Magia negra e demonologia

Magia negra e demonologia

O estudo dos demónios, das suas origens e propriedades, assim como do fenómeno das bruxas e da bruxaria, e igualmente os segredos das artes ocultas da magia negra e dos trabalhos de magia negra, foram desde há séculos o campo de estudo da demonologia, e dos demonologistas. Também a compreensão e catalogação das entidades e hierarquias demoníacas, foi desde sempre um objecto de estudo para os demonologistas. Os grimorios ou livros de magia negra de alguns dos demonologistas da antiguidade, são fonte de conhecimentos ocultos ainda nos dias de hoje, e preciosos guias de sabedoria para a feitura dos mais fortes trabalhos de magia negra.

Há várias obras de demonologia historicamente marcantes e influentes, como o De lá Dèmonomanie des Sorciers ( 1580), de Jean Bodin, o Tratactus de Confessionibus Maleficorum et Sagarum ( 1589), de Peter Binsfeld, o Daemonologie ( 1597), de James I , o Disquisitionum Magicarum ( 1599) de Henri Boguet, o Compendium Maleficarum ou o Compendio das Bruxas ( 1608) de Francesco-Maria Guazo, o Tableau de de l’Inconstance des Mauvais Anges ( 1612),  de Pierre Lancre,  ou o De Demonalitate ( 1700)  de Luduvico Maria Sinistrari.

Jacques Collin de Plancy ( 1793 – 1881), foi um célebre ocultista e demonologista Francês, que publicou diversas e reputadas obras sobre demonologia. O seu famoso «Dictionnaire Infernal» , um tratado de demonologia, foi publicado em 1818.

Todas estas e muitas outras, foram obras históricas de célebres demonologistas, onde estão inscritos muitos dos mais precisos saberes da bruxaria e da magia negra .

O Códex Latinus Monacensis, é um manuscrito que foi descoberto, e encontra-se na biblioteca da Baviera. Escrito em alemão, porem com formulas magicas em italiano. O livro continha o resumo de uma versão do liber consecraciounum , uma lista de espíritos, fórmulas para os invocar, um manual para magia astral, listagem dos dias adequados para a feitura de símbolos mágicos. O Manual de Munique, atribuído por alguns a Roger Bancon – famoso padre e filosofo Inglês – ( 1214 – 1292), descreve formas de invocação de demónios, deixa avisos sobre as formas pelas quais os espíritos tentarão perturbar o conjurador, assim como dá indicações sobre os métodos para lidar correctamente com uma conjuração de magia negra.

Houveram também outros poderosos Grimórios de magia negra inspirados em saberes hebraicos e arábicos na Idade media, como o Lemegeton e Liber Officiorum, onde se catalogam os vários reis, duques, marqueses e condes dos infernos.

Na antiguidade, os demonologistas muitas vezes procuraram a apoiar-se na Bíblia para fundamentar – do ponto de vista teológico – as realidades da bruxaria e a  magia negra . Quase todos os demonologistas da antiguidade apontam as passagens da bruxa de Endor ( 1 Samuel 28,7) através da qual Saul comunicou com o espírito do falecido Samuel, assim como o episódio de Simão, o mago, ( Actos Apóstolos 8: 9-24), um rival do apóstolo Pedro, e que terá alcançado grandes feitos mágicos. Autores com são Agostinho ( 345-430), aliaram o fenómeno da vidência á pratica da bruxaria, e por isso também destacaram também episódios bíblicos como da bruxa escrava de Filipos que são Paulo encontrou na Macedónia ( Actos Apóstolos 16,16-18), para confirmar a existência de bruxas e da bruxaria. Outros escritos, também apontam que Jesus esteve na presença de um Pacto demoníaco ,( Lucas 4:5-8 , Mateus 4:8-9),  – quando o Diabo lhe concede poder sobre todos os reinos do mundo, em troca da sua veneração a Satanás – e que Jesus testemunhou os poderes que o Diabo concede a quem com ele faz Pacto, quando o Satanás lhos descreveu a Jesus, nas suas tentações do deserto. Estas mesmas passagens são usadas por vários demonologistas da Idade Media para confirmar Biblicamente a existência de Pactos com o Diabo, e dos poderes que daí advém para as bruxas e bruxos.

são Tomás de Aquino, ( 1225-74), deixou um legado de escritos nos quais se descreveu sobre as bruxas, e sobre a forma como os demónios incubbus as procuravam para com elas realizarem actos lascivos, e através da luxuria firmarem com elas Pactos demoníacos. No caso dos bruxos eles seriam procurados por demónios sucubbus , e o mesmo sucederia. Foi são Tomás de Aquino o primeiro a documentar a forma como bruxas e demónios podiam gerar sinistros e temíveis efeitos através dos seus trabalhos de magia negra, e foi também o primeiro a mencionar claramente a mágicas das «Ligatures», – hoje em dia chamadas amarrações – através das quais as bruxas podiam interferir nos relacionamentos humanos. O tema foi mais tarde aprofundado por Jean Bodin.

