos bruxos, em acto de deliberado adultério que conspurcava o santo matrimonio de Deus. Aliás, ao aliciarem mulheres para se converterem em bruxas e devotas de Satanás, os demónios tendiam a ter uma preferência para aliciarem mulheres casadas e mães de filhas fêmeas, pois dessa forma não apenas desviavam e corrompiam almas para fora do caminho de Deus, como depois se banqueteavam nos incontáveis pecados do adultério, e até noutros mais inconfessáveis entre mães e filhas.

Em 1669 sucedeu o célebre caso das bruxas de Mora, que assumiu tais proporções que levou á intervenção do rei Carlos XI da Suécia. Na região da Dalecarlia – Suécia – , começaram a suceder estranhos fenómenos e eventos que começaram a causar estranheza e temor na população. Começaram ali a surgir aparições fantasmagóricas, mortes inexplicáveis, possessões demoníacas, e os sinistros eventos causaram uma onde de receio pelas povoações. Suspeitou-se da actividade de bruxas, de magia negra e de bruxarias, o que veio a confirmar-se. Houve relatos confirmados e documentados sobre a existência de 23 bruxas envolvidas em actividades do oculto. O grupo das 23 bruxas constituía uma colmeia de bruxas  satânicas que se havia fundado na zona. As bruxas de Mora confessavam abertamente que tinham reuniões ocultas – sabats satânicos – onde se fazia a invocação de demónios. Homens havia sido seduzidos e levados a participar nessas reuniões fosse por influencia de bruxas, ou de demónios sucubus, e ao participar nessas reuniões, eles acabavam irremediavelmente possessos pelos demónios invocados, tornando-se também eles bruxos.  As reuniões de bruxas ocorriam numa grande casa existente num prado ermo chamado Blocula, mas também houveram sabbats negros celebrados em encruzilhadas. Nessas reuniões satânicas, os participantes renunciavam á Igreja, eram baptizados pelo demónio,  celebravam pacto com o Diabo, e depois seguiam participando em festins lascivos onde se praticavam actos de promiscuidade, assim como se planeava a feitura de trabalhos de magia negra e bruxarias. Nestas reuniões satânicas, o demónio invocado faziam-se incorporar num cavalheiro que aparecia trajando um longo casaco negro. As reuniões eram frequentadas tanto por bruxas já maduras, como por jovens donzelas que se submetiam ao baptismo pelo Diabo, e depois se entregavam a ritos orgiásticos com os demónios. Como resultado, varias bruxas engravidaram, e deram á luz crianças que eram descendência de demónios. Algumas dessas mulheres foram mais tarde vistas a dar á luz bebes que eram imediatamente baptizados com sangue de serpentes ou sapos, confirmando assim a sua progenitura demoníaca. Este grupo ou colmeia de bruxas teve tamanho poder na Suécia do século XVII, que até o próprio rei temendo a sua proliferação e temíveis actos de magia negra, teve de intervir. Este célebre caso, deu a conhecer sobre a celebração dos sabbats das bruxas com factos e testemunhos históricos.

Nicolas Remy, ( 1530-1616), na sua obra Demonolatreiae ( 1595), descreve que nos Sabbats, Satanás determinou que as bruxas deveriam «conspurcar-se aos santos domingos entregando-se a demónios incubus e sucubus, contaminar-se com o pecado da sodomia ás quintas-feiras, e ao sábado cometerem a herética prostituição com a abominação da bestialidade». Afonso se Spina ( 1491) era um frei franciscano, que chegou a ser o confessor do rei João de Castilha. Spina escreveu a obra Fortalicium Fedei – 1459 – , e era um autor conhecedor dos segredos da bruxaria, tendo testemunhado pessoalmente vários casos de bruxarias, e obtido relatos de bruxas sobre as suas praticas ocultas. Ele descreveu como nas suas reuniões satânicas, as bruxas veneravam um veado ou um bode negro no qual o espírito de Satanás tinha incorporado, assim como a forma obscena as bruxas como lhe prestavam reverencia, e até os actos de concupiscência que o demónio tinha com as bruxas.

