Missa negra, o que é a missa negra

Missa Negra, o que é a missa negra

A missa negra é muito mais que uma heresia á missa dominical, á Eucaristia e á sua sagrada liturgia. Na verdade, a missa negra já existe desde os primórdios da história do cristianismo, e remonta aos inícios da própria fundação da Igreja.

A Missa Negra, assim como os Sabbats Satânicos das bruxas, são os mais poderosos meios de invocação de espíritos de trevas e demónios, e são por isso fonte da mais poderosa magia negra, e dos mais fortes trabalhos de magia negra.  Tanto os Sabbats Satânicos das bruxas,  como as Missas Negras, são dois dos ritos mais importantes da magia negra e do Satanismo.

Sabe-se de certos grimórios, que em certas tradições de magia negra e Satanismo, numa Missa Negra, o anfitrião da cerimonia assume normalmente o nome de WHITE JOHN.

 

Origens da Missa Negra

No século sétimo, a Igreja através do concilio de Toledo presidido por Santo Isidoro de Sevilha, condenou a pratica de um rito sombrio, misterioso e enigmático chamado de «A Missa dos Mortos».Esta missa invocava almas de mortos, assombrações, aparições, e podia ser usada para todas as finalidades da magia negra, inclusive para causar a morte de alguém por meios sobrenaturais. Esse tipo de missa praticada por alguns sacerdotes começou a ganhar tanta fama, quanto a inspirar temor, pois que muitas pessoas começaram a adoecer e falecer na sequência da celebração de tais missas. Por esse motivo, a Igreja proibiu a celebração de tais liturgias.

Séculos depois, em Gasconi – na França – , padres celebravam as missas de santo Secário. Apenas um pequeno numero de padres celebra este tipo de missa, pois o pecado é tal, e o seu poder é tão temido, que nenhum Bispo nem Arcebispo pode conceder perdão ao acto de feitura desta liturgia negra: apenas o próprio Papa tem autoridade e poder para o fazer. Estas missas eram celebradas em Igrejas abandonadas ou em ruínas de santuários. A missa era celebrada sobre o altar desconsagrado ou profanado da igreja em ruínas, normalmente aspergindo sobre ele sangue de sapo, ou de morcego, ou de serpente. Às onze da noite o padre começava a orar a missa inversamente ao que é suposto ela ser lida, terminando essa leitura á meia-noite em ponto. Nessa missa é usada uma Hóstia invertida, e ao invés de vinho é bebida a água de um poço onde faleceu uma alma que não foi baptizada. O padre faz o sinal da cruz, porem o sinal está invertido, e é feito não com a mão, mas sim com o pé esquerdo, e não chão. Dizia-se que a vitima de uma missas destas adoecia inesperadamente, e começava a definhar lentamente sem qualquer explicação, até sucumbir.

As Missas Negras ao longo da historia

Já em 1580, uma celebre missa negra foi mandada celebrar por Catarina di Medici, a mulher mais poderosa de França. Os factos são descritos na obra «De lá Demonomanie de les Sorciers» de Jean Bodin. A missa negra foi celebrada para a saúde do filho da rainha de França.