Já o célebre Malleus Maleficarum foi criado em 1486 por H. Kramer e Jacob Sprenger, ambos membros da Ordem Dominicana. O Malleus Maleficarum de H. Kramer e Jacob Sprenger, acabou sendo sancionado como um instrumento de inquisitório oficial contra magias negras, bruxarias e heresias, através da bula papal Summis desiderantes affectibus promulgada a 5 Dezembro 1486 pelo Papa Inocêncio VIII.

Outra obra também reveladora de muitos segredos sobre bruxas, foi escrita no sec XVI, Peter Binsfeld, um bispo, juiz e caçador de bruxas alemão, que escreveu  De confessionibus maléficorum at sagarum – «confissões das bruxas» , 1598 – , onde estabeleceu uma relação directa entre os 7 pecados mortais e 7 demónios regentes do inferno, ou 7 demónios.

Em Espanha, Alfonso de Spina ( n. 1941) na sua obra Fortalium Fidei ( 1458) ou «Fortaleza da Fé», afirmava a realidade da existência dos Sabbats satânicos, da magia negra e das bruxas. Já a obra de Pedro Cirvelo , o notório Opus de Magica Superstitione,( 1521), foi a obra mais influente em Espanha dos assuntos da magia negra , das bruxas e  da bruxaria.

A maioria dos demonologistas da antiguidade defendiam que a feitiçaria popular e tradicional aliada ao satanismo, ( que consiste na adoração ao Diabo, e aos demónios, ou a deuses pagãos), gerava a bruxaria, a magia negra, um pecado considerado herético e da maior gravidade contra a Igreja. Nicholas Jacquier ( n. 1402), foi um padre dominicano e demonologista que escreveu diversas obras sobre bruxas e bruxaria, incluído o influente «Flagellum Haereticorum Fascinariorum» de 1452, no qual Jacquier afirma que a bruxaria é a mais forte e condenável das heresias. È a máxima heresia. Por isso mesmo, explica-se a preferência do Diabo e dos demónio por desviar as almas que mais cobiçam para os caminhos da bruxaria, pois assim estão a induzir ao mais apetecível dos pecados, que é a máxima heresia da magia negra.

No «compendium maleficarum» , ou o «O COMPÊNDIO DAS BRUXAS» de 1608, do padre Italiano Francesco-Maria Guazo (n. 1570)  , são descritas as varias finalidades para que uma bruxaria podia servir, assim como os seus poderosos  efeitos. O padre observou pessoalmente casos de bruxaria, de magia negra e possessões demónicas, tendo sido testemunha dos poderosos efeitos da magia negra.

Um padre dominicano Raimundo de Tarrega ( falecido a 1371) tinha um grimório de magia negra chamado De invocatione Daemonum. O livro tornou-se conhecido através do julgamento realizado por Nicholas Eymeric, (1320-1399), o Inquisidor geral de Aragão.  Com esta revelação, ficou-se a saber que até no seio da ordem Dominicana da Igreja, havia sacerdotes entregues ás artes da magia negra, ou seja, padres satânicos. Alguns autores da época designam a magia negra enquanto magia demónica, pois visa essencialmente invocar a demónios, almas de mortos e assombrações.

Johannes Nider,(1380 – 1438), um reputado teólogo alemão, foi o autor da célebre obra Formicarius ( 1435), na qual se descrevem aprofundadamente diversos aspectos do Pacto com Satanás, e dos Sabbats satânicos. Em 1435, Johannes Nider categorizou os fenómenos de maleficia ou da bruxaria em grupos, classificando os vários tipos de bruxarias que as bruxas podem celebrar para atingir os seus fins. Observa-se na obra, que todos estes fins são alcançados através de maldiçoes lançadas através de bruxarias de magia negra, sendo que esses trabalhos de magia negra apelam sempre á acção de espíritos de trevas, de assombrações, de aparições, e de almas de mortos.