O sangue das bruxas

O sangue da própria bruxa, sempre foi considerado com um poderoso veiculo para a magia negra, e para as forças espirituais que habitam na bruxa. Sendo a bruxa alguém possesso voluntáriamente por um demonio, havia duas coisas que eram particularmente temidas na bruxa: o seu olhar contagiante através do qual a bruxa podia lançar mau-olhado ou olho-gordo, assim como o seu sangue, pois que era um sangue no qual – através do Pacto do o demonio – estava diluída a essência de um espírito de trevas, e que por isso podia gerar todo o tipo de maldiçoes. Havia por isso duas coisas que comummente se evitavam numa bruxa: ser apanhado pelo seu olhar, ou ser tocado pelo seu sangue. Um olhar de uma bruxa aliado a um encantamento por ela murmurado, podia gerar desgraças. Um toque no sangue de uma bruxa enquanto ela sursurrasse um encantamento, podia infestar com uma maldição.

De acordo com o monge beneditino Graciano, autor do «Decretum» (1140-1142) –  uma compilação de textos eclesiásticos de direito canónico –, o uso de algumas gotas de sangue misturas em água é extremamente eficiente no rito de exorcismo de certos espíritos invocados através de necromancia, ou magia negra. Assim era reconhecido pela igreja, a importância do sangue em ritos de magia negra.

Usar do próprio sangue para invocar a um poderoso espírito, isso é noção que já vem de há milénios, e era praticada nas religiões pagãs da antiguidade. No culto ao Deus Baal, os sacerdotes de Baal dançavam em torno do altar até entrarem num estado de transe, de tal forma que estando nesse estado de êxtase chegavam-se a cortar, derramando o seu próprio sangue, que era oferendado ao Deus como sacrifício. ( 1 Reis 18:28) O sacerdote é um homem consagrado a uma divindade, e por isso o sangue de um sacerdote é um poderoso chamamento a essa divindade, com quem o sacerdote possui um vinculo intimo, selado e oficializado nos seus sacramentos sacerdotais para com esse Deus. Daí que os sacerdotes de Baal aspergissem gotas do seu sangue sobre o altar, ou sobre os encantamentos que estavam a celebrar, pois que fazendo – e com o seu próprio sacrifício – estavam a invocar ao Deus, á sua presença, e ao aceitamento dos seus ritos por parte do Deus. Essa é precisamente a  mesma técnica oculta que as bruxas usam ao derramar gotas do seu sangue num trabalho de magia negra. No culto a Baal, a congregação de crentes beijava as imagens de Baal, seguindo-se-lhe a celebração de festins lascivos, que é exactamente a mesma pratica espiritual que as bruxas usam nos seus Sabbats Negros. Daí que se confirme que as praticas místicas da magia negra celebradas pelas bruxas nos seus trabalhos de magia negra, são na verdade ensinamentos e ritos que já existem há milénios.

O sangue de um bruxo sendo o sangue de alguém que possui forte vinculo com o mundo do espírito, é um selo de outorgação poderoso em qualquer forte trabalho de magia negra. É com o seu sangue que a bruxa assina o pacto com o demónio. Por isso, o seu sangue e a essência do demónio juntam-se nesse momento, passando uma pequena parte da essência do demónio a diluir-se no sangue da bruxa. Daí em diante, o sangue da bruxa passará a ser a assinatura pela qual lhe foram concedidos os ímpios sacramentos satânicos, e o selo pelo qual a bruxa se identifica a este mundo, e ao outro, enquanto serva do Diabo. O seu sangue é veiculo de magia negra, pois ao seu sangue respondem os espíritos de trevas. O seu sangue é elo e ponte entre o mundo dos vivos, e o mundo dos mortos, pois no seu sangue flui uma parte humana e viva deste mundo dos vivos, assim como – ao mesmo tempo, e ali diluída – a essência de um demonio, e por isso o mundo dos mortos, o reino do Além-túmulo. Apenas umas gotas de sangue da bruxa derramadas num bruxedo, são um chamariz irrecusável aos espíritos, e uma ordem inegável aos demonios. Uma vez que é no sangue que reside a força-vital dos seres, pois é o sangue da bruxa que concede vida aos seus bruxedos, conforme Deus concedeu vida ao homem. È uma heresia que o Satanás procurou recriar, ao fazer da bruxa uma criadora de vida, tal conforme Deus, sendo porem que se Deus criou toda a vida conforme o seu desígnio, já porem a bruxa cria a vida dos seus bruxedos conforme os negros desígnios da magia negra, e do demónio. Algumas gotas do mindinho ou indicador de uma bruxa, são o ingrediente que dá vida a um bruxedo verdadeiro, e isso foi um segredo conhecido dos demonologistas da Idade Media.