Henrique III ( 1551-89), foi rei de França de 1574 a 1589. Era o filho de Catarina de Medici, a mulher mais poderosa de França, e que celebrou uma Missa Negra para salvar a vida do seu filho ainda em criança, quando todos os médicos davam o caso por perdido. A Missa Negra resultou, e o seu filho viveu para se tornar rei de França. Henrique III, tendo sido criado pela sua mãe dentro dos ensinamentos das velhas religiões pagãs, e tendo desde a sua juventude visto a mãe praticar bruxaria,  tornou-se um bruxo conhecedor dos segredos e antigas sabedorias da magia negra. Embora socialmente e por exigência do seu cargo real, Henrique III se apresentasse como cristão, porem sabia-se que na sua privacidade o rei era um bruxo. O rei mantinha consigo um círculo próximo de doze pessoas, que se sabia constituírem a sua colmeia de bruxos e bruxas. O rei venerava os velhos deuses pagãos num altar de bruxo, onde se encontrava a imagem de dois sátiros. Os Sátiros na religião grega da antiguidade, eram espíritos masculinos que podiam assumir a forma de um cavalo ou um bode, e nas suas representações apresentavam tanto enormes cornos, como vigorosos e viris falos erectos. O rei tinha duas estátuas de Sátiros de costas voltadas para uma cruz cristã, representando o culto satânico nas suas origens mais nobres. Henrique III, tal como a sua mãe, também celebrou missas negras, todas elas com reconhecidos resultados. Uma delas foi celebrada quando o próprio Henrique III foi vítima de uma bruxaria de magia negra lançada pelo Duque de Guise ( 1519-1563) que usou de uma imagem do rei para o amaldiçoar. A verdade é que após o bruxedo ter sido feito, o rei começou a envelhecer inexplicavelmente diante dos olhos surpreendidos de todos que o rodeavam. O seu envelhecimento prematuro erra impressionante, atendendo á sua jovem idade. O rei retribuiu da mesma forma, celebrando uma missa negra. A verdade é que uma vez tendo sido celebrada tal missa negra, o duque acabaria logo depois por falecer ás mãos de uma amante, que contam os testemunhos existentes, parecia ter sido subitamente vitima de uma violenta possessão demoníaca que a dominou. As missas negras de Henrique III e da sua mãe Catarina de Medici tornaram-se lendárias.

Anne Boleyn (1507-1536) foi uma rainha inglesa que casou com o rei Henrique VIII em 1553. O casamento deu-se em privado e secretamente, enquanto que ainda estavam em curso as negociações para a dissolução do anterior casamento do rei com a Catarina de Aragão, através da qual se havia celebrado uma aliança com o reino de Espanha. Anne Boleyn foi secretamente uma bruxa, e celebrou um rito de amarração ao rei Henrique VIII, conseguindo assim aquilo que parecia impossível, que foi suceder como rainha de Inglaterra a um casamento que era quase impossível de dissolver. A igreja de Roma e o Papa opunham-se fortemente á dissolução do matrimonio real, pelo que há rumores que a bruxa se terá virado para os poderes opostos aos da Igreja de Roma, e terá celebrado uma Missa Negra para desposar do rei não pela lei de Deus, mas sim pela lei da magia negra e do Diabo, coisa que conseguiu com sucesso.

Em 1594, Francesco-Maria Guazzo documentou o testemunho de uma bruxa que participou uma missa negra. A Missa era celebrada por um sacerdote vestido de negro. Na altura da comunhão apresentava-se uma hóstia negra, e erguia-se o cálice que continha não vinho mas sim água, e os participantes entoavam: «Mestre, ajuda-nos; Senhor, acode-nos. Beelzebub. Beelzebub. Beelzebub.» A cerimónia ocorreu na véspera de St. John numa missa campal nocturna, com 66 pessoas presentes. O sacerdote celebrante usava um longo manto preto com uma cruz de Cristo invertida, e seus assistentes acólitos eram duas mulheres nuas, ao passo que hóstias de igreja eram profanadas em altar de Deus.

Em Agosto de 1629, o chanceler do Bispo de Wurzburg na Alemanha, escrevia numa missiva pessoal escrita a um amigo, que havia testemunhado eventos satânicos na comunidade de Frau-Rengburg. Ali haviam sido celebradas várias missas negras, onde o Diabo se havia manifestado pessoalmente através de possessão demoníaca de um padre satânico, administrando á sua congregação de bruxas uma liturgia profana na qual rodelas de nabos eram servidos ao invés de hóstias sagradas, e varias obscenidades lascivas eram praticadas diante de um altar de Igreja. Nessas missas várias bruxas iniciadas eram baptizadas, pedindo de livre vontade que os seus nomes fossem riscados do Livro da Vida de Deus, e fossem inscritos no Livro da Morte do Diabo.

