Amarrações de são Cipriano

Amarrações de são Cipriano

Em 1428, a Itália da Idade Media teve uma das suas mais famosas bruxas da época, a bruxa Matteuccia. A bruxa residia nos arredores de Perugia, perto de Umbria, no centro de Itália. A bruxa era conhecida por usar uma unção esfregada pelo seu corpo nu, que invocava irresistivelmente o Diabo. A fórmula da unção havia sido escrita há muito por uma velha bruxa, que a tinha obtido de um grimório de s. Cipriano, o bruxo (f. 258 d.C). Usando-se da unção no corpo de uma bruxa, a sua fragância atraia o Demónio de forma quase imediata, vindo ele sempre com desejo ardente de possuir a bruxa, para depois lhe conceder todos os favores que lhe fossem pedidos. Por dominar tais fórmulas de s. Cipriano que até ao Diabo seduziam, é que a bruxa ficou famosa pelas suas amarrações. A bruxa Matteuccia ficou famosa devido a um caso que se tornou célebre, quando por volta do ano de 1427, uma senhora do castelo de Prodo no distrito de Orvieto, se queixou que o seu homem ao invés de cuidar das suas necessidades e fazer amor com ela, antes lhe batia. A bruxa realizou um trabalho de magia negra através de bonecos de cera conforme os ensinamentos de s. Cipriano, e passados tempos soube-se que para grande alegria da mulher, o assunto estava resolvido, e o homem cumpria apaixonadamente com os seus deveres. A fama da bruxa Matteuccia tornou-se de tal forma célebre, que chegou aos ouvidos de são Bernardino ( 1380 – 1444), que curioso se deslocou de Sena a Todi – onde a bruxa Matteuccia residia na altura – para assistir a tais prodígios heréticos de magia negra, e assim dando-se testemunho dos seus lendários trabalhos de magia negra.

Na Itália do século XVIII existiu um famoso bruxo e ocultista de nome Giuseppe Balsamo, mais conhecido como conde Cagliostro ( 1743 – 1795), que havendo sido aprendiz de um monge conhecido como padre Albert. Porem, as tendências de Guiseppe pendiam demasiadamente para a magia negra, e por isso acabou expulso do meio monástico, indo para Palermo, e dedicando-se aos estudos do oculto. O seu nome esteve sempre envolto em alguma controvérsia, uma vez que acabou por despertar o ódio da igreja, a inveja de concorrentes e a desprezo de quem via as suas mulheres embruxadas irem entregar-se hipnotizadas aos braços de outros homens que haviam encomendado amarrações ao bruxo. Porem, o seu nome ficou inscrito na história da magia negra, e há cronicas que afirmam que não havia donzela solteira ou mulher casada que escapasse ás amarrações do bruxo. Um outro bruxo famoso mas pouco conhecido pelas suas artes de magia negra, foi Giacomo Casanova ( 1725 – 98). A historia conhece-o como um libertino, um amante insaciável, e um conquistador lendário. Porem, Casanova praticava as artes da magia negra, e com as suas amarrações assegurou os amores e paixões de quantas mulheres desejou, assim como também realizou trabalhos de magia negra para ter sorte ao jogo, coisa que conseguiu com sucesso. Jacques Collin de Plancy ( 1793 – 1881) célebre ocultista e demonologista Francês, autor do influente «Dictionnaire Infernal», um tratado de demonologia publicado em 1818, dá nota na sua obra de um encantamento para jogos, e que consta de se entoar «Partiti sunt vestimenta mea, miserunt sortem contra me ad incarte ela a filii a Eniol Liebee Braya Braguesa et Beelzebub» Porem, o encantamento deve ser acompanhado de um rito, sem o qual as palavras se tornam estéreis de efeito. Eram conhecimentos ocultos como este, que Casanova havia estudado nos seus grimórios, tendo deles retirado grandes proveitos. E por tantas fortunas ter ganho no jogo, como mulheres casadas e filhas donzelas ter seduzido á aristocracia Italiana, Casanova acabou envolto em grande controvérsia, despeito e invejas. Tanto Cagliostro como Casanova, possuíram e estudaram grimórios em Alemão, Latim, Italiano e Francês. Entre tais obras, estavam textos do célebre grimório Picatrix, assim como formulas de s. Cipriano, o bruxo.