Sabe-se que Catherine de Medici (1519-1589) usou de sangue numa missa negra celebrada em favorecimento da saúde do seu filho. O mesmo uso de algumas gotas do próprio sangue de bruxa sucedeu com a famosa bruxa francesa do século XVII, Catherine Deshayes. Deshayes foi uma celebre bruxa que, junto com a sua sobrinha e acólita de dezasseis anos, celebrou diversas Missas Negras numa capela por sí edificada, e onde os demonios Asmodeus e Astaroth eram venerados. Entre os seus seguidores e frequentadores de tais missas negras, encontrava-se membros da mais alta elite da sociedade francesa, ( incluindo princesas e vários nobres da família real), que colhiam os bons resultados destes trabalhos de magia negra.

Quem pode ser bruxa ou bruxo

Há séculos que ecoa uma pergunta sobre as bruxas, que é: como é que alguém se torna bruxa ou bruxo? È porque quer ? , ou é porque é escolhido?

A resposta para aqueles que sabem os ocultos segredos da magia negra, é desconcertante para a maioria dos leigos, e ela é: não, não é bruxa nem bruxo quem quer se-lo. È o diabo que escolhe a pessoa, e não a pessoa que escolhe o diabo. Por vezes escolha-a desde a nascença, outras vezes a certo ponto da sua vida. E porem, a verdade é esta: Muitos padres costuma dizer: «nao fui eu que escolhi este caminho de ser servo de Deus, foi Deus que me escolheu a mim» ;  Também os orientais tem um proverbio que diz: «nao somos nós que escolhemos o caminho, é o caminho que nos escolhe a nós.» Na própria Bíblia, Jesus afirma «Não sois vós que me escolheste a mim, fui eu que vos escolhi a vós» ( João 15:16) , onde assim se entende que não é o homem que escolhe o sacerdócio de Deus, mas sim Deus é que escolhe quem deseja chamar ao seu sacerdócio. Pois todas estas verdades também são verdade para o Diabo, ou seja: Ninguém escolhe o Diabo, o Diabo é que escolhe quem lhe convém. Por isso mesmo é que uns são bruxos, e outros são pessoas que recorrem aos bruxos e ás suas artes ocultas.

Exemplo disso, podemos encontrar num caso ocorrido na Alemanha do século XVIII. Anna Maria Schwagel (1775) foi uma notória bruxa da Baviera. Por volta dos seus trinta anos, Anna Maria Schwagel foi abordada por um cocheiro bem parecido, bem-falante e bem apresentado. Vestido sempre de negro e conduzindo um sumptuoso coche negro puxado por belos cavalos negros, o cocheiro foi fazendo as suas misteriosas aparições,e foi-se insinuando até seduzir a mulher. O cocheiro prometeu casar com ela, na condição de Anna Maria renunciar á fé cristã, e passar a adorar apenas ao Diabo. Anna Maria Schwagel renunciou á fé cristã, celebrou pacto com o Diabo, e teve relações carnais com ele. O prometido «casamento» estava assim selado, uma vez que todas as bruxas são amantes e concubinas do Diabo, e assim é o casamento do demonio. Assim tendo acontecido, o cocheiro desapareceu tão misteriosamente como tinha aparecido. Desapareceu, porem havendo-a transformado numa bruxa, pois que a mulher havia sido levada a celebrar Pacto com demonio. Anna Maria foi depois misteriosamente levada a conhecer um frei Augustino, que também já tinha profanado os seus votos, tornando-se um padre satânico. Foi com ele que Anna Maria Schwagel recebeu os conhecimentos das artes da magia negra, e começou a celebrar trabalhos de magia negra que a tornaram célebre. Anos mais tarde, Anna Maria soube que o misterioso chocheiro que a havia abordado, escolhido e seduzido para a bruxaria, era na verdade o próprio Diabo incorporado em corpo humano.O demonio tinha escolhido Anna Maria para bruxa, e por isso, assim foi o seu destino. Por isso, assim se sabe: não é bruxa quem quer ser, mas sim quem o demonio escolher. E é sempre o demonio que escolhe, seja conforme os seus caprichos, ou os seus ímpetos, ou seus apetites, ou os seus desejos, ou seus desígnios.

