Amarrações da sedução

Amarrações da sedução

Nicolas Remy( 1530 – 1612), foi um demonologista Francês que presenciou pessoalmente vários casos verídicos de bruxas, bruxaria e trabalhos de magia negra.  Com as conclusões que retirou das suas experiências e observações, Nicolas Remy escreveu a obra «Demonolatreiae», publicado em 1595. Nicolas Remy faz nota na sua obra de uma bruxa de nome Nicole Moréle, que existiu por volta dos anos de 1587. A bruxa recebia do demónio pós mágicos, os quais usava em bruxedos de todos os tipos, fosse para retribuição do mal e vinganças, fosse assuntos amorosos e até matrimoniais. Quando se tratavam de amarrações da sedução, a bruxa polvilhava o chao onde a pessoa ia pisar com um branco. Uma vez tendo pisado aquele branco, a bruxa Nicole entoava um encantamento em Latim, e a pessoa acabava por se apaixonar arrebatadamente por quem a tinha mandado amarrar. A sedução era irresistível, e os efeitos espantosos.

Na sua obra Demonolatreiae , o demonologista Remy faz nota do uso de pós mágicos pelas bruxas, sendo ali descrito que alguns destes pós são extremamente eficazes, bastando apenas um pequeno contacto na pele da vitima para a infectar de bruxaria. Porem, não havendo oportunidade de tocar a vítima directamente, o de bruxaria é igualmente eficaz sendo aplicado um boneco ou imagem representativa da vítima, e que antes haja sido baptizada em nome do Diabo, com o nome da criatura que se deseja embruxar. Assim cria-se um elo espiritual entre a figura e a pessoa, e tudo aquilo que suceder num, sucederá no outro. Assim, a aplicação do na figura contagiará a pessoa, infectando-a de bruxedo como se ela tivesse sido tocada em carne-e-osso pelo de magia negra. Diz o grimório Demonolatreiae que o Diabo uma vez recrutando uma bruxa, «não demora tempo a fornecer-lhe instrumentos e instrução na pratica da magia negra». Mais diz o notório grimório, que  «para que o negócio das bruxas não se atrase com os seus clientes, o demónio fornece um fino, que infalivelmente atrai enfermidades e moléstias a todo aquele que for vitima de um bruxedo» Afirma o grimório Demonolatreiae que há três pós mágicos que o Diabo oferece á bruxa: o que causa a morte é preto, e o que causa doenças e enfermidades é cinzento. Porem, a bruxa também recebe um branco, que permite curar todos os males causados pela magia negra, assim como concede grandes prodígios nos assuntos do amor. Os vários pós mágicos tem diferentes propriedades e finalidades, que são distinguíveis pela sua cor. Explica o grimório duas noções importantes sobre o de magia negra: primeiro, que o efeitos causados pelo não se devem ás propriedades químicas nem físicas das substancias que compõem o , mas sim ao Diabo. Diz o Demonolatreiae  que «A potencia do não deve os seus efeitos ás propriedades do , mas sim ao Diabo», ou seja, e citando o notório demonologista Remy «os pós devem a sua potencia ao demónio, e não a propriedades próprias», significando isto que, o segredo do não reside na formula química do , mas sim no acordo ou no pacto que existe espiritualmente entre a bruxa e o demónio, e que concede uma propriedade espiritual ao .  Dai, que o grimório explique depois o segundo aspecto dos pós de magia negra, ou seja, as suas diferentes cores. As cores dos pós de magia negra não estão relacionadas com as suas propriedades físicas, mas antes servem para sinalizar a finalidade a que estes se destinam, conforme foi pelo Diabo acordado com a bruxa. È no fundo um sinal visível do pacto entre a bruxa e o Diabo, e que se materializa gerando certos efeitos neste mundo. Mais que isso, é também um sinal de fé da bruxa, que sabendo que aquele é inócuo sem a acção do Diabo, porem entrega o assunto ao pó magico conforme o demónio lhe ensinou, plenamente crente que através dele o Diabo vá operar os seus desígnios. E com esta prova de fé, o demónio agrada-se, e age.

No célebre grimório Demonology (1597) do Rei James I de Inglaterra (1566 –1625), dá-se nota de como por volta dos anos de 1591, as célebres bruxas de North Berwick usavam de um pó magico que tinha efeitos milagrosos a ajudar em partos. Porem, também usavam de outros pós que eram feitos a partir de pedaços de defuntos falecidos sem haverem sido baptizados, e esses pós eram espantosos quando aplicados em amarrações da sedução. Nessas amarrações, a pessoa amarrada acabava sempre encantada e enamorada por quem a tinha mandado embruxar. Sempre. Eram amarrações lendárias.

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