Amarração, como funciona

Amarração, como funciona

As amarrações ao longo da história

Jean Bodin ( 1520-96), foi um jurista e filosofo francês que se debruçou sobre o estudo da bruxaria. A publicação da obra «De lá Demonomanie des Sorcieres» em 1580 foi uma obra de referência no estudo do fenómeno da bruxaria. Foi um dos primeiros autores da falar do termo «amarrações» ou «ligatures», através das quais as bruxas podiam constranger as pessoas espiritualmente, levando-as a – sob a influencia de castigos espirituais infligidos espiritualmente á alma da pessoa embruxada – agir de certa forma desejada pelo bruxedo .

Nos textos dos séculos XVI e XVII, mencionam-se as ligature – actualmente conhecidas por amarrações – como formas de maleficia ou magia negra já com séculos e séculos de existência.

Uma das formas de amarração mais poderosas e reputadas na Idade media, era a amarração do nó. No «compendium maleficarum» , ( o «compêndio das bruxas» de 1608), de Francesco-Maria Guazo, são descritas as varias finalidades para que a amarração do nó podia servir. Segundo e célebre exorcista e demonologista Francesco-Maria Guazo, na sua obra «compêndio das bruxas» a amarração do nó poderia levar um casal a detestar-se, mas também a permanecer ligado mesmo contra vontade de um deles. A amarração do nó poderia também causar impotência sexual no homem, ou atiçar o seu desejo por uma mulher que o amarrasse. A amarração do nó poderia causar infertilidade na mulher, como também poderia levar á gravidez onde antes era julgada impossível. A amarração do nó era chamada de Aiguillette em França, e de Ghirlanda dele Streghe em Itália, e era celebrada pela bruxa dando alguns nós ao longo de uma corda, ou de um pedaço de couro. O bruxedo apenas se desfaria se a bruxa desfizesse os nós. O notório demonologista Jean Bodin observou estes bruxedos de amarração pessoalmente em 1567, vendo que havia cinquenta formas diferentes de dar os nós, a que acresciam outras dezenas de encantamentos diferentes, de forma a que se alcançasse um certo efeito desejado. Conforme o nó e o encantamento, então um efeito distinto ocorreria na vítima do trabalho de magia negra de amarração. O pedaço de corda ou couro, deveria sempre ser escondido dos olhos da vítima. Alguns dos sintomas que a pessoa embruxada por esta amarração poderia sentir, seriam o aparecimento de inchaços no corpo, dores no corpo, febres inesperadas, dores inesperadas, sangramentos inesperados, vómitos súbitos, grande cansaço, arrotar muito, sentir um grande peso sobre o corpo, sentir um grande abatimento, sonolência anormal, enjôos, fraqueza, abatimento, insónias ou sonhos perturbadores. A vitima da bruxaria de amarração sofreria também de visões sobrenaturais, assim como poderia começa a ver manifestações de espíritos ocorreram no seu lar, ou á sua volta. O bruxedo de amarração nunca seria quebrado, a não ser que os nós fossem desfeitos pela própria bruxa, ao mesmo tempo que proferia os encantamentos correctos.

Um dos casos mais famosos do uso deste tipo de amarração, ocorreu na Inglaterra do seculo XVI. Anne Boleyn (1507-1536) foi uma rainha inglesa que casou com o rei Henrique VIII em 1553. O casamento deu-se em privado e secretamente, enquanto que ainda estavam em curso as negociações para a dissolução do anterior casamento do rei com a Catarina de Aragão, através da qual se havia celebrado uma aliança com o reino de Espanha. Anne Boleyn foi secretamente uma bruxa, e celebrou um rito de amarração ao rei Henrique VIII, conseguindo assim aquilo que parecia impossível, que foi suceder como rainha de Inglaterra a um casamento que era quase impossível de dissolver. A igreja de Roma e o Papa opunham-se fortemente á dissolução do matrimonio real, pelo que há rumores que a bruxa se terá virado para os poderes opostos aos da Igreja de Roma, e terá celebrado uma Missa Negra para desposar do rei não pela lei de Deus, mas sim pela lei da magia negra e do Diabo, coisa que conseguiu com sucesso. Porque o poder das amarrações era temido e temível, as amarrações chegaram mesmo a ser previstas na Lei Inglesa, nos «Witchcraft Acts» de 1563 e 1604.

