Magia negra e mau-olhado ou olho-gordo

Magia negra e mau-olhado ou olho-gordo

O caso das bruxas de Exeter ficou famoso, e ocorreu em  1682. Tratavam-se de 3 bruxas: Temperence Lloyd, Susanna Edwards e Mary Trembls. Temperence era a rainha da colmeia de bruxas, sendo que Susanna Edwards sempre afirmou ter sido recrutada pelo Diabo, que lhe apareceu na forma de um bem-parecido cavalheiro aristocrata vestido de negro, e Mary Trembls foi convidada por Edwards a juntar-se ao grupo de bruxas. Foi varias vezes afirmado por Edwards que o  demónio visitava as bruxas nocturamente com frequência, sempre aparecendo discretamente na forma de um gato preto no qual incorporava, para depois possuir as bruxas, através delas celebrando o pecado da lascívia, e insinuando-se nelas de forma a leva-las á pratica da magia negra. As três bruxas eram temidas, pois tinham a capacidade de lançar mau-olhado ou olho-gordo a qualquer pessoa ou coisa que desejassem, assim causando uma temível ruína a quem desejassem, fosse a um casamento, fosse a uma família, fosse a um negocio, fosse a um animal, fosse á prosperidade ou até á saúde de quem quisessem. Assim era de tal forma temida esta capacidade de magia negra, que dezenas e dezenas de pessoas após testemunharem o definhar de vidas, pessoas e animais, acabaram por se insurgir, causando-se assim uma revolta popular.

Embruxar uma pessoa ou um animal através do olhar, era uma prática temida na idade-media, como ainda é hoje em dia. Tal tipo de magia negra era temida. Também conhecidos pelos termos de «fascinação», ou «deslumbramento», essa pratica de magia negra era dominada por certas bruxas, e podia ser usada tanto para fazer alguém enamorar-se de outrem – no caso das amarrações – como para lançar uma terrível maldição sobre uma pessoa, ou um local, ou um objecto, ou uma propriedade, ou até animais – no caso das vinganças – . A celebre bruxa Bridget Bishop de Salem ( 1632-1692), ficou conhecida por dominar estas artes negras com grande eficácia. O demonologista Inglês do século XVI, Willian Perkins ( 1558- 1602), estudou e descreveu este fenómeno de magia negra. Afirmava o teólogo e demonologista que certas bruxas que fizeram pacto com o demónio, que tem a sua aura completamente negra, e que carregam dentro de sí as trevas do demónio,  conseguem simplesmente olhando algo ou alguém, infestar o ar, infestar as pessoas e contagiar os objectos com espíritos malignos, tal é a negra força do maligno que carregam dentro de sí. Por isso mesmo, ele avisava para se ter cuidado com as pessoas que olham fixamente alguém, ou que lhe que lançam relances de olhar. Estes vislumbres, sendo eles rápidos e passageiros, ou demasiadamente longos e de olhar fixado, devem ser evitados quando se suspeita da presença de um bruxo ou bruxa. Um bruxo que cobice uma mulher fixamente com os olhos, tenderá a conseguir possui-la, e caso isso não suceda, então mulher acabará sofrendo males e padecimentos – por vezes nela, ou então em pessoas á sua volta – , sem a mulher sequer saber porque motivo tal lhe sucede. O mesmo sucede a um homem a quem as atenções de uma bruxa sejam chamadas, e lhe seja lançado um desses olhares fixos.

Animais e coisas mecânicas são também vítimas fáceis deste tipo de bruxedo, assim como negócios, estabelecimentos comerciais, etc. Desde sempre que se procuraram a bruxas que lançassem este tipo de malefício, quando se queria fazer mal a outrem, ou quando se queria arruinar um casamento, ou atingir uma família, ou arruinar os negócios de outrem, ou quando se procura vingança contra alguém. Um dos remédios usados na antiguidade para impedir o mau-olhado ou olho-gordo, eram os ovos. Na Grécia, a mãe segurando o seu bebé no colo, passava-lhe um ovo pela face, entoando ao mesmo tempo um encantamento que retirava o mau-olhado do bebé, transmitindo-o para o interior do ovo, que depois tinha de ser destruído. Muitas das vezes verificava-se que o ovo rapidamente apodrecia, ou ficava com sangue por dentro, ou cheirava a enxofre. Porem, o contrario também era verdade, e ovos também eram usados para lançar maldiçoes de olho gordo ou mau olhado.