Deixar de ser bruxa, e cessar o contrato com o Diabo

A bruxa de Berckeley foi uma famosa bruxa da Idade Media que viveu na localidade de Berckeley, em Gloucestershire, na Inglaterra. Os seus feitos e trabalhos de magia negra foram tao lendários, que historias sobre a sua existência eram repetidas ao longo dos seculos. William of Malmesbury, ( 1905 – 1143), foi um monge e historiador que mencionou a bruxa de Berckeley. Pensa-se que a bruxa de Berckeley terá vivido por volta de 1065, A bruxa tinha um filho casado, e mais outros dois filhos, um monge e uma freira. A certo momento da sua vida, a bruxa recebeu noticia que o seu filho casado e a sua família haviam falecido num estranho acidente. A bruxa compreendeu o sinal, e sabia que estava a chegar a hora do Diabo – com quem tinha feito pacto – , vir buscar a sua alma. Dessa forma, a bruxa fez os seus preparativos. Chamou o seu filho monge e a sua filha freira, instruindo-os sobre o que fazerem quando ela falecesse. As instruções eram muito precisas, e diziam para apos o seu falecimento, a bruxa ser colocada deitada de costas num caixão de pedra, com uma tampa de pedra. Sobre a tampa, deveria ser colocada uma pedra pesada, e no final o caixão deveria ser atado com correntes de ferro. Isto feito, o caixão deveria ficar sobre vigilância durante 50 dias e 50 noites, durante as quais se deveriam estar ininterruptamente a ler os Salmos junto do caixão. Depois disso, o corpo deveria então ser sepultado como é normal. Se ao fim de tres dias de sepultura o seu corpo permanecesse intocado, então é porque o Diabo não tinha conseguido vir colher a alma da bruxa.  Pois havendo a bruxa falecido, os filhos assim fizeram, e permaneceram todo o dia e todas as noites revezando-se em turnos, sempre a fazer vigília ao caixão, e sempre ininterruptamente a recitar os Salmos bíblicos. Findos os 50 dias e 50 noites, sepultaram o corpo da bruxa num cemitério, conforme diziam as instruções. Foi então que há terceira noite, o monge e a freira voltaram ao cemitério em segredo, para ver se o corpo da bruxa ali permanecia intocado. Reabriram a sepultura, e viram o caixão de pedra intacto, e envolto nas correntes de ferro que o prendiam. Então abriram-no, e grande foi o seu espanto e temor quando diante dos seus olhos verificaram a sinistra verdade: o caixão encontrava-se vazio. O impossível tinha sucedido. Um defunto que tinha sido mantido sob vigília e observação por 50 noites, tinha-se esfumado de dentro de um caixão de pedra sepultado debaixo da terra, amarrado com correntes de ferro, e selado com uma tampa de pedra. O caso tornou-se célebre, e a história foi repetida ao longo de toda a Idade Media. Isto vinha provar aquilo que muitos negavam, ou seja, que um pacto com o Diabo uma vez feito, não há quem o possa revogar, nem há como dele escapar. Havia quem argumentasse que o arrependimento poderia oferecer salvação, há quem alegasse que orando á Virgem Maria ela poderia recuperar e destruir o contrato com o Diabo, etc. Porem, a verdade desta história ocorrida e registada pelo monge e historiador William of Malmesbury, é bem diferente. Nem os Salmos da Bíblia, nem a purificação da Igreja, nem paredes de pedra ou correntes de ferro conseguem fazer alguém escapar ao Diabo, e de um pacto com o demonio. Uma bruxa uma vez sendo bruxa, será para sempre bruxa. Para toda a eternidade, e para todas as reencarnações.