No seculo XVII, foi existiu uma celebre bruxa em França, de nome Catherine Deshayes.( f. 22 Fevereiro 1680) O nome pelo qual era comummente conhecida, era «La Voisin». A bruxa Catherine Deshayes era famosa pelos trabalhos de magia negra afrodisíacos que preparava, pelos trabalhos de magia negra que celebrava para a fertilidade, mas também cuidava de interromper a gravidez de quem se desejasse. Todas as figuras da alta-sociedade eram clientes frequentes, e no decurso da sua carreira, a bruxa Catherine Deshayes enriqueceu. Com parte da sua fortuna, comprou uma propriedade e nos jardins mandou erguer uma capela. A capela era secreta, privada, e nela eram celebradas Missas Negras. Apenas um círculo muito restrito de pessoas tinha acesso ás cerimonias de magia negra ali oficiadas, e onde a bruxa fazia o culto dos antigos deuses pagãos, agora tidos como demónios pelo cristianismo. Catherine celebrava culto a Astaroth e Asmodeus, dois demónios particularmente poderosos em assuntos de luxuria, de fertilidade, e até mesmo de disputas. A verdade dos factos demonstrava que os seus trabalhos de magia negra eram fortíssimos, pois a sua clientela era vasta, exclusiva, e sempre disposta a pagar qualquer preço, pois os seus resultados eram surpreendentes. Sabe-se que entre os seus clientes estavam princesas, membros da família real, alta-aristocracia, frequentadores da corte do rei Luís XIV, e até o duque de Buckingham. Catherine constituiu a sua própria colmeia de bruxas, e os seus trabalhos de amarração tornaram-se lendários.

Também em França e no século XVII, existiu outra bruxa de nome Lesage, que praticava as suas bruxarias com dois padres, o padre Davot, e o Abade Mariette. Ambos os padres tinham cedido ás tentações da bruxa, e tinham feito pacto com o Diabo, renunciando aos seus santos sacramentos, entregando-se á concupiscência da lascívia e ao pecado da magia negra, tornando-se assim padres satânicos. Ambos os padres e a bruxa Lesage celebraram inúmeras missas negras, algumas na capela de uma outra bruxa de nome Catherine Deshayes, ( f. 22 Fevereiro 1680) , assim como outras capelas de mosteiros e conventos da Igreja. Nesta mesma altura, em 1677, o celebre Abade Guibourg também celebrava Missas Negras, algumas nelas na capela da bruxa Catherine Deshayes. Também ele tinha profanado os seus votos sacramentais da Igreja, feito pacto satânico, e celebrado inúmeras missas negras e sabats negros com os seus heréticos e profanos festins lascivos. Também nestes casos, os trabalhos de magia negra tornaram-se lendários e altamente requisitados, tal não eram os seus sucessos, especialmente em amarrações .