Em 1680 houve um escândalo envolvendo as mais altas personalidades da sociedade e aristocracia francesa. Nesse caso, uma bruxa chamada «la Voisin» celebrou uma missa negra, na qual foi usada uma Hóstia feita de sangue e farinha. Nessa mesma altura, era sabido que muitas bruxas ao fazer os seus trabalhos de magia negra, usavam de instrumentos mágicos que tinham sido consagrados no decorrer de uma missa comum. Para isso, as bruxas escondiam os instrumentos mágicos perto do altar, para que na altura do Padre comungar a Hóstia e elevar o Vinho, assim esses instrumentos adquirissem maior poder, porquanto eram instrumentos satânicos diante da mais solene hora de Deus, uma heresia que atraia irresistivelmente ao agrado dos demónios. Havia por vezes padres que colaboravam nestes procedimentos ocultos, acabando por estar a praticar magia negra aos olhos de toda a gente, e porem sem que ninguém se apercebesse. Esses eram padres Satânicos. Outras vezes sucedia que bruxas faziam por obter posse de Hóstias consagradas na hora da comunhão, tomando a Hóstia fingindo ingeri-la, assim arranjando forma de a levar consigo. A Hóstia consagrada naquela hora santa, era depois invertida e profanada na hora da celebração da bruxaria, porquanto a dessacralização do sagrado, é um apelo irresistível a demónios. Dessa forma, a bruxaria de magia negra tornava-se infinitamente mais poderosa.

A zona Basca do Pirenéus, é uma área onde em 1609, através dos relatos históricos e documentados do jurista eclesiástico Pierre de Lancre, soube-se que ocorreu a celebração de Sabbats satânicos e Missas Negras celebradas por um padre de nome Pierre Bocal. A zona Basca do Pirenéus, foi desde sempre uma zona famosa e reconhecida pela sua reputação relativamente á existência de bruxos e bruxaria naquelas terras distantes. A sua geografia tornava a zona Basca uma área remota e por vezes inacessível tanto á cultura de Espanha como de França, tornando as autoridades de ambas as nações desconfiadas relativamente ao povo daquela área. Os povos bascos absorveram algumas das influências culturais do celtas, e porem passaram relativamente intocados a outras invasões civilizacionais. Aquando das invasões Romanas de Júlio César, a zona Basca permaneceu praticamente intocada e inacessível, mantendo a sua própria linguagem e costumes. Quando o cristianismo chegou, o povo basco combinou as novas crenças que lhe eram trazidas pelos missionários, com as suas próprias ancestrais crenças. Por isso, naquela zona era frequente saber-se de casos de padres que ao domingo celebravam a eucaristia, e durante a semana prestavam culto aos velhos deuses das antigas religiões daquelas longínquas terras. Era uma zona que tinha sobrevivido relativamente incólume ás perseguições religiosas da Igreja de Roma, e onde muitos bruxos se foram abrigar, ali prosperando em paz. De tal forma a zona Basca vivia livre das perseguições, que em certas áreas do território em que se praticava o culto aos mortos, nem aos Bispos da Igreja lhe era permitido ali entrar. Outras áreas praticavam o culto a misteriosa Deusa, a quem chamavam «La Dama». Por volta do seculo XIV a fama dos bruxos que viviam naquela zona tornou-se de tal forma lendária, que atraiu a atenção das autoridades. A atenção da inquisição virou-se seriamente para os bascos Espanhóis. Soube-se de relatos sobre ritos onde o Diabo se fazia manifestar e aparecer, incorporando num bode, ou numa mula, e por vezes até num homem. No seculo XVII, o jurista eclesiástico Pierre de Lancre foi enviado para a zona Basca, a fim de investigar o que ali se passava, e lutar contra o culto herético aos deuses pagãos, que a igreja considera como uma forma de adoração ao Diabo, pois que conforme a doutrina de Igreja de Roma, não se tratam de «deuses» mas sim de demónios procurando a veneração dos humanos, assim desviando-os de Deus. Em 1608, descobriu-se a existência de um jovem padre chamado Pierre Bocal, que aos domingos celebrava a missa cristão, e porem durante a semana realizava ritos nos quais usava uma cabeça de bode enquanto oficiava veneração aos velhos deuses pagãos. Estava assim comprovada a existência de padres satânicos na região, e ficou-se assim a saber que naquela zona eram celebradas Missas Negras, assim como realizados Sabbats Satânicos. Porem, nem Lancre estava fora do alcance da magia negra. Na noite de Setembro de 1609, Lancre viu pelos seus próprios olhos uma Missa Negra ser recitada e oficiada no seu próprio quarto de cama, apesar dele estar de tal forma embruxado, que assistiu a tudo paralisado e impedido de qualquer reacção.