As gerações de bruxas

A bruxa tende a passar a sua linhagem de geração em geração, pois que o demonio havendo-se agradado com uma pessoa, então tende a nutrir especial atenção pelas gerações vindouras dessa mesma pessoa, nelas delegando alguma espécie de dom do espírito, para depois nelas semear novas gerações de bruxas. Nascem assim as linhagem de bruxas, cujas as origens se perdem na névoa dos tempos. De resto, havendo a bruxa tornado-se bruxa através de um pacto de sangue, então dai em diante toda a descendência dessa bruxa trará no seu sangue a herança desse pacto, e será sempre mais susceptivel ou sensível para com os fenómenos do espírito.

Houveram vários exemplos historicamente conhecidos de notórias linhagens de bruxas. Um desses exemplos foi observado no caso das bruxas de Chelmsford, uma cidade de Essex, na Inglaterra. Por volta de 1566, a reputação da bruxa Agnes Waterhouse era reconhecida. Tal como a mãe, também sua filha Joan tinha recebido a visita do Diabo, e tinha com ele celebrado Pacto, observando-se assim que o demonio tem particular interesse por seguir as descendências de bruxas que recruta. Mãe e filha constituíram uma colmeia com outra bruxa de nome Elisabeth Francis. Também Elisabeth era oriunda de uma linhagem de bruxas. Desde dos doze anos que Elisabeth Francis aprendeu as artes da magia negra com a sua avó, uma bruxa de nome Eve. Foi por causa da avó Eve que o Diabo se interessou em Elisabeth Francis, e a procurou para celebrar Pacto. Elisabeth Francis tinha um espírito demoníaco familiar de nome Sathan,  que incorporava num gato, e que já tinha servido a sua avó Eve durante uma vida inteira de fiéis préstimos. Continuou a servir a neta, uma vez que o sangue era idêntico, e era das gotas de sangue da bruxa que o espírito demoníaco familiar se alimenta.

Outro exemplo da predilecção do Diabo para seguir e recrutar bruxas ao longo das suas descendências,  pode ser observado no caso da bruxa Chatrina Blanckenstein, ( 1610 – 1680). Chatrina Blanckenstein foi uma viúva alemã que foi famosa por volta de 1676. Após a morte do seu amado esposo, a viúva foi procurada pelo Diabo. Desgostosa que estava com o Deus que lhe tinha retirado o esposo, a viúva aceitou fazer Pacto com o Diabo, renunciado á fé cristã, e entrando pelo caminho da magia negra. Daí em diante, apesar de ter sempre mantido uma reputação social elevada, Blanckenstein era secretamente uma bruxa, e exercia as artes da magia negra. Depois da morte da bruxa Chatrina Blanckenstein, o Diabo visitou a sua filha. O demonio incorporou num homem de nome Heinrich, que tanto a rondou, e tanto a cortejou,  que a jovem donzela acabou por ceder ás suas seduções. Dessa forma a filha de  Blanckenstein teve relações de luxuria com o demonio, renegou a Santa Trindade, celebrou com ele Pacto demoníaco, dando-se assim seguimento a uma linhagem de bruxas. Outro caso historicamente conhecido de uma linhagem de bruxas, ocorreu na Inglaterra, em 1596. Foi o caso da bruxa Alice Gooderidge de Stapenhill, famosa pelas suas pragas lançadas na forma de versos, e que resultavam sempre. Cada verso da bruxa era temido, pois uma vez dito relativamente a alguém ou num trabalho de magia negra, então aquilo que havia sido recitado acaba – de uma forma ou de outra – por suceder ás vitimas dos seus bruxedos. A bruxa Alice Gooderidge tinha vários espíritos demoníacos familiares ao seus serviço que ela alimentava com algumas gotas do seu sangue de bruxa misturados na sua alimentação, conforme a sua mãe lhe havia ensinado. Também a sua mãe, Elisazabeth Wright, fora uma bruxa bastante reputada nos meios do oculto. Conforme o demonio tinha escolhido a mãe Elizabeth, também depois escolheu e recrutou a sua filha Alice. Conta-se que assim se tem gerado várias linhagens de bruxas ao longo de séculos e séculos, pelo que é muito frequente que quando existe alguém numa família com dons espirituais invulgares, isso seja um fenómeno que já vem decorrendo desde há gerações atrás, e se continue a perpetuar em futuras gerações.