O padre Louis Van Haecke (1828 – 1912)  foi um padre belga que celebrou diversas e celebres missas negras. Louis Van Haecke havia sido seduzido por uma linda e jovem bruxa ainda na sua juventude, enquanto estudava no seminário. A bruxa aparecia-lhe misteriosamente, seduzia-o, e insinuava-lhe á pratica tanto de actos lascivos, como de ritos de magia negra. A jovem bruxa aparecia e desaparecia tao misteriosamente, que se diz que o padre foi na verdade abordado por um demonio Succubus  incorporado numa jovem rapariga. Após ter recebido a sua ordenação sacerdotal, o padre não resistiu á sua fraqueza pelas tentações da carne, e acabou por profanar os seus votos, entregando-se á lascívia com ao demonio Succubus, através dela celebrando pacto com o demonio, e praticando magia negra. Louis Van Haecke tornou-se assim um padre satânico. Tendo mais tarde sido colocado na paroquia de Bruges, o padre acabou por seduzir uma legião de fiéis com os seus trabalhos de magia negra, através dos quais concedia todo o tipo de resultados e favorecimentos em assuntos amorosos e de luxuria, através de amarrações . A sua fama rapidamente se espalhou pela França, e eram inúmeras as pessoas que procuram pelos trabalhos de magia negra do padre satânico.  Os seus trabalhos eram realizados através de missas negras , sendo essas celebradas nocturnamente na própria Igreja onde o padre exercia o seu ofício. Durante o dia o padre celebrava as suas missas normais dirigidas as Deus, sendo que há noite oficiava as suas missas negras dirigidas a Satanás. O padre liderava as missas negras usando uma máscara negra com grandes cornos de bode, sendo que a missa em si era uma variação da missa católica normal, á qual eram adicionados elementos de devassa, lascívia e adoração ao Diabo. No altar central da Igreja, era colocada uma imagem de um demonio ao qual era prestado culto, assim consumando-se o sacrilégio da idolatria no centro da casa de Deus, o que constitui um acto de magia negra. Seguiam-se diante do ídolo demoníaco todos os ritos típicos da missa católica, que culminavam com a profanação da Hóstia consagrada, á qual se seguia um festim de lascívia no qual todo o tipo de apetites e prazeres era saciado. No decorrer destas missas, eram realizados trabalhos de magia negra. Os trabalhos de magia negra do padre satânico tornaram-se famosos, e abundantemente requisitados, havendo os seus sucessos sido registados e documentados na obra do escritor Joris-Karl Huysmans, assim como pelos testemunhos de uma bruxa de nome Berthe Couriérre. A fama dos trabalhos de magia negra do padre satânico Van Haecke atingiram tais proporções, que chegaram aos ouvidos do Bispo de Bruges, que mandou instaurar um inquérito. Porem, nada sucedeu. As missas negras e amarrações do padre satânico prosseguiram, tornando-se lendárias.

Como funcionam as amarrações 

Francesco Maria Guazzo  ( 1600-30), foi um frade francês autor de marcantes obras sobre demonologia no século XVII. Entre elas, encontra-se o celebre Compendium Maleficarum, escrito em 1626 a pedido do Bispo de Milão, e que se debruçava sobra as obras da magia negra, dos trabalhos de magia negra, e das bruxas. O frei testemunhou e documentou pessoalmente factos sobre a existência da magia negra, da bruxaria, e dos trabalhos de magia negra celebrados pelas bruxas. O frei Guazzo descreveu com na verdade as bruxarias e trabalhos de magia negra actuam induzindo possessões demónicas nas suas vitimas, até as levarem a agir conforme a bruxa deseja.

Assim se comprovou aquilo que já outros Grimórios de magia negra afirmavam, ou seja, que a bruxaria causa possessões demoníacas na sua vítima, infligindo-lhe dessa forma estados de reiterados padecimentos espirituais, que nela persistem até a vitima ceder á intenção do bruxedo. Cedendo os padecimentos cessam, e porem resistindo e teimando então os padecimentos insistem e persistem até á desgraça da criatura embruxada.