Um dos mais notórios casos do poder de um mau olhado ou olho gordo ocorreu com a bruxa Anne Izzard. Anne Izzard, foi uma notória bruxa que viveu na vila de Great Paxton, Inglaterra, em 1808. Anne Izzard tinha uma reconhecida reputação de bruxa por todos conhecida, e por todos temida. Havia pessoas de todos as localidades de Inglaterra a procurar pelos seus préstimos de bruxa, e os seus trabalhos de magia negra eram famosos. Na localidade todos temiam os vislumbres do seu olhar, pois no passado houvera quem tivesse tentado ferir a bruxa, havendo-lhe marcado o rosto com várias cicatrizes. A bruxa em jovem era uma bonita mulher, que atraiu as atenções de alguns homens, assim como os ciúmes de muitas outras mulheres. Tudo isso resultou num ataque que deixou marcas impagáveis na face da bela jovem bruxa. Porem, a verdade é que havendo recuperado das agressões, a bruxa ao andar pela rua olhou fixamente as duas  raparigas que instigaram o ataque, lançando-lhes um forte mau olhado. Passadas semanas, ambas as raparigas faleceram inesperadamente, uma por um acidente inexplicável junto de um rio, e outra de doença súbita. Havendo assim sucedido a bruxa ainda viveu em paz naquela localidade, até que anos depois se mudou para St. Neots onde continuou a pratica das suas artes de magia negra até ao fim dos seus dias. Porem, a população de Great Paxton nunca mais se esqueceu da bruxa, que se tornou lendária. Os seus trabalhos de magia negra lançados através do seu mau-olhado, eram famosos, temíveis e certeiros.

Outro dos casos historicamente conhecidos desse tipo de bruxedo ocorreu em 1583, quando uma bruxa conhecida por mãe Gabley da localidade de Lynn – Inglaterra  , usou de um bruxedo feito com ovos. Tendo cozido os ovos em água fria, Gabley mexeu os ovos olhando-os intensamente e fixamente com a intenção de causar danos a um certo navio que tinha zarpado a caminho de Espanha. A verdade é que ao mesmo tempo uma furiosa tempestade atingiu o navio, e os 13 navegadores da sua tripulação perderam-se para sempre no naufrágio da embarcação.  A bruxa foi condenada conforme a lei de 1563 contra Conjurações de Magia Negra, a lei da rainha Elisabete I, «Norfolk Act against conjurations, enchantments and witchcraft», mas os seus trabalhos de magia negra baseados em mau-olhado tornaram-se lendários.

Na idade media, quando o gado começava inexplicavelmente a adoecer, enfraquecer e debilitar-se até morrer, era costume queimar-se a carcaça de um dos animais embruxados e depois aspergi-lo com água benta, por forma a devolver o bruxedo á bruxa, ou pelo menos faze-la sofrer. Um dos casos mais famosos de alguém que se sabia ser capaz de lançar forte mau olhado sobre outrem, foi o do rei de Espanha Alfonso XIII ( 1886-1941), sobre quem havia rumores que era capaz de arruinar a boa sorte e fortuna dos seus inimigos, simplesmente por olhar fixamente para eles.