Nicolas Remy( 1530 – 1612), foi um demonologista Francês que presenciou pessoalmente vários casos verídicos de bruxas, bruxaria e trabalhos de magia negra. Com as conclusões que retirou das suas experiências e observações, Nicolas Remy escreveu a obra «Demonolatreiae», publicado em 1595. O «Demonolatreiae» foi uma obra muito influente nos círculos da demonologia e nos estudos sobre as artes negras das bruxas Nicolas Remy dedicou-se ao estudo da bruxaria, depois de em 1582 ter visto o seu próprio filho ser embruxado com uma praga de uma bruxa. O filho veio a falecer após o lançamento da praga, e a dor do evento levou-o a lançar-se sobre o estudo das realidades da magia negra. A sua obra foi muito marcada pelos escritos demonológicos de Jean Bodin. Sobre as questões do poder do demonio em assuntos de luxuria, o célebre demonologista francês Nicholas Remy ( 1530 – 1616), fez notar nas suas obras, que num julgamento de uma bruxa chamada Alexée Drigie em 1568, a bruxa confessou sobre os vorazes e animalescos apetites da luxuria do Diabo, sendo esse o meio através do qual o demónio estabelece pacto satânico com a mulher, possuindo-a, e assim convertendo-a numa serva do Diabo, ou uma bruxa. Da mesma formas, as bruxarias de uma bruxa passam a ser poderosos instrumentos para disseminar os pecados da luxuria e concupiscência da lascívia neste mundo. Por esse motivo, os trabalhos de magia negra como as amarrações de magia negra, são tão inebriantes, irresistíveis e imparáveis.

Jean Bodin ( 1520-96), foi um jurista e filosofo francês, autor da notória obra «De lá Demonomanie des Sorcieres» de 1580 . As obras deste demonologista veio lançar luz sobre o poder dos trabalhos de magia negra, e das amarrações. Jean Bodin foi um dos primeiros autores da falar do termo «amarrações», ás quais chamou «ligatures», através das quais as bruxas podiam constranger as pessoas espiritualmente, levando-as a – sob a influencia de castigos espirituais infligidos espiritualmente á alma da pessoa embruxada – agir de certa forma desejada pelo bruxedo . As amarrações eram chamadas de Aiguillette em França, e de Ghirlanda dele Streghe em Itália. O notório demonologista Jean Bodin observou estes bruxedos pessoalmente em 1567, vendo que havia dezenas formas diferentes de celebrar amarrações, todas elas com efeitos temíveis, infestantes e inescapáveis.

James I ( 1566 –1625) foi não apenas rei de Inglaterra, como o autor de um dos mais influentes compêndios de demonologia, um tratado sobre bruxaria intitulado «Demonologie» (1597).

Henri Boguet ( 1550-1619), foi um notório demonologista Francês que em 1602 publicou a obra «Discours Exécrable des Sorciers». Boguet observa que Satanás quando incorpora num corpo humano para se fazer manifestar neste mundo, tem o gosto de fazer vestir em roupas pretas. O preto é a sua cor preferida, um símbolo dos sinistros poderes e do seu reino de temíveis forças ocultas. Por vezes o Diabo manifesta-se numa pessoa jovem, ou até uma criança; outras vezes numa pessoa idosa; outras vezes numa mulher; mas frequentemente num homem, e por vezes um homem com algum tipo de problema físico. Algumas vezes dignas de nota, o Diabo já apareceu incorporado num padre, ou numa freira. Porem, ele também pode incorporar num animal, conforme várias vezes o faz em Sabbats Satanicos das bruxas, ou até pessoalmente e diante da bruxa por ele desejada. Mas o mais intrigante, é que o Diabo pode também fazer-se manifestar na forma da Virgem Maria, ou de um anjo de luz, ou até como o próprio Jesus. Boguet observa que já houve vários casos em que Satanás se manifestou a freiras em visões, na forma de Jesus, semi-nú como na cruz, e tentando eróticamente as freiras, algumas vezes conseguindo até insinuar-se ao ponto de lhes inspirar um irresistível desejo carnal, e nesse momento conseguir copular com elas na forma de Jesus, assim possuindo-as através desse sinistro engodo. O demonologista abre assim as portas á compreensão de um Diabo repleto de recursos, até os mais impensáveis, para conseguir chegar a quem ele deseja chegar.

William Perkins ( 1555 – 1602) foi outro notório demonologista Inglês, cuja a obra «Discourse of the Damned Art of Witchcraft» rivalizou com a obra de James I, a maior autoridade nos assuntos da bruxaria e magia negra nos inícios do século XVII. Perkins não tinha paciência para as vozes que negavam a bruxaria, e alegavam que a magia negra era uma fantasia. O demonologista não apenas comprovava solidamente a existência da magia negra e dos trabalhos de magia negra através da Bíblia, como a acrescia provas empíricas e concretas de observações feitas a casos reais e testemunhados. A sua obra «Discourse» foi publicada na Alemanha em 1610, e o seu pensamento rapidamente espalhou-se por toda a Europa.