Como exemplo disso, há casos historicamente documentados de trabalhos de magia negra que comprovam a forma como funcionam as amarrações. Um deles, foi o das bruxas de Magee. Estranhos eventos começaram a suceder na ilha de Magee, na Irlanda. O caso sucedeu por volta de 1711, quando a casa e propriedade de James Haltridge , filho de um pastor presbiteriano, começou a sofrer de estranhos fenómenos. Fosse o proprietário, ou a família, ou os empregados da casa, os residentes daquela propriedade viam os lençóis das suas camas serem puxados por uma pessoa invisível, pedras eram jogadas aos vidros da habitação sem que ninguém lhe tocasse, pessoas tropeçavam ou eram atiradas para o chão por uma presença invisível, louça caía ao chão sem ninguém lhe mexer, objectos desapareciam para reaparecerem invertidos noutro local, e chegaram mesmo a encontrar-se crucifixos misteriosamente virados de cabeça para baixo. Certa noite ao recolher aos seus aposentos, a  mãe de Haltridge  sentiu uma mão fria tocar-lhe nas costas, e passados dias estava morta. Os rumores espalharam-se, e as pessoas da vizinhança começaram a suspeitar da presença de uma bruxa, de bruxedos e de magia negra. Logo após a morte da mulher, uma jovem rapariga que frequentava a casa de James Haltridge – de nome Mary Dunbar – , começou a manifestar sintomas de possessão demoníaca. Mary Dunbar afirmava que tinha visões nas quais estava a ser atacada por varias mulheres, e era quando estava assolada por essas visões que entrava em transe, perdia controlo sob o seu corpo, e ficava possessa, sofrendo de violentas convulsões. Confirmava-se assim a existência de uma bruxaria. Foram descobertas sete bruxas nas imediações, a quem chamaram as bruxas de Magee. Diante das bruxas, e havendo as bruxas sido ordenadas a libertar a empregada da possessão demoníaca, a jovem May Dunbar inexplicavelmente vomitou penas de aves pretas, alfinetes pretos, botões de um colete de homem , e outros objectos usados nos trabalhos de magia negra feitos pelas sete bruxas. Diz-se que  James Haltridge e Mary Dunbar tinham um caso amoroso, motivo pelo qual uma outra mulher enciumada mandou embruxar a ambos, a fim de impedir aquele relacionamento, e separa-los. A mulher estava obviamente enamorada de James Haltridge, e queria-o para sí mesmo. Porem: como eles teimavam e resistiam ao bruxedo que os infestou, então os padecimentos começaram a suceder-lhes das formas mais atrozes, fosse pela morte da mãe de James, pelas assombrações que cercavam Haltridge, ou  fosse pelos tormentos sofridos por Mary. Assim se vê que quando alguém resiste a um trabalho de magia negra, é assim que o trabalho de magia negra opera, até que as pessoas cedam. Cedendo, acaba-se-lhes o tormento, e porem resistindo e teimando em não ceder, então o padecimento vai paulatinamente aumentando passo-a-passo, degrau-a-degrau, até ao ponto da desgraça das criaturas embruxadas, ou de quem elas amam. Não há escapatória. A pessoa embruxada por uma amarração de magia negra forte, nunca mais se livrará do bruxedo, nem da sombra de quem a mandou embruxar. Nunca mais.

Foi usando deste método oculto que se verificaram os mais espantosos resultados, alguns dos quais acabaram por ficar inscritos da historia.

William Perkins ( 1555 – 1602) foi um notório demonologista Inglês, cuja a obra «Discourse of the Damned Art of Witchcraft» rivalizou com a obra de James I, a maio autoridade nos assuntos da bruxaria e magia negra nos inícios do século XVII. Perkins não tinha paciência para as vozes que negavam a bruxaria, e alegavam que a magia negra era uma fantasia. O demonologista não apenas comprovava solidamente a existência da magia negra e dos trabalhos de magia negra através da Bíblia, como a acrescia provas empíricas e concretas de observações feitas a casos reais e testemunhados. A sua obra «Discourse» foi publicada na Alemanha em 1610, e o seu pensamento rapidamente espalhou-se por toda a Europa. Praticamente noventa anos depois, outros demonologistas famosos como Cotton Mather ( 1663 – 1728) de Nova Inglaterra apontavam os estudos de William Perkins como referencias incontornáveis sobre a magia negra, a bruxaria, as bruxas, e os trabalhos de magia negra. Nestas obras destes demonologistas, pode-se observar que a  verdade é que todos os bruxedos e trabalhos de magia negra, acabam por produzir os seus efeitos através de maldiçoes e possessões demoníacas que são direccionadas e infligidas a uma certa criatura. Nesses casos a vítima é infestada e faz-se-lhe sofrer padecimentos e assombrações espirituais até que ela ceda aos objectivos do bruxedo. Cedendo as assombrações a padecimentos cessam, e porem teimando em resistir então os padecimentos e tormentos persistem a assombrar a vitima, aumentando paulatinamente, até ao ponto da sua desgraça, ou daqueles que ela mais ama. Não há escapatória, e é assim que operam as bruxarias de magia negra.

