Sabbat Satânico, sabbat negro, o sabbat da bruxas

Sabbat Satânico ou o sabbat negro – o sabbath das bruxas

O sabbath

tudo sobre o sabbat das bruxas, o sabbat satânico

Afonso se Spina ( 1491) era um frei franciscano, que chegou a ser o confessor do rei João de Castilha. Spina escreveu a obra Fortalicium Fedei – 1459 – , e era um autor conhecedor dos segredos da bruxaria, tendo testemunhado pessoalmente vários casos de bruxarias, e obtido relatos de bruxas sobre as suas praticas ocultas. Ele descreveu como nas suas reuniões satânicas, as bruxas veneravam um veado ou um bode negro no qual o espírito de Satanás tinha incorporado, assim como a forma obscena as bruxas como lhe prestavam reverencia, e até os actos de concupiscência que o demónio tinha com as bruxas. A essas reuniões de bruxas, chama-se o Sabbath das bruxas.

Johannes Nider,(1380 – 1438), um reputado teólogo alemão, foi o autor da célebre obra Formicarius ( 1435), na qual se descrevem aprofundadamente diversos aspectos do Pacto com Satanás, e dos Sabbats satânicos. Em 1435, Johannes Nider categorizou os fenómenos de maleficia ou da bruxaria em grupos, classificando os vários tipos de bruxarias que as bruxas podem celebrar nos seus Sabbats satânicos, ou as lendárias reuniões de bruxas.

No caso das célebres bruxas de Abardeen, ocorridos por volta de 1596 na Escócia, há relatos históricos sobre tais reuniões de bruxas ; As bruxas de Abardeen reuniam-se em grupos de 13 membros. Diz-se que o demónio presidia a essas reuniões satânicas, onde alí incorporava ou num veado, ou num javali, ou num bode negro, ou num cão preto. O demónio fazia-se acompanhar de uma rainha dos infernos, e também ela incorporava num animal. Dizia-se que os bruxos e bruxas deviam beijar os demónios nas suas nádegas em sinal de obediência e submissão, assim como haviam relatos que afirmavam que os demónios possuíam carnalmente as bruxas em pecaminosa luxuria. Na sequência destes eventos sucedidos na Escócia, James I publicou a sua obra Daemonolgie, versando sobre a existência de bruxas e os seus pactos demoníacos.  Muitos foram os Grimórios de magia negra que fazem referencias a estas reuniões de bruxas, a que se chamam os Sabbath Negros, ou Sabatth Satânicos.

A origem do nome «Sabbat» 

A origem da palavra Sabbat não tem uma proveniência clara ou estabelecida com exactidão. Normalmente associa-se a palavra ao número «sete» da tradição judaica, e porem isso não é inteiramente consensual. O estudioso e médico Alfred Maury ( 1817 – 1892), apontava a origem do termo no nome Sabazius. Sabazius ou Sabázio, era o Deus dos Frígios, um reino que existiu onde agora se situa a Turquia, e era um Deus associado ás serpentes, ao vinho, á magia e ás orgias, que aparecia muitas vezes na forma de um cavaleiro empunhado um bastão mágico, ou uma vara mágica.  Reminiscências do seu culto estão presentemente conservadas no British Museum of London.  No mito grego, Sabázio é filho de Zeus com Perséfone, a quem a engravidou assumindo a forma de uma serpente, e apos a embriagar. Noutras interpretações, trata-se do Deus Baco dos Romanos, ou o Deus Dionísio dos Gregos. Sabazius era o patrono da licenciosidade, da libertinagem, da devassidão, e era venerado através frenéticos deboches. E estando o Deus Baco e o Deus Pan desde sempre intimamente ligados ás bruxas, fosse na forma de um Deus belo e sedutor que inebriava as sacerdotisas, ( como era Dionísio), ou fosse na forma de um Deus cornífero, metade homem e metade animal, que lascivamente possuía as suas seguidoras ( como era Pan), estes Deuses ou demónios mantiveram-se na tradição mística das bruxas ao longo dos tempos. As celebrações em honra deste Deus Sabázio eram chamadas de Sabázies. Há por isso autores que advogam que essas celebrações da Antiguidade chamadas de Sabázies, e feitas em honra deste Deus Sabázio, são a verdadeira origem do termo Sabá, ou Sabbat, E tal como na Antiguidade o Deus Sabázio se encontrava com as suas sacerdotisas nessas devassas reuniões ou Sabázies, também na Idade Media o Demonio continuou a encontrar-se com as suas bruxas nos heréticos e obscenos Sabá, ou Sabbats. Há quem diga por isso, que Demónio sempre assumiu muitas faces e nomes divinos ao longo da história da humanidade, e porem os seus hábitos permaneceram sempre inalterados