Do próprio Papa Alexandre VI, (1431 – 1503), o Bórgia oriundo de Espanha, sabe-se sobre o seu célebre caso incestuoso, assim como consta que terá celebrado Missa Negras dentro dos muros do próprio Vaticano, onde ocorreram extravagantes festins de luxuria e deboche.

O abade Boullan (1824-1893), um sacerdote católico que se acredita que foi uma reencarnação de são João Baptista, teria celebrado uma Missa Negra em vestimentas em que um crucifixo invertido era bordado, com um pentagrama desenhado esquina do olho esquerdo (a esquerda sendo o lado da magia negra). Com estas missas negras o abade julgava ser possível expulsar demónios, convidando os demónios através desta profanação e dessacralização de tudo o que é de Deus, para depois prender essas entidades de trevas numa jaula de prata ou ferro, e expulsa-los através da sua imersão em água benta.

Porem, ele também usou destas missas negras – pagas a peso de ouro – para prestar grandes serviços de bruxaria aos nobres da corte Francesa, e dizem as lendas que eram muitos os nobres agradecidos pelos benefícios colhidos de tais bruxarias.

Joseph-Antoine Boullan ( 1824-93) foi um celebre padre satânico francês que nos finais do seculo XIX, liderou a Igreja do Carmelo em Lyons, França. A Igreja do Carmelo foi condenada pelo Papa em 1848, e nela praticaram-se cultos satânicos, assim como Sabbats satanicos e Missas Negras. Joseph-Antoine Boullan era um padre, que havendo-se enamorado de uma jovem freira de nome Adéle Chevalier, acabou por profanar os seus votos sacerdotais, entregando-se á luxuria com a freira, invocando ao demónio, e celebrando pacto com o diabo. Boullan tornar-se-ia dessa forma um padre satânico, e a jovem freira seguiu-o, tornando-se também uma freira satânica. Mais tarde, uma bruxa de nome Julie Thibault haveria de juntar-se ao padre, tornando-se sua amante, e com ele celebrando celebres missas negras em pleno altar de Igreja. Os trabalhos de magia negra do padre satânico tornaram-se famosos, e abundantemente requisitados, havendo os seus sucessos sido registados e documentados na obra do escritor Joris-Karl Huysmans, em 1891.