Há exemplos históricos do uso de amarrações poderosas que ficaram para célebres. Em 1490, uma bruxa que vivia em Londres,  de nome Johana Benet usou de uma amarração para embruxar um homem que desejava. Porém, teimando o cavalheiro em não ceder aos desejos da bruxa, então o homem começou a sofrer padecimentos de uma tal forma, que passados tempos começou a definhar. O caso é verídico, e foi testemunhado pelo comissario de Londres. Outro caso que ficou famoso, foi o da bruxa de Norwich ocorrido em 1843. A bruxa de nome Mrs. Bell usou de uma amarração  na qual derramou gotas do seu próprio sangue de bruxa, e aparas de unhas de um homem desejado, ao mesmo tempo que proferia um encantamento em Latim. Passados tempos, o homem não conseguia mexer as pernas, e ficou acamado. A verdade é que o homem sendo casado, tentou resistir ao chamamento da bruxa. Quanto mais resistia, mais a infestação de bruxaria alastrava na sua alma, infectando-o de pestilência e trevas. Tanto o homem teimou, que acabou prostrado numa cama, e com o casamento arruinado.

Um outro caso célebre do uso das amarrações, foi o caso sucedido França, com a jovem Marie-Catherine Cadiére.( n. 1709). Marie-Catherine Cadiére era uma lindíssima jovem de dezoito anos, quando apesar da sua beleza decidiu entregar-se á vida religiosa. Decidiu integrar um grupo cristão de oração e devoção, para depois ingressar no convento de St Claire-d’Ollioules. Entregou-se então aos cuidados e orientação espiritual de um padre Jesuíta de cinquenta anos, de nome Jean-Baptiste Girard. Em pouco tempo a jovem e bela donzela de dezoito anos estava totalmente rendida ao padre Girard, privando com ele imenso tempo. Porem, a jovem começou a sofrer estranhos ataques espirituais. Marie-Catherine Cadiére estava a sofrer de uma forte possessão demoníaca.  As autoridades da Igreja agiram imediatamente de forma a exorcizá-la, tentando por três vezes a libertação da jovem, porem sem sucesso. Foi durante um dos exorcismos, que o próprio demonio revelou a verdade: Marie-Catherine Cadiére tinha sido embruxada pelo padre Jean-Baptiste Girard. O padre era na verdade um padre satânico que havia corrompido os seus votos sacerdotais e feito pacto com o Diabo. Desejando possuir a jovem noviça, o padre Girard tinha-a embruxado por meios de uma amarração . A amarração funcionou impecavelmente, pelo que a jovem se entregou inteiramente ás caricias e lascivos desejos do padre satânico. Porem, havendo a jovem começado a resistir á continuação daquele relacionamento herético e proibido, então a possessão demoníaca causada pelo bruxedo aumentou a tal ponto, que o malefício se tornou visível diante de todos quando os sintomas de possessão demoníaca se tornaram muito evidentes. Assim se comprovava aquilo que dizem os mais antigos grimórios de magia negra: as amarrações e os bruxedos fazem a vítima ser invadida de forte possessão demoníaca, por forma a obriga-la a ceder aos desejos do mandante do bruxedo. Cedendo a vítima entrega-se a todos os caprichos do mandante do bruxedo. Porem resistindo, a vítima sofre um purgatórios de tormentos até ceder, e teimando em resistir então os tormentos aumentam até ao ponto da sua desgraça. Assim operam as amarrações de magia negra. E uma coisa é certa: a vítima nunca mais se livra do bruxedo, nem da sombra de quem a mandou embruxar. Nunca mais.

Assim se vê como operam as amarrações de magia negra, seja no caso da pessoa desejada ceder, ou seja no caso dela teimar e resistir. Seja como for, os efeitos de uma amarração de magia negra infestam a criatura embruxada de forte possessão espiritual, que se alastra na sua alma de forma imparável e indefectível. A criatura embruxada fica de tal forma possessa de espíritos e assombrações, que ou cede e se entrega a quem a mandou embruxar, ou os seus padecimentos persistem sem cessar até que ela ceda. Cedendo, o purgatório de tormentos cessará, e porem resistindo então os padecimentos ali persistirão a assombrar a criatura, aumentando paulatinamente até ao ponto da sua desgraça. Por isso, ou a criatura cede, ou acabará desgraçada. Porem: a verdade é que essa criatura nunca mais se livrará do bruxedo, nem da sombra de quem a mandou embruxar. Nunca mais.

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