Alguns casos verídicos e famosos de bruxas

Um caso verídico e documentado sobre a existência de bruxas, ocorreu quando estranhos eventos começaram a suceder na ilha de Magee, na Irlanda. O caso sucedeu por volta de 1711, quando a casa e propriedade de James Haltridge , filho de um pastor presbiteriano, começou a sofrer de estranhos fenómenos. Fosse o proprietário, ou a família, ou os empregados da casa, os residentes daquela propriedade viam os lençóis das suas camas serem puxados por uma pessoa invisível, pedras eram jogadas aos vidros da habitação sem que ninguém lhe tocasse, pessoas tropeçavam ou eram atiradas para o chão por uma presença invisível, louça caía ao chão sem ninguém lhe mexer, objectos desapareciam para reaparecerem invertidos noutro local, e chegaram mesmo a encontrar-se crucifixos misteriosamente virados de cabeça para baixo. Certa noite ao recolher aos seus aposentos, a idosa mãe de Haltridge  sentiu uma mão tocar-lhe nas costas, e passados dias estava morta. Os rumores espalharam-se, e as pessoas da vizinhança começaram a suspeitar da presença de uma bruxa, de bruxedos e de magia negra. Logo após a morte da idosa, uma jovem empregada da casa – de nome Mary Dunbar – , começou a manifestar sintomas de possessão demoníaca. Mary Dunbar afirmava que tinha visões nas quais estava a ser atacada por varias mulheres, e era quando estava assolada por essas visões que entrava em transe, perdia controlo sob o seu corpo, e ficava possessa, sofrendo de violentas convulsões. Confirmava-se assim a existência de uma bruxaria. Foram descobertas sete bruxas nas imediações, a quem chamaram as bruxas de Magee. Diante das bruxas, e havendo as bruxas sido ordenadas a libertar a empregada da possessão demoníaca, a jovem May Dunbar inexplicavelmente vomitou penas de aves pretas, alfinetes pretos, botões de um colete de homem , e outros objectos usados nos trabalhos de magia negra feitos pelas sete bruxas.

O juiz e caçador de bruxas Pierre de la Lancre, ( 1553 – 1631), que esteve ao serviço do rei Henrique IV, deixou relatos documentados nos quais uma bruxa do sul de França, em 1609, lhe revelou que durante alguns sabbats satânicos o Diabo fazia-se aparecer, incorporando num bode, num touro, num homem negro, ou num cão preto. A bruxa revelou que quando se tocava no diabo , ele era gélido e frio, e que as bruxas se lhe submetiam beijando as suas nádegas, assim como os seus cascos e as suas pegadas no chão. Muitas bruxas queixavam-se que a copula com o demónio era dolorosa, e o seu membro era frio. Depois, nestas mesmas reuniões os bruxos ajoelhavam-se e veneravam submissamente as bruxas, beijando-as nos pés, nos joelhos, no ventre, nos seios e nos lábios, seguindo-se a isso festins de lascívia onde os demónios possuíam as bruxas diante dos bruxos, em acto de deliberado adultério que conspurcava o santo matrimonio de Deus. Aliás, ao aliciarem mulheres para se converterem em bruxas e devotas de Satanás, os demónios tendiam a ter uma preferência para aliciarem mulheres casadas e mães de filhas fêmeas, pois dessa forma não apenas desviavam e corrompiam almas para fora do caminho de Deus, como depois se banqueteavam nos incontáveis pecados do adultério, e até noutros mais inconfessáveis entre mães e filhas.

