Amarrações de são Cipriano

Amarrações de são Cipriano

Altar de são Cipriano, o verdadeiro e original altar de s. Cipriano

No célebre grimório Demonolatreiae, publicado em 1595, do notório demonologista Francês Nicolas Remy( 1530 – 1612), é mencionado como por se um costume tocar os sinos das igrejas para chamar os crentes á oração, então o Diabo indigna-se com o som dos sinos. Porem, usando-se de um sino sem badalo, os demónios escutam o seu chamamento com grande nitidez, e esse é um meio de os chamar para atenderem a um Sabbat de bruxas, ou a um ritual de magia negra. Ensinava por isso o demonologista que por cada remédio que a Igreja dispõem, o Diabo tem o seu contra remédio. E por isso, conforme a liturgia da Igreja pode influenciar a vida das pessoas, também as liturgias de magia negra podem causar os mais fortes efeitos na vida dessas mesmas pessoas. E alguns desses efeitos podem fazer uma pessoa ter um comportamento na missa de Domingo, e porem saindo da alçada daquele solo sagrado, mudar completamente de ideias e sentimentos, de uma forma que nem a própria pessoa consegue explicar, tudo por obra da magia negra. E s. Cipriano, o bruxo (f. 258 d.C), era mestre nesse tipo de segredos, e dominava as artes da magia negra que faziam homens e mulheres mudarem de coração, e amarem-se.

No capitulo I do Livro III do célebre grimório Demonology (1597) do Rei James I de Inglaterra ( 1566 –1625), da-se nota de como o demónio pode assombrar e influenciar corpos e mentes dos humanos, contaminando-os de magia negra a um ponto em que as pessoas são levadas a fazer coisas, até mesmo sem terem consciência daquilo que fizeram. Porque isso é verdade, assim se compreende como um homem embruxado por uma amarração, muda inexplicavelmente de comportamento, e da noite para o dia muda de sentimentos, ou de acções, e nem ele mesmo sabe o motivo, nem se consegue explicar. E porem, a verdade é que fez e disse coisas completamente inesperadas, e mudou da água para o vinho.

Já no capitulo IV do «compendium maleficarum» , ou o «Compêndio das Bruxas» de 1608, do padre Italiano Francesco-Maria Guazo (n. 1570)  , são descritas as varias formas como as bruxas podem atar os nós dos seus bruxedos, de forma a mudar os comportamentos amorosos do homem, ou da mulher.

Esses trabalhos de magia negra onde as bruxas atam nós, foram mencionados por Jean Bodin (1520-96),  um jurista e filosofo francês, autor da notória obra «De lá Demonomanie des Sorcieres» , publicada em Paris, no ano de 1580 . As obras deste celebre demonologista descreveram as suas observações pessoais sobre casos verídicos de bruxas, de bruxaria, de magia negra e de trabalhos de magia negra. Algumas das mais famosas bruxarias de magia negra, eram as amarrações, sendo que na Idade Media as amarrações tinham o nome de «Ligatures», ou «ligaduras», ou «nós das bruxas», ou «escadas das bruxas». E muitas dessas amarrações eram feitas com recurso a ensinamentos de Cipriano, o bruxo (f. 258 d.C), que deixou um precioso e oculto legado de sabedorias, que é um tesouro de magia negra. E muitas das vezes, de tão fortes e infalíveis que esses ensinamentos de s. Cipriano são, eles foram transmitidos a bruxos através de demónios, que lhes entregavam manuscritos, rolos ou papiros com tais tesouros de sabedoria oculta e magia negra. Um dos casos mais lendários sobre a forma com os escritos de são Cipriano são entregues por demónios a bruxos, encontra-se documentado num grimório Espanhol do século XIX, onde se relata como no ano 1001 d.C um monge Alemão de nome Jonas Sufurino, bibliotecário do mosteiro de Brooken, invocou o Diabo no topo de uma montanha, e recebeu uma cópia do grimório de magia negra de são Cipriano como recompensa.

Por volta dos anos de 1499, a bela e notória bruxa Bernardina Stadera tinha alcançado grande fama com os seus trabalhos de magia negra. A bruxa era amante de um padre que havia seduzido, e entregava-se-lhe lascivamente em profanas luxurias no altar da igreja, enquanto proferindo blasfémias no calor da obscena carnalidade, assim consumando grande heresia para deleite e regozijo do Diabo, cujos demónios depois respondiam a todos os chamamentos da bruxa. O padre também já tinha sido seduzido pelas artes da magia negra, e celebrado pacto com o Diabo. Tinha do demónio recebido um manuscrito onde constavam ensinamentos de Cipriano, o bruxo (f. 258 d.C). A bruxa Bernardina usava desse manuscrito para fazer as mais poderosas amarrações. Ensinava o manuscrito como fazer imagens de cera que tinham de ser baptizadas por um padre com o nome da pessoa que se desejava embruxar, pois que fazendo-o então o boneco e a pessoa ficavam espiritualmente ligados um ao outro. Com esses bonecos, e usando de encantamentos de magia negra ensinados por s. Cipriano naquele manuscrito, a bruxa fazia as pessoas amarem-se, e com isso ganhou uma fama lendária.

Na Londres do século XV, houve uma notória bruxa de nome Elena Dalok, que por volta dos anos de 1493 possuía um grimório de magia negra com ensinamentos de são Cipriano, o bruxo. Tantos trabalhos de magia fez com espantosos sucessos, que acabou por atrair as atenções da Igreja. De nada lhes serviu tentar queimar-lhe o grimório, porque o livro de Cipriano, o bruxo, reaparecia sempre nas mãos da bruxa.

Por volta dos anos de 1370, uma outra bruxa e amante de um monge Francês também teve acesso a um grimório de s. Cipriano. A bruxa subia uma colina, onde a dada altura se despia, e desaparecia numa gruta. Na gruta, a bruxa encontrava-se com um demónio a quem invocava, e seguindo os ensinamentos que s. Cipriano tinha legado no grimório, a bruxa fazia homem amar mulher, ou mulher enamorar-se de homem, conforme a solicitação de quem lhe tivesse encomendado o bruxedo de amarração. E as pessoas embruxadas, acabavam sempre arrebatadoramente seduzidas e irresistivelmente enamoradas de quem as tinha mandado amarrar através da bruxa. As suas amarrações eram infalíveis, graças aos ensinamentos de Cipriano, o bruxo.

Por estes trabalhos de magia negra serem tão poderosos e gerarem efeitos verídicos, o caso acabou por chegar aos ouvidos das autoridades eclesiásticas. Em 1277, o bispo de Paris acabaria por emitir uma condenação contra todos os «livros, rolos ou folhetos» contendo ensinamentos de magia negra. Não lhe valeu de nada, pois por muito que queimassem os livros de são Cipriano, havia sempre um demónio que acabava por fazer uma copia aparecer misteriosamente á porta de um bruxo, ou na prateleira de uma bruxa, tal como sucedeu como famoso monge germânico Jonas Sufurino. E assim a obra de Cipriano, o bruxo, tem perdurado até aos dias de hoje.

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