Trabalhos de magia negra com necromancia

Trabalhos de magia negra com necromancia

No «compendium maleficarum» , ou o «O COMPÊNDIO DAS BRUXAS» de 1608, do padre Italiano Francesco-Maria Guazo (n. 1570)  , são descritas as varias finalidades para que uma bruxaria podia servir, assim como os seus poderosos  efeitos. O padre observou pessoalmente casos de bruxaria, de magia negra e possessões demónicas, tendo sido testemunha dos poderosos efeitos da magia negra. No compendio das bruxas, assim podemos ler que «desda a antiguidade e ainda hoje em dia, é costume as bruxas desenterrarem cadáveres humanos para usa-los nas mais terrificas bruxarias, especialmente usando dos corpos daqueles que foram punidos de morte ou enforcados. Não apenas por esses materiais horríveis elas renovam as suas bruxarias malignas, como também aproveitam os instrumentos usados nas execuções desses homens, como cordas, correntes, estacas e ferramentas de ferros. De facto, é crença popular que que existe poder e virtude de magia negra nesses objectos. Por vezes as bruxas cozem pedaços daqueles corpos, para depois os secar, reduzir a cinzas, e misturarem com outras substâncias nos seus trabalhos de magia negra».

Já o autor Romano Plínio ( 23 – 79 aC), na sua obra Historia Naturalis, descreve tais pavorosos procedimentos ocultos.

Na França do século XVI, na localidade de Douzy, havia uma bruxa de nome Lolla. A bruxa Lolla era conhecida por fazer fortes trabalhos de magia negra através do uso de partes de corpos humanos. Uma outra bruxa de nome Anna Ruffa ajudava-a nesses trabalhos de magia negra, que se tornaram famosos por volta dos anos de 1586. Esses eram chamados trabalhos de magia negra com necromancia, ou seja, bruxarias feitas em cemitério ou com recurso a pedaços de defuntos, e que são reconhecidos por serem dos mais poderosos e temíveis trabalhos de magia negra que se podem lançar sobre uma criatura viva.

Na Alemanha do século XVI, houve uma famosa bruxa, a bruxa de Wilferdingen, uma localidade situada perto do rio Pfinz que tem origem na floresta negra, uma floresta lendária e conhecida pelas suas ligações a bruxas, demónios e fenómenos sobrenaturais. A bruxa chamava-se Agatina, e sabe-se que usava dos restos de gravidez interrompida, e por vezes de recém nascidos prematuramente falecidos, para gerar temíveis trabalhos de magia negra. Havia uma colina íngreme chamada «La Grise», onde os restos desses corpos que não tinham conhecido os sacramentos do baptismo eram colocados numa pura ardente, sendo as cinzas calcinadas usadas para produzir um de magia negra. Era conhecido o poder dessa bruxaria, pois que um homem de nome Johann Muller, depois de ter sido alvo de um tal trabalho de magia negra, viu a morte de filhos suceder-lhe na família, assim como a sua lavoura apodreceu e deixou de dar qualquer fruto.

Também a  bruxa Lolla e a bruxa Anna costumavam usar de partes de defuntos sepultados recentemente, depois reduzindo essas partes a cinzas, que eram ulteriormente empregues em poções magicas. A bruxa Briceia de Vorpach, ficou conhecida por também usar destas técnicas de necromantes. Por volta dos anos de 1587 reduziu os restos de uma criança falecida sem antes ter recebido o sacramento do baptismo, o que segundo a Igreja a torna numa alma penada a vaguear no mundo, sem hipótese de admissão no reino de Deus. Essas são as almas que se procuram invocar nos mais fortes trabalhos de magia negra, pois são aquelas que causam os mais impiedosos surtos de assombrações e aparições nas vítimas de bruxedos. Os ossos foram reduzidos a cinzas, que foram depois usadas na feitura de um magico. Uma vez espalhado esse pó magico em torno na casa de um certo proprietário rural a quem as bruxas foram procuradas para embruxar, o homem começou a enfraquecer inexplicavelmente, assim como as suas árvores de fruto tornaram-se estéreis. O caso ficou famoso, e foi registado historicamente pelo filosofo, dramaturgo, matemático e cosmologista Giovanni Battista Porta ( 1535 – 1615).  Na localidade de Guermingen, em 1588, haviam duas bruxas de nome Nichel Gross e Beschess, ambas conhecidas por uma temível reputação de lançarem poderosos trabalhos de magia negra. Alguns dos seus mais famosos trabalhos foram celebrados no cemitério daquela localidade. As bruxas obtinham partes de certos defuntos que lhes interessavam para fins de magia negra, especialmente a mão cortada de um morto. Depois queimavam-na num fogo que tinha propriedades sulfurosas. O fogo atraia aos demónios com irresistível chamamento, e consumia-se á base de enxofre, emitindo uma luz diabólica. Quando das bruxas desejavam embruxar alguém, elas acendiam os dedos da mão do defunto, que ardiam numa chama azul e sulfurosa, enquanto elas entoavam encantamentos de magia negra. Estando o encantamento dito, a chama extinguia-se imediatamente, e porem os dedos da mão do morto permaneciam ilesos, inteiros e intocados, como se nunca tivessem sito queimados, e isto repetia-se sempre que as bruxas desejavam. Era um fogo que ardia consumir aquilo em que tocava, tal como o célebre fogo bíblico descrito no capítulo III do Livro de Êxodo, no qual Moisés viu um fogo arder numa sarça, sem porem consumir a mesma, quando um anjo de Deus lhe apareceu. Porem, neste caso das bruxas Nichel Gross e Beschess, o fogo por elas produzida tinha uma origem diferente, pois embora sendo manifestação de um anjo, porem tratava-se de um anjo-caído, ou seja, de um demónio. E a verdade é que a vítima a quem um bruxedo era dirigido através deste meio necromântico, com a mão de um morto… era uma vítima a quem a bruxaria contaminava certeira e infalivelmente. Não havia quem escapasse ao horror das infestações e assombrações que estes trabalhos de magia causavam.

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