O padre Louis Van Haecke (1828 – 1912)  foi um padre belga que celebrou diversas e celebres missas negras. Louis Van Haecke havia sido seduzido por uma linda e jovem bruxa ainda na sua juventude, enquanto estudava no seminário. A bruxa aparecia-lhe misteriosamente, seduzia-o, e insinuava-lhe á pratica tanto de actos lascivos, como de ritos de magia negra. A jovem bruxa aparecia e desaparecia tao misteriosamente, que se diz que o padre foi na verdade abordado por um demonio Succubus  incorporado numa jovem rapariga. Após ter recebido a sua ordenação sacerdotal, o padre não resistiu á sua fraqueza pelas tentações da carne, e acabou por profanar os seus votos, entregando-se á lascívia com ao demonio Succubus, através dela celebrando pacto com o demonio, e praticando magia negra. Louis Van Haecke tornou-se assim um padre satânico. Tendo mais tarde sido colocado numa paroquia de Bruges, o padre acabou por seduzir uma legião de fiéis com os seus trabalhos de magia negra, através dos quais concedia todo o tipo de resultados e favorecimentos em assuntos amorosos e de luxuria, através de amarrações . A sua fama rapidamente se espalhou pela França, e eram inúmeras as pessoas que procuram pelos trabalhos de magia negra do padre satânico.  Os seus trabalhos eram realizados através de missas negras, sendo essas celebradas nocturnamente na própria Igreja onde o padre exercia o seu ofício. Durante o dia o padre celebrava as suas missas normais dirigidas as Deus, sendo que há noite oficiava as suas missas negras dirigidas a Satanás. O padre liderava as missas negras usando uma máscara negra com grandes cornos de bode, sendo que a missa em si era uma variação da missa católica normal, á qual eram adicionados elementos de devassa, lascívia e adoração ao Diabo. No altar central da Igreja, era colocada uma imagem de um demonio ao qual era prestado culto, assim consumando-se o sacrilégio da idolatria no centro da casa de Deus, o que constitui um acto de magia negra. Seguiam-se diante do ídolo demoníaco todos os ritos típicos da missa católica, que culminavam com a profanação da Hóstia consagrada, á qual se seguia um festim de lascívia no qual todo o tipo de apetites e prazeres era saciado. No decorrer destas missas, eram realizados trabalhos de magia negra. Os trabalhos de magia negra do padre satânico tornaram-se famosos, e abundantemente requisitados, havendo os seus sucessos sido registados e documentados na obra do escritor Joris-Karl Huysmans, assim como pelos testemunhos de uma bruxa de nome Berthe Couriérre. A fama dos trabalhos de magia negra do padre satânico Van Haecke atingiram tais proporções, que chegaram aos ouvidos do Bispo de Bruges, que mandou instaurar um inquérito. Porem, nada sucedeu. As missas negras e amarrações do padre satânico prosseguiram, tornando-se lendárias.

Uma Missa Negra é uma inversão, profanação, devassidão e inversão da massa católica praticada pelos sacerdotes ordenados da Igreja. Curiosamente a missa negra apenas é eficaz se celebrada precisamente por esses mesmos sacerdotes ordenados pela Igreja, (sejam padres, ou monges, ou abades, ou abadessas ou freiras), e isso aconteceu na Idade Media, motivo pelo qual a missa negra era assim uma preciosidade oculta á qual recorriam os nobres e ricos desse tempo para beneficiarem das mais poderosas e infernais magias negras. Já a partir do século XVI, com o aparecimento das Igrejas protestantes, a missa negra passou a poder ser celebrada não apenas pelos padres da Igreja Romana, mas também por qualquer sacerdote que haja sido ordenado por uma igreja de Deus, ou seja, que tenha sido investido do sacramento do sacerdócio, seja ele pastor, reverendo, etc. Assim sucede, pois os demónios respondem irresistivelmente a qualquer sacerdote ordenado por uma Igreja cristã, seja ela a Igreja Romana, ou seja uma qualquer outra Igreja protestante. Os actos litúrgicos e sacramentos de qualquer uma dessas Igrejas são aceite por Deus, ( como o baptismo, o matrimónio, etc), e por consequência são também aceites pelos demónios.

Na Idade Média, durante o dia alguns eram os padres, monges ou abades praticava a missa branca para abençoar em nome de Deus, e á noite o mesmo padre ou abade praticava a missa negra para amaldiçoar em nome do Diabo, e fazer bruxaria a favor das suas ricas e nobres clientelas. Esses são os famosos padres satânicos e freiras satânicas, a quem reis, rainhas, imperadores, princesas, nobreza, burguesia e elites da Europa procuravam para lhes contratar os mais fortes, raros, preciosos e cobiçados trabalhos de magia negra.

As chamadas “missas negras” foram realizadas – desde os séculos V ao XV–  por sacerdotes ordenados, e a missa negra era usada tanto para amaldiçoar inimigos, como para gerar bruxarias de amarração, bruxarias amorosas de magia negra, bruxarias de fertilidade, bruxarias para desencantar riquezas.