Na França no século XVIII, existiu uma celebre bruxa de nome Dequin, que tinha uma vasta clientela burguesa e aristocrata. Por volta dos anos de 1711, cavalheiros e damas da mais alta aristocracia e burguesia procuravam a bruxa Dequin, pois os seus trabalhos de magia negra eram imbatíveis. A bruxa possuía doze grimórios ou livros malignos, que detinham conhecimentos secretos sobre as artes da magia negra, e que foram vistos por várias testemunhas, pelo que acabaram por ser descritos em certas missivas privadas, acabando a sua existência  por ficar historicamente documentada. Nesses grimórios, constavam ensinamentos de são Cipriano sobre como lançar as mais fortes amarrações. Assim, a bruxa Dequin era celebre por conseguir corromper os corações e a incendiar a luxuria de qualquer mulher que desejasse, desde a mais pura donzela, há mais resistente esposa. E o mesmo conseguia com os homens. Não havia quem resistisse ás suas amarrações.  E por tantos casos amorosos controversos que acabou por gerar com os seus espantosos resultados, também a bruxa Dequin acabou envolta nalguma controvérsia na alta sociedade francesa, tais foram os rancores que despertou naqueles que viram as suas esposas embruxadas irem entregar-se inexplicavelmente aos braços de amantes improváveis. Porem, os seus resultados eram inegáveis, e eles apresentavam efeitos visíveis até nos casos mais impossíveis.

No notório grimório Dictionnaire Infernal de 1818, o célebre ocultista e demonologista Francês Jacques Collin de Plancy, dá nota da existência de um padre que foi sacerdote em Marselha no final do século XVI, de nome Louis Jean-Baptiste Gaufridi. Por volta dos anos de 1590, o padre Gaufridi foi visitado pelo Diabo numa noite em que estava a ler um grimório de magia negra, e ofereceu-se para lhe desvendar os segredos da magia negra daquele livro diabólico, caso este renunciasse á Igreja, e passasse a venerar a Satanás. O padre ajoelhou-se ao demónio, e profanou o sacramento dos seus votos sacerdotais, jurando fidelidade e veneração ao Diabo, e ali celebrando pacto com o Diabo. Em troca, o demónio deu-lhe conhecimento sobre formulas de trabalhos de magia negra para produzir as mais fortes amarrações. Uma das amarrações que o padre satânico mais gostava de usar, permitia-lhe seduzir qualquer mulher que desejasse, simplesmente soprando no seu rosto. Foi dessa forma que o bruxo e padre tomou lascivamente todas as mulheres que desejou, fossem donzelas ou senhoras. E conforme o fez para si mesmo, também o fez para quem procurava aos seus trabalhos de magia negra. As suas amarrações eram imparáveis, e providenciavam ardentes amores e apaixonadas conquistas até nos casos mais impossíveis. O grimório que o padre Gaufridi estava a ler na noite em que o Diabo lhe apareceu, era de s. Cipriano, o bruxo. E os ensinamentos  das célebres amarrações que lhe foram desvendados, eram também de Cipriano.

A obra de são Cipriano foi também de grande importância nos meios de oculto em Portugal. No século XIX havia já uma profunda tradição ligada á bruxaria de são Cipriano em Portugal, em particular na região fronteiriça com a Galiza. Nas majestosas terras da Galiza, o livro de são Cipriano apareceu por volta de 1820, na forma do «Libro de San Cipriano». Na Galiza e nas Astúrias, o famoso bruxo era conhecido pelo «Ciprianillo», e por isso poeta galego Manuel Curros Enriquez ( 1851 – 1908), menciona s. Cipriano num poema intitulado «O Ciprianillo». Em certos veneráveis e importantes círculos ocultos Galegos, o livro de são Cipriano é por vezes referido como o «el libro de san Cidrian».  Em 1793, um padre de Albacete afirmava ter e usar em seu benefício um livro de bruxarias de são Cipriano. Em 1750, o monge beneditino Jerónimo Feijoo ( 1676 – 1764), testemunhou pessoalmente o quanto a prática da magia negra e da bruxaria de s. Cipriano estava enraizada nas belas e majestosas zonas da Galiza e das Astúrias, assim como deu nota dos prodígios que esse conhecimentos podiam desencantar e alcançar. Nesse tempo, as célebres bruxas das terras da Galiza eram famosas por, usarem dos conhecimentos de s. Cipriano, o bruxo, para alcançarem resultados espantosos com as suas amarrações amorosas, ás quais não haviam nem homem, nem mulher que lhes conseguisse escapar. Todos acabavam por se entregar ardentemente apaixonados, e arrebatadamente enamorados.

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