Nicolas Remy, ( 1530-1616), na sua obra Demonolatreiae ( 1595), descreve que nos Sabbats, Satanás determinou que as bruxas deveriam «conspurcar-se aos santos domingos de Eucaristia entregando-se a demónios incubus e sucubus, contaminar-se com o pecado da sodomia ás quintas-feiras, e ao sábado cometerem a herética prostituição com a abominação da bestialidade»

Isabel Cockie , Janet Wishart e Helen Rogie, foram três das bruxas que se diz terem pertencido ás celebres bruxas de Abardeen, na Escócia. Há relatos históricos sobre tais bruxas que ficaram celebres por volta de 1596. As bruxas de Abardeen reuniam-se em grupos de 13 membros. Diz-se que o demónio presidia a essas reuniões satânicas, ou Sabbats satanicos, e incorporava ou num veado, ou num javali, ou num bode negro, ou num cão preto. O demónio fazia-se acompanhar de uma rainha dos infernos, e também ela incorporava num animal. Dizia-se que os bruxos e bruxas deviam beijar os demónios nas suas nádegas em sinal de obediência e submissão, assim como haviam relatos que afirmavam que os demónios possuíam carnalmente as bruxas em pecaminosa luxuria. Na sequência destes eventos sucedidos na Escócia, James I publicou a sua obra Daemonolgie, versando sobre a existência de bruxas e os seus pactos demoníacos. Diz-se que estas bruxas eram conhecedoras de fortes segredos de magia negra, e através de trabalhos de magia negra lançaram maldiçoes de vingança e retribuição sobre varias pessoas , assim como fizeram os mais fortes trabalhos de amarração de magia negra para fomentar situações de adultério. Os seus trabalhos de magia negra eram tão poderosos como lendários.

Outro celebre caso historicamente documentado da existência de bruxas e bruxaria, sucedeu no século XVII. Margaret Barclay (f. 1618) era uma nobre da sociedade escocesa, que teve uma desavença com o seu cunhado John Deans, e a sua esposa Janet Lyal, havendo por eles sido injustamente acusada de um furto. O assunto foi a tribunal, e ainda decorria o processo judicial quando John Deans foi chamado para embarcar como capitão de um navio mercante. Quando isso sucedeu, várias pessoas escutaram a voz de Margaret Barclay rogando-lhe uma maldição, dizendo que o navio deveria afundar-se, e depois murmurando palavras irreconhecíveis e típicas da bruxaria satânica. Depois disso, ela foi vista despejar pedras de carvão ainda ardentes á água, pedindo que o navio afundasse. A nobre mulher procurou depois disso a ajuda de um bruxo de nome John Stewart, havendo-se com ele encontrado numa casa deserta. Nessa casa deserta, o bruxo John Stewart e  Margaret Barclay invocaram ao demónio, que lhes apareceu incorporando num cão preto. Foi feito um trabalho de magia negra, sendo esse trabalho feito através de um boneco que foi moldado em barro. Sobre o boneco foi derramado sangue de uma oferenda a Satanás, e foi entoado um oculto encantamento em latim. No final, o boneco foi levado e arremessado para o mar, a fim que conforme aquele boneco ali se afundaria até as profundidades abissais do mar, pois também o mesmo sucedesse com o capitão John Deans. Meses passaram serenamente, ate que um dia uma sinistra noticia chegou aos ouvidos da população: o navio onde estava o capitão John Deans, realmente tinha-se afundado perto de Padstow. O capitão John Deans tinha-se afundado com a embarcação, para nunca mais ser visto até hoje. A bruxaria de do bruxo satânico John Stewart tinha sido certeira, como são sempre os fortes trabalhos de magia negra. A vingança e retribuição de Margaret Barclay estava servida, e não falhou.