Um dos casos celebres históricos sobre a existência de freiras satânicas, e das suas participações em Missas Negras celebradas em conventos da Igreja, ocorreu no século XVII. Madelaine Bavent ( 1607-1647), era uma freira do convento franciscano de Louviers. O caso da freira Madelaine tornou-se famoso em 1647, altura em que Luis XIV reinava em França, havendo este caso chegado ao conhecimento do rei. A freira Madelaine foi admitida no convento sob supervisão do padre Pierre David, sendo que após a sua morte passou a estar sob supervisão do padre Mathurin Picard. O padre Picard era um padre franciscano que havia sucumbido ao chamamento dos demónios, havendo celebrado pacto com o Diabo, e sendo um praticante de fortes trabalhos de magia negra. O seu nome era famoso nos círculos do oculto, e os seus serviços em trabalhos de magia negra eram requisitados pela elite da nobreza e aristocracia, pois os seus resultados tinham grande reputação. O padre Picard era um padre satânico, e acabou por aliciar a freira Madelaine a entrar pelos mesmos caminhos da magia negra. A freira Madelaine foi iniciada nos ímpios sacramentos satânicos, devassando e profanando os seus sagrados votos de consagração á Igreja. A freira Madelaine tornou-se uma freira satânica, passando assim a ser um acólito da celebração missas negras conduzidas pelo padre Picard, nas quais o demónio Astaroth era venerado diante de um altar de Deus dentro de uma capela do convento, assim cometendo-se o abominável pecado da Idolatria e culto a deuses pagãos ou demónios. Nessas missas negras a freira Madelaine era colocada desnudada no altar da igreja, sendo celebrado sobre o seu ventre a infernal liturgia de missa negra. O rito era concluído com a devassa consumação de actos lascivos. Dessa forma, faziam-se fortes apelos aos demonios, que resultavam em poderosas magias negras e trabalhos de magia negra. Estas magias negras, eram preciosidades requisitadas pelas mais elevadas figuras da alta-sociedade, tais eram os resultados que produziam. Para alem das missas, negras, a freira Madelaine era levada a frequentar duas vezes por semana a celebração de Sabbats negros, junto com o padre Picard e o capelão do convento, o padre Thomas Boullé. Durante esses Sabbats, a freira chegou a ser possuída carnalmente pelo Diabo incorporado em homem. Conta-se que todas as noites ao regressar á sua cela, a freira Madelaine tinha sempre um gato preto á sua porta. O demónio incorporava no gato preto, e através dele possuía a freira noite após noite. Tantos foram os ritos de magia negra celebrados nos muros daquele convento, que outras freiras começaram a sofrer de terríveis aparições de assombrações, e algumas chegaram mesmo a sofrer de graves possessões demoníacas. Algumas das freiras possuídas, durante certos momentos de convulsão exibiam força física completamente sobrenatural, os seus corpos moviam-se de formas quase impossíveis para um ser humano, as suas faces transfiguravam-se mostruosamente, e chegaram a ocorrer fenómenos que desafiavam as leis da natureza, como água benta pingar das pias das igrejas, para o tecto. Por volta de 1643/44, caso chegou aos ouvidos do Bispo de Evreaux, que tomando conhecimento dos sinistros eventos, ordenou uma inquirição ao convento, havendo-se então confirmado a presença de padres satânicos e freiras satânicas no seio da Igreja, assim como tendo-se comprovado a celebração de missas negras  e Sabbats satânicos no convento. O convento foi encerrado, porem o caso tornou-se lendário.