Praticamente noventa anos depois, outros demonologistas famosos como Cotton Mather ( 1663 – 1728) de Nova Inglaterra apontavam os estudos de William Perkins como referencias incontornáveis sobre a magia negra, a bruxaria, as bruxas, e os trabalhos de magia negra. A obra de Perkins, assim como as provas documentais que reuniu, – tal como as de Cotton Mather – ainda hoje comprovam sobra a realidade da existência de bruxas, de bruxaria, de magia negra e de trabalhos de magia negra. Cotton Mather foi o autor de obras como «Wonders of the invisible world», (1693) , um livro muito influente nos círculos do oculto e da demonologia, que acabou por ter reflexos nos escritos de Joseph Glaville, mais concretamente na obra  «Saddicismus Triumphatus» de 1862.

Joseph Glaville ( 1636 – 1680), foi um filosofo e um clérigo, também autor de um compêndio sobre bruxas e bruxaria, o «Philosophical considerations about Witches and Witchcraft», de 1666.

A magia negra enquanto arte de invocação de demónios para com eles negociar as demandas que se deseja, é uma ciência perigosa. Esta arte oculta foi classificada pelos autores na Idade Media, e até em épocas subsequentes, de «magia perigosa» ou «magia demónica», uma vez que recorre de demonios e espiritos de trevas para alcançar os seus fins. O Poeta boémio Joahannes von Tepl ( 1350-1415) descreveu-a – na obra Der Ackermann un der Tod, de 1401 –  nestes termos: «com os sacrifícios e sigilos, os formidáveis espíritos são conjurados. Não surpreende por isso que estas tenham sido catalogadas como as artes proibidas»

O demonologista renascentista Girolamo Menghi (1529 – 1609), autor do Compendium of the Arts of Exorcism , a firmava que através dos trabalhos de magia negra, infinitas eram as formas que os demónios podiam assumir para se aproximar e influenciar o homem e a mulher. O demonologista aderiu á ordem dos franciscanos 1552. Foram varias as obras que escreveu, tais como Flagellum Daemonum ( 1557), Fustis Daemonun ( 1588), e o Compendium ( 1576). Nessas obras Menghi aborda as diversas formas como os demonios podem influenciar os homens e mulheres, especialmente quando são vitimas de bruxarias.

Johannes Hartlieb ( 1400-1468), que serviu o duque da Baviera em Munique, de 1456 a 1464 escreveu a obra Das Puch aller verpoten kunst – «The Book of all forbiden arts» , ou «O livro das Artes Proibidas», no qual se debruça profundamente sobre o estudo da bruxaria, da necromancia e da magia negra. Nessa obra, Hartlieb afirma que «aquele que quer praticar estas artes negras, deverá fazer variadas formas de oferendas a Satanás, jurar-lhe votos, e estar em aliança com ele». Também no século XVI, o célebre teólogo e ocultista Alemão Heinrich Cornelius Agripa ( 1486 – 1535), descreveu as artes da magia negra nestes mesmos termos.

O medico bávaro Joahannes Hartlieb, foi um dos famosos estudiosos que se dedicou a pesquisar sobre as artes proibidas da magia negra, a catalogou uma serie de grimórios. Porem, sendo o seu próprio livro – o catalogo sobre grimórios -, uma porta aberta ao conhecimento desses grimórios – normalmente mantidos ocultos e em segredo – , o dr Hartlieb debateu-se com o perigo que a sua própria obra representava, caso caísse nas mãos erradas. O dr Hartlieb deu assim valiosas referencias sobre alguns dos mais míticos e famosos grimórios de magia negra, sendo eles: Sigillum Salomonis, Clavicula Salomonis, Hierarchia, Shemhamphoras, Algumas destas obras eram atribuídas ao lendário rei Salomão.

Martin del Rio ( 1551 – 1608), um teólogo e demonologista espanhol, ingressou da ordem Jesuíta em 1580. O jesuíta del Rio foi autor da notório obra «Disquisitiones Magicae» ou «Investigações sobre a Magia», assim como do «Disquisitionum Magicaum» em 1599. Sendo um forte crente na existência de bruxas, de magia negra e de bruxaria, del Rio afirmou nas suas obras que a própria negação da bruxaria era prova da sua existência, pois os factos que ele testemunhara pessoalmente comprovavam que a magia negra e a bruxaria não eram meras ilusões, mas sim uma realidade muito concreta. Por isso, argumentava o Jesuíta que quem tentava negar uma realidade tao óbvia e repleta de provas, é porque a queria esconder essa realidade por algum motivo, e isso em sí já era prova da sua existência, uma vez que ninguém tenta esconder algo que não existe. E o célebre demonologista tinha fortes motivos para acreditar na magia negra e na bruxaria, uma vez que a presenciou e testemunhou pessoalmente, dando disso conta nas suas obras.