Sabbats Satânicos historicamente documentados

Madelaine Bavent ( 1607-1647), era uma freira do convento franciscano de Louviers. e tambem ela participou em Sabbats negros, assim como Missas Negras. O caso da freira Madelaine tornou-se famoso em 1647, altura em que Luis XIV reinava em França, havendo este caso chegado ao conhecimento do rei. A freira Madelaine foi admitida no convento sob supervisão do padre Pierre David, sendo que após a sua morte passou a estar sob supervisão do padre Mathurin Picard. O padre Picard era um padre franciscano que havia sucumbido ao chamamento dos demónios, havendo celebrado pacto com o Diabo, e sendo um praticante de fortes trabalhos de magia negra. O padre Picard era um padre satânico, e acabou por aliciar a freira Madelaine a entrar pelos mesmos caminhos da magia negra. A freira Madelaine foi iniciada nos ímpios sacramentos satânicos, devassando e profanando os seus sagrados votos de consagração á Igreja. A freira Madelaine tornou-se uma freira satânica, passando assim a ser um acólito da celebração missas negras conduzidas pelo padre Picard. Para alem das missas, negras, a freira Madelaine era levada a frequentar duas vezes por semana a celebração de Sabbats negros, junto com o padre Picard e o capelão do convento, o padre Thomas Boullé. Durante esses Sabbats, a freira chegou a ser possuída carnalmente pelo Diabo incorporado em homem. Assim ficou historicamente documentada a celebração dos lendários Sabbats negros, alguns deles oficiados até mesmo nos conventos e mosteiros da Igreja.

O juiz e demonologista Pierre de la Lancre, ( 1553 – 1631), que esteve ao serviço do rei Henrique IV, deixou relatos documentados nos quais uma bruxa do sul de França, em 1609, lhe revelou informações verídicas sobre os celebres Sabbats das bruxas. Pode-se ler nesses relatos documentados, que durante alguns sabbats satânicos o Diabo fazia-se aparecer, incorporando num bode, num touro, num homem negro, ou num cão preto. A bruxa revelou que quando se tocava no diabo ele era gelidamente frio, e que as bruxas se lhe submetiam beijando as suas nádegas, assim como os seus cascos e as suas pegadas no chão. Muitas bruxas queixavam-se que a copula com o demónio era dolorosa, e o seu membro era frio. Algumas das bruxas mencionavam também que o sémen do Diabo é igualmente frio. No seu «Dictionnaire Infernal», um tratado de demonologia publicado em 1818, Jacques Collin de Plancy ( 1793 – 1881) – um célebre ocultista e demonologista Francês – fala de uma bruxa de nome Maria Mariagrane. A bruxa Maria Mariagrane dizia ter visto e presenciado o Diabo a copular com um vasto número de mulheres durante a celebração de Sabbats. A bruxa Maria Mariagrane afirmava também que o Diabo abordava sempre as mulheres bonitas de frente, e as menos atraentes por trás. A bruxa afirmava também que o Diabo preferia a sodomia sobre todas as outras formas de prazer lascivo. Seja como for, os prazeres da luxuria são uma das propriedades do Diabo, um dos reinos de Satanás, pelo que os trabalhos de magia negra celebrados em Sabbat com recurso á maga negra, são sempre – sempre – as mais poderosas que existem. Nestas mesmas reuniões de bruxas ou sabbats satânicos, os bruxos ajoelhavam-se e veneravam submissamente as bruxas, beijando-as nos pés, nos joelhos, no ventre, nos seios e nos lábios, seguindo-se a isso festins de lascívia onde os demónios possuíam as bruxas diante dos bruxos, em acto de deliberado adultério que conspurcava o santo matrimonio de Deus. Aliás, ao aliciarem mulheres para se converterem em bruxas e devotas de Satanás, os demónios tendiam a ter uma preferência para aliciarem mulheres casadas e mães de filhas fêmeas, pois dessa forma não apenas desviavam e corrompiam almas para fora do caminho de Deus, como depois se banqueteavam nos incontáveis pecados do adultério, e até noutros mais inconfessáveis entre mães e filhas.

Nicolas Remy, ( 1530-1616), na sua obra Demonolatreiae ( 1595), descreve que nos Sabbats, Satanás determinou que as bruxas deveriam «conspurcar-se aos santos domingos de Eucaristia entregando-se a demónios incubus e sucubus, contaminar-se com o pecado da sodomia ás quintas-feiras, e ao sábado cometerem a herética prostituição com a abominação da bestialidade»

Louise Madelaine era uma freira a quem demónios visitaram, e conseguiram seduzir, possuindo-a e levando a celebrar pacto demoníaco, assim tornando-se uma freira satânica. Por volta de 1611, a freira satânica quando questionada por Sebastião Michaelis, grão Inquisidor de Avignon, confessou sem hesitações que durante a celebração de vários sabbats satânicos, tinha mantido actos de luxuria pecaminosa com demónios incorporados tanto em corpos masculinos, como em corpos femininos, e que nesses momentos heréticos havia jurado fidelidade a Satanás.