marquesa de Montespan tornou-se amante do rei Luís XIV no ano de 1667. Ambicionando ser a sua amante preferida, ambicionando ser a única mulher na cama do rei, e querendo não apenas afastar a rainha do seu caminho como dar ao rei filhos legítimos para coroa francesa, ela celebrou com o padre Guibourg uma missa negra de tremendo poder, sendo essa missa foi paga previamente pela fenomenal quantia de cem mil libras, ( estamos a falar do século XVII), pois que a verdadeira magia negra não é coisa acessível a qualquer um. Resultado: Pois em 1678 a missa negra foi feita, e um ano depois em 1679, então a marquesa tornou-se «miraculosamente» na mulher preferida do rei, e a única mulher a deitar-se no leito real, a única mulher pelo qual o rei tinha verdadeiros olhos, e a única mulher a quem o rei permitia engravidar de filhos legítimos á coroa, algo reservado apenas á rainha. Anos depois, a marquesa conseguiu mesmo afastar a própria rainha do leito real, o que se julgava impossível. Dai em diante e nos anos seguintes, eis que a marquesa deu 8 filhos ao rei, todos eles príncipes legitimados conforme fora prometido na missa negra. E assim sendo: desde a data em que a missa negra foi celebrada,(1678), e a colheita de todos os seus majestosos frutos,(de 1679 em diante), eis que decorreram anos e anos, e porem: o fruto garantido veio e materializou-se, pois que a nobre marquesa soube sempre guiar-se pela inabalável fé e férrea crença no trabalho de magia negra , assim como pela orientação do Abade Guiborg, o padre satânico que a serviu.

 

A Missa Negra nos dias de hoje

Em resumo:

Ao longo dos séculos, cada tradição de magia negra teve a sua forma de celebrar a missa negra. Porem, nos dias de hoje a Missa Negra é vista de forma muito mais simples e pragmática.

A partir do século XI como o surgimento da Igreja Ortodoxa, e após o século XVI com o evento do aparecimento das Igrejas protestantes que nasceu na Alemanha e em Inglaterra, a missa negra passou a poder ser celebrada não apenas pelos padres da Igreja Romana, mas também por qualquer sacerdote que haja sido ordenado por uma igreja de Deus, ou seja, que tenha sido investido do sacramento do sacerdócio, seja ele pastor, reverendo, etc. Assim sucede, pois nos dias de hoje sabe-se por experiência já observada e comprovada ao longo de décadas e décadas, que os demónios respondem a qualquer sacerdote ordenado por uma Igreja Cristã, seja essa Igreja de que confissão for, isto é: seja da Igreja Romana, ou Igreja Ortodoxa, ou qualquer outra Igreja protestante , ou qualquer outra Igreja denominacional .  Assim sucede, pois da mesma forma que os actos litúrgicos e sacramentos de qualquer uma dessas Igrejas são aceites por Deus, ( como o baptismo, o matrimónio, etc), então eles são também aceites pelos demónios. E por consequência, a perversão e dessacralização desses sacramentos – que é feita numa Missa Negra –  é também irresistivelmente apelatória aos demónios, seja oficiada por um padre da Igreja Romana, ou um padre da Igreja Ortodoxa, ou por um pastor ou um reverendo de uma das quaisquer Igrejas protestantes, seja qual for a sua denominação : Baptista, Calvinista, Luterana, Anglicana, Metodista, Adventista, Mórmon, Interconfessionais, Não-denominacionais, etc .

A verdade, é que toda a celebração de culto aos demónios, de adoração e oferenda de incenso a deuses pagãos e suas imagens, e de praticas ocultas e heréticas que for oficiada por um homem ou mulher de Deus , ( padre, freira, pastor, reverendo), diante de um altar de Deus, ou um altar do seu Filho Jesus, ou um altar da Virgem Maria, ou altar dos santos de Deus… tudo isso constitui imediatamente uma missa negra, por estar a dessacralizar, devassar e a profanar os  mandamentos de Deus, pois que neles se diz que «Nao terás outros deuses diante de mim». (Deuteronomio 5,7 Êxodo 20,3) A partir desse momento, está aberta a porta á invocação dos demónios, a quem muito lhes agrada esta sagrada heresia, que é um impuro e primoroso pecado. E abrindo-se a porta á vinda dos demónios, abrem-se as portas a vinda de assombrações, de aparições, de almas de mortos, e por consequência abre-se caminho á pratica das mais poderosa magia negra, e trabalhos de magia negra.

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