Em 1669 sucedeu o celebra caso das bruxas de Mora, que assumiu tais proporções que levou á intervenção do rei Carlos XI da Suécia. Na região da Dalecarlia – Suécia – , começaram a suceder estranhos fenómenos e eventos que começaram a causar estranheza e temor na população. Começaram ali a surgir aparições fantasmagóricas, mortes inexplicáveis, possessões demoníacas, e os sinistros eventos causaram uma onde de receio pelas povoações. Suspeitou-se da actividade de bruxas, de magia negra e de bruxarias, o que veio a confirmar-se. Houve relatos confirmados e documentados sobre a existência de 23 bruxas envolvidas em actividades do oculto. O grupo das 23 bruxas constituía uma colmeia de bruxas  satânicas que se havia fundado na zona. Uma colmeia de bruxas é um pequeno grupo ou comunidade de bruxas – regra geral de 3 a 13 bruxas, neste caso sendo de 23 bruxas –  que se reúnem para prestar culto ao Diabo, assim como praticar magia negra. O termo colmeia vem da ideia que a sociedade das bruxas é uma sociedade matriarcal, no topo da qual se encontra um Rainha e nao um rei, tal como sucede nas colmeias. È uma inversão do esquema social estabelecido pelo Deus dos Cristãos, no qual o chefe tanto da família, como da igreja, é sempre um homem. E tal como nas colmeias todas as abelhas, sob autoridade de uma rainha, trabalham laboriosamente para uma finalidade, pois o mesmo sucede nas colmeias de bruxas, nas quais – tal como dedicadas abelhas trabalhadoras -, cada bruxa se entrega laboriosamente aos fins da magia negra. Mesmo quando separadas e questionadas individualmente, as bruxas desta colmeia – chamadas as bruxas de Mora – contavam os mesmos factos. As bruxas de Mora confessavam que tinham reuniões ocultas – sabats satânicos – onde se fazia a invocação de demónios. Homens havia sido seduzidos e levados a participar nessas reuniões fosse por influencia de bruxas, ou de demónios sucubus, e ao participar nessas reuniões, eles acabavam irremediavelmente possessos pelos demónios invocados, tornando-se também eles bruxos.  As reuniões ocorriam numa grande casa existente num prado ermo chamado Blocula, mas também houveram sabbats negros celebrados em encruzilhadas. Nessas reuniões satânicas, os participantes renunciavam á Igreja, eram baptizados pelo demónio,  celebravam pacto com o Diabo, e depois seguiam participando em festins lascivos onde se praticavam actos de promiscuidade, assim como se planeava a feitura de trabalhos de magia negra e bruxarias. Nestas reuniões satânicas, o demónio invocado faziam-se incorporar num homem de barba ruiva, um senhor que aparecia trajando um longo casado negro. As reuniões eram frequentadas tanto por bruxas já maduras, como por jovens donzelas que se submetiam ao baptismo pelo Diabo, e depois se entregavam a ritos orgiásticos com os demónios. Como resultado, varias bruxas engravidaram, e deram á luz crianças que eram descendência de demónios. Algumas dessas mulheres foram mais tarde vistas a dar á luz bebes que eram imediatamente baptizados com sangue de serpentes ou sapos, confirmando assim a sua progenitura demoníaca. Este grupo ou colmeia de bruxas teve tamanho poder na Suécia do sec XVII, que até o próprio rei temendo a sua proliferação e temíveis actos de magia negra, teve de intervir.

Em resumo:

São inúmeros os casos historicamente documentados, que provam e comprovam a existência de bruxas, de bruxaria, de magia negra e dos trabalhos de magia negra, assim como a realidade dos seus fortes resultados.

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Magia negra e o demonio Mammon

Magia negra e o demonio Asmodeus

Magia negra e o demonio Beelzebub

Magia negra e Salomão

Magia negra e o demonio Mephistopholes

Magia negra e o mau olhado

Magia negra e o sangue das bruxas

Magia negra e a marca das bruxas

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Trabalhos de magia negra, magia negra, amarrações. O altar de baphomet é uma Associação de natureza religiosa – informal e sem personalidade jurídica – fundada em 2011, e conforme os termos da Lei 16/2001 de 22 de Junho.O altar de baphomet é um altar privado de culto religioso privado e fechado. O altar de baphomet exerce os seus préstimos espirituais online, já há quase 1 década aqui abrindo caminhos nas causas mais impossíveis. No altar de baphomet praticam-se as artes da magia negra, invocações de espíritos de trevas, conjuraçoes de demónios, assombrações e aparições. Celenbram-se missas negras para todos os fins: amarrações de casal, separações de casal, bruxaria de vingança, bruxarias de justiça, trabalhos de magia negra para afastamento de pessoas indesejáveis, trabalhos de magia negra para todos os fins.Desde 2011 a providenciar sucessos e vitorias, nos casos mais difíceis e desesperados.

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