Em 1669 sucedeu o celebre caso das bruxas de Mora, que assumiu tais proporções que levou á intromissão do rei Carlos XI da Suécia, e o caso tambem envolvia a celebração de Sabbats negros. Na região da Dalecarlia – Suécia – , começaram a suceder estranhos fenómenos e eventos que começaram a causar estranheza e temor na população. Começaram ali a surgir aparições fantasmagóricas, mortes inexplicáveis, possessões demoniacas, e os sinistros eventos causaram uma onde de receio pelas povoações. Suspeitou-se da actividade de bruxas, o que veio a confirmar-se. Houve relatos documentados sobre a existência de 23 bruxas envolvidas em actividades do oculto. O grupo das 23 bruxas constituía uma colmeia de bruxas satânicas que se havia fundado na zona. Mesmo quando questionadas separada e individualmente, as bruxas contavam os mesmos factos. As bruxas de Mora confessavam que tinham reuniões ocultas – sabats satânicos – onde se fazia a invocação de demónios. Homens havia sido seduzidos e levados a participar nessas reuniões fosse por influencia de bruxas, ou de demónios sucubus, e ao participar nessas reuniões, eles acabavam irremediavelmente possessos pelos demónios invocados, tornando-se também eles bruxos.  As reuniões ocorriam numa grande casa existente num prado ermo chamado Blocula, mas também houveram sabats negros celebrados em encruzilhadas. Nessas reuniões os participantes renunciavam á Igreja, eram baptizados pelo demónio, e depois seguiam participando em festins lascivos onde se praticavam actos de promiscuidade, assim como se planeava a feitura de trabalhos de magia negra e bruxarias. Nestas reuniões satânicas, o demónio invocado faziam-se incorporar num homem de barba ruiva, um senhor que aparecia trajando um longo casado negro. As reuniões eram frequentadas tanto por bruxas já maduras, como por jovens donzelas que se submetiam ao baptismo pelo Diabo, e depois se entregavam a ritos orgiásticos com os demónios. Como resultado, varias bruxas engravidaram, e deram á luz crianças que eram descendência de demónios. Algumas dessas mulheres foram mais tarde vistas a dar á luz bebes que eram imediatamente baptizados com sangue de serpentes ou sapos, confirmando assim a sua progenitura demoníaca. Este grupo ou colmeia de bruxas teve tamanho poder na Suécia do sec XVII, que até o próprio rei temendo a sua proliferação e temíveis actos de magia negra, teve de intervir.  Assim se confirmavam mais uma vez a existencia comprovada destes Sabbats das bruxas, e das fortes magias negras nele praticadas.

No ano de 1453, na Normandia, houve o celebre caso do padre Guillaume Edeline, pior da paroquia de Saint-Germain-en-Laye, que admitiu abertamente ter um relacionamento com uma demonio Sucubbus, e que havendo-se enamorado dela, tinha participado num Sabbat Satanico onde se submeteu a Satanás, e dessacralizado os seus votos, converteu-se num padre satânico.

Sabbats celebrados em Igrejas

A maioria dos Sabbats eram realizados em locais secretos, longe dos olhares das pessoas comuns. Por vezes ocorriam em encruzilhadas nas florestas, outras vezes em grandes casas localizadas em sitios distantes. Porem, alguns foram celebrados nocturnamente em Igrejas, como forma de sublinhar ainda mais o acto heretico e profanatório do Sabbat, assim agradando ainda mais ao Demonio. Joseph-Antoine Boullan ( 1824-93) foi um celebre bruxo francês que nos finais do século XIX, liderou a Igreja do Carmelo em Lyons, França. A Igreja do Carmelo foi condenada pelo Papa em 1848, e nela praticaram-se cultos satânicos, assim como Sabbats satanicos e Missas Negras. Joseph-Antoine Boullan era um padre, que havendo-se enamorado de uma jovem freira de nome Adéle Chevalier, acabou por profanar os seus votos sacerdotais, entregando-se á luxuria com a freira, invocando ao demónio, e celebrando pacto com o diabo. Boullan tornar-se-ia um padre satânico, e a jovem freira seguiu-o, tornando-se também uma freira satânica. Mais tarde, uma bruxa de nome Julie Thibault haveria de juntar-se ao padre, tornando-se sua amante, e com ele realizando célebres Sabbats satanicos em torno de um altar de Igreja. Os trabalhos de magia negra do padre satânico tornaram-se famosos, e abundantemente requisitados, havendo os seus sucessos sido registados e documentados na obra do escritor Joris-Karl Huysmans, em 1891.

Por volta do ano de 1335, a bruxa Anne Marie de Georgel confessou abertamente pertencer ás hordas de seguidores de Satanás. O caso sucedeu em Toulouse, na França. A bruxa afirmava que conforme se ensinava nos Sabbats e Missas Negras das bruxas, se é verdade que Deus é o Senhor dos Céus, porem Satanás é o Senhor da Terra. Estes Sabbats das bruxas eram celebrados numa Igreja, diante de um altar de Deus, onde se encontrava a imagem do Diabo, na forma de bode com seios humanos cornos e um falo erecto. Havia sempre uma jovem bruxa que orava ao Senhor Satanás, pedindo-lhe que a salvasse dos traiçoeiros e dos perseguidores, depois beijando o ídolo no seu falo erecto. Era tomado vinho, e a jovem bruxa desnudava-se, e deitava-se no altar. Um homem representando Satanás assumia a cerimónia, e recitava orações cristãs, substituindo a palavra Cristo por Satanás. No momento da impura e herética eucaristia, a bruxa deitada no