Uma das formas que combater o mau olhado na Antiguidade, vinha do episódio de Medusa, que confrontada com o seu próprio olhar num escudo reflector chamado o «Escudo de Atenas», acabou por se petrificar a si mesma, sendo depois decapitada. Como tal, vários pequenos escudos começaram a ser produzidos á imagem do Escudo de Atenas, a fim de reflectir o mau olhado, não como forma de eliminar o mal, mas sim de o retribuir e devolver á sua origem. Um grande numero de escudos e protectores contra mau olhado, foi estudado pelo notório relicário e antiquário do século XVI de nome Guido Panciroli ( 1523 – 1599), assim como faz aparição da obra Notitia Dignitatum, em publicação de 1608.

Jacques Collin de Plancy ( 1793 – 1881) célebre ocultista e demonologista Francês, autor do influente «Dictionnaire Infernal», um tratado de demonologia publicado em 1818, dá nota na sua obra que os males acusados por uma bruxaria não podem ser desfeitos senão pelo próprio bruxo que a fez. O mesmo se passa com o mal gerado pelo mau olhado, que só pode ser desfiado por quem o teceu e desejou. Porem, afirma Plancy que embora os bruxedos não possam ser desfeitos senão pelo bruxo que os fez, contudo eles podem ser retirados de onde se foram instalar. E a forma que os bruxos tem de o fazer, é transferir o mal para outra coisa.

Quando o Rei James I de Inglaterra ( 1566 –1625), autor do célebre grimório Demonology (1597) esteve gravemente embruxado, foram levados á sua presença bruxos que lhe transferiram o mal infestado no seu corpo, para um porco, á semelhança daquilo que Jesus fez com um homem vitima de possessão demoníaca.

Também Catarina de Medici, a mulher mais poderosa de França, realizou uma bruxaria de magia negra celebrada numa Missa Negra para salvar a vida do seu filho quando ainda em criança, quando todos os médicos davam o caso por perdido. A Missa Negra resultou, e o mal foi transferido do filho para um animal, e pela força da bruxaria o seu filho viveu para se tornar rei de França, o notório Henrique III ( 1551-89), que foi monarca de 1574 a 1589.

Por volta dos anos de 1390, existiu uma célebre bruxa em Franca de nome Jehan Ruilly, popularmente conhecida como La Cordiére. A  bonita bruxa de trinta e quatro anos era conhecida por fazer vários trabalhos de magia, muitos deles para livrar pessoas de enfermidades que tinham sido causadas por bruxedos, invejas e até mau olhado.  Uma dessas pessoas, foi um homem de nome Ruilly, a quem lhe tinha sido dada uma semana de vida. A bruxa Jehane fez-lhe um boneco de cera misturada com cabelos seus, ao qual proferiu um encantamento. Depois, colocou-lhe um sapo no peito, e transferiu o seu padecimento para o sapo, que explodiu sem motivo aparente. Passados alguns dias, e para grande espanto dos médicos, Ruilly tinha melhorado, e estava a andar pelas suas pernas. Este caso tornou-se famoso na época.

Muitas bruxas eram conhecidas pelos seus bruxedos de transferência. Através deles, a bruxas retiravam um mal a uma pessoa, transferindo-o para um animal, á imagem do que Jesus fez quando transferiu os demónios de um homem possesso para uma vara de porcos. Quando não transferiam o mal para um animal, podiam fazê-lo para um receptáculo como uma garrafa ou um frasco, a que se chamavam as famosas garrafas de bruxas. Este tipo de bruxedo de magia branca era especialmente útil em casos de pessoas contaminadas por magia negra, ou por fortes invejas, ou até por severo mau olhado.

Porem, alguns grimórios afirmam que todo o bruxo ao fazer uma transferência, é obrigado a transferir o mal para algo mais importante que o possuidor desse mal; caso contrário, o mal voltará. Porem, todos os grimórios de magia negra são unânimes em afirmar que o bruxo nunca pode desfazer nem transferir o mal se estiver forçado, ou sob cativeiro. Para remover uma maldição, o bruxo deve estar completamente livre, e fazê-lo de livre vontade. A magia é liberdade, logo retirar a liberdade ao bruxo, é como amarrar a asas um pássaro: nem a magia funcionará, nem o pássaro voará.

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