Amarrações do fascínio

Amarrações do fascínio

Um bruxedo de amarração pode lançar um fascínio sobre a pessoa embruxada. Lewis Spence ( 1874 – 1955), um notório ocultista Escocês, no seu compêndio «Encyclopaedia of the Occult» (1920), dá nota de que o fascínio era um entidade conhecida pelos Romanos, uma entidade parecida com um Deus ou Deusa. Era na verdade um númen, uma espécie de entidade e força da natureza que conduz assuntos amorosos. Os Romanos sabiam que havia vários númen, por vezes ligados a certo tipo de espaços, como por exemplo grutas, montanhas, bosques, colinas, rios, templos, etc. Cada local tem uma espécie de espírito próprio que habita nele, assim como cada sentimento pode ter uma entidade que o favorece, como é o caso do erotismo, do desejo, do amor. E as bruxas da Idade Media sendo conhecedoras das Deusas, Deuses e tradições pagãs, bem sabiam invocar estas entidades nos seus trabalhos de magia negra e amarrações.

O notório padre e ocultista Montagne Summers (1880- 1948), faz nota nos seus escritos de como por volta dos anos de 1669, as famosas bruxas suecas dirigiam-se a um local chamado Blockula, um prado que nunca ninguém conseguiu encontrar, senão elas, e onde ali realizavam Sabbat onde se celebrava culto ao Diabo, e realizavam os mais fortes trabalhos de magia negra.  Nesses trabalhos de magia negra, as bruxas faziam chamamento a demonios de Deuses pagãos, os quais respondiam aos apelos dos seus ritos, e aceitavam as demandas que lhe eram dirigidas através dos bruxedos. Dessa forma, muitas vezes se apelava a esta entidade do Fascínio, para ir assombrar uma pessoa que se desejava amarrar. E a pessoa uma vez contaminada por esta entidade, andaria a ser acossada de tentações e desejos de tal forma, que acaba sempre por cair num estado de fascínio quase hipnótico por quem a tinha mandado embruxar com uma amarração do fascínio.

No Sabbat, o Diabo é invocado, e pode fazer-se manifestar em várias formas, sendo que muitas das vezes faz-se incorporar num animal como o touro, o gato, o bode, e muitas vezes a cabra. Por isso mesmo, o termo basco para Sabbat é Akhelarre, que significa «pastagem de cabras», ou um lugar onde as cabras se reúnem. Outros dos animais associado ao Diabo na Idade Media, era o macaco. A expressão «o macaco de Deus», é um nome atribuído ao Diabo, que vem de uma tradução do Latim de Daibolus est Dei simia , da autoria do apologista cristão Tertuliano ( 155 – 220 d.C). Na verdade, na  arte medieval o Diabo aparece muitas vezes retratado como um macaco sinistro e assustador, que simbolizava Satanás. E era por vezes em formas animalescas que  Diabo se manifestava ás invocações das bruxas feitas no Sabbat, e outras vezes em forma humana, incorporando num homem através de possessão demoníaca.

Por volta dos anos de 1590, existiu uma notória bruxa em North Berwick. Tratava-se da famosa bruxa Agnes Sampson, a quem num Sabbat o demónio tinha deixado a marca do Diabo passando-lhe a língua pelo corpo, até escolher o mais íntimo local onde lhe selou a carne picando-a como um ferrão. Dai em diante, o Diabo visitava-a várias noites por semana, nas quais a bruxa se entregava luxuriosamente ao demónio, que em troca lhe desvendava os segredos ocultos da magia negra que lhe permitiam celebrar os mais fortes bruxedos. Na verdade, esta ligação carnal entre humanos e demonios, é algo que tem ocorrido desde a Antiguidade, e há disso relatos documentados. As filhas do imperador Diocleciano ( n. 244 – 311 d.C) assassinaram os seus maridos, como sentença foram colocadas á deriva no mar, acabando por dar á costa nas terras da Grã-Bretanha. Foi aí que foram tomadas por demónios, que as fizeram suas esposas. Ambas foram simultaneamente esposas de vários demónios, dando á luz diversos filhos. Dois deles, foram os irmãos Gog e Magog, dois gigantes que eram filhos das humanas com demonios. Esta história acabou retratada nas cronicas do clérigo Galês Geoffrey of Monmouth (1095 – 1155) Este episódio vem demonstrar como a relação carnal entre humanos e demónios tem existido desde o início dos tempos, e as bruxas perpetuavam essa realidade quando invocavam demónios nos seus Sabbat, ou ate mesmo nos seus ritos privados. Em troca, os demonios favoreciam as bruxas com sabedorias ocultas de magia negra, e auxiliando-as a disseminar as suas bruxarias com sucesso. Algumas dessas bruxarias eram as amarrações do fascínio, que eram amarrações que faziam uso da invocação de espíritos do fascínio, que são entidades pagãs veneradas já na Antiguidade.

Varius, Prior do convento Beneditino de St.a Sophia em Benavento, publicou um tratado intitulado De Fascinio, em 1518. Nessa obra, aponta-se que bruxas das tribos pagãs que idolatravam Deuses e demónios como os Hamaxobii, eram versadas nos segredos de invocar estes espíritos de fascínio.

Outro autor que também escreveu sobre os espíritos do Fascínio, foi John Lazarus Gutierrez na sua obra Opusculum de Fascino de 1653. Nesta obra, relata-se como um bruxo Tirolês conseguia fazer um falcão descer dos céus apenas de olhar para ele, e invocando o Fascínio. O mesmo, também se conseguia fazer com uma donzela ou mulher que se desejasse atrair. Tratava-se de um apelo de tal forma magnético, que não havia homem ou mulher, mesmo á distancia, que lhe conseguisse resistir.

Outra obra importante sobre o espírito do Fascínio, foi o Tractatus de Fascinatione de 1675, do medico John Christian Fromman, onde se regista e comprova como, através das artes da bruxaria, é possível lançar um irresistível fascínio sobre homens ou mulheres.

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