Nos finais do século XIV, um historiador árabe chamado Ibn Khaldun falou sobre um lendário grimório conhecido de todos os eruditos de magia negra, chamado Picatrix., avisando sobre os temíveis ensinamentos diabólicos ali contidos, e dizendo mesmo que o livro era digno apenas de padres do diabo. Sobre este grimório, assim escreveu o historiador: « aquelas são ciências que mostram como almas humanas se podem preparar para exercer influencias e mudanças neste mundo dos elementos, com ou sem a ajuda de seres ou elementos celestiais. Estas ciências foram proibidas e banidas por muitas religiões, porque podem ser altamente prejudiciais, e requerem que os seus praticantes se relacionem com seres espirituais, que não Deus[ demonios, espíritos de trevas, assombrações, aparições, almas de mortos]

O livro foi originalmente escrito em arábico entre 1047 e 1051, algures em Espanha. O rei Afonso X de Castilha, encomendou uma tradução para espanhol em 1256. Hoje em dia, calcula-se que ainda existam dezassete copias que tenham sobrevivido á voracidade dos saques, destruição e devastação da santa Inquisição. O grimório medieval Picatrix fala sobre o selo real do rei Salomão que estava inscrito do seu anel, onde estão gravados os sigilos místicos que permitem invocar e domar os espíritos de trevas. O erudito bizantino Michael Psellus, ( n. 1017), foi outro autor que fez varias menções semelhantes aos livros do rei Salomão , e dos seus saberes que permitiam invocar e controlar demonios. A influencia deste livro pode ser observada na própria obra do célebre ocultista Agrippa von Nettesheim, ( 1486 – 1535), um contemporâneo de Faustus – o notório doutor que fez o lendário pacto com o demónio –, e autor do influente «De occulta Philosophia» (1531-33)

Johannes Trithemius ( 1462 – 1516), um académico alemão e estudioso do oculto, catalogou extensivamente os textos de «Clavicula Solominis» em 1508. Trithemius também faz preciosas menções ao Liber Spirituum, ou «O Livro do Oficio dos Espíritos», um importante grimório demonológico. Johannes Trithemius foi um abade alemão, grande estudioso do oculto, e um dos autores mais influentes das ciências ocultas. Cornelius Agrippa  foi seu aluno, assim como Paracelso. Em 1508, Trithemius mencionava uma obra de nome «De Officio Spirituum», atribuída a Salomão, e deixava um profundo legado de conhecimentos do oculto.

Outro académico alemão e estudioso do oculto, Johannes Reuchlin ( 1455 – 1522), também descobriu e sistematizou vários textos cabalísticos em 1517, também atribuídos aos saberes do rei Salomão, que estavam sob o pseudónimo de Raziel.

Johann Weyer (1515 – 1588) foi um demonologista Alemão, discípulo de Cornelius Agrippa  ( 1486 – 1535), autor da obra «Pseudomonarchia Daemonum» de 1577, um famoso grimório de magia negra.

Reginald Scot. ( 1538- 1599) , foi um demonologista Inglês, autor do livro «Discoverie of Withcraft» de 1584, um livro com preciosos ensinamentos sobre conjurações de espíritos.

Já no século XIX, o célebre ocultista Francês Eliphas Levi ( 1810-75) deixou escritos de grande importância, alguns dos quais levantavam o véu sobre aspectos ocultos das bruxas, da bruxaria e da magia negra, fazendo revelações sobre um bode sabático, ou o bode de Mendes, ou Baphomet. O demonio com cabeça de bode, era o demonio das bruxas que presidia á celebração dos  Sabbat Satânicos, e era o Deus venerado pelos Templários. Na visão de Eliphas Levi, o bode representava o poder supremo do Universo, visão que os Templários também partilharam.

Estes são alguns dos mais célebres e marcantes demonologistas e teólogos da antiguidade. Nas suas obras, nos seus grimórios de magia negra, e nos relatos sobre antigos grimórios já perdidos na névoa dos tempos, reside o mais oculto saber da magia negra, e que permite a feitura dos mais fortes trabalhos de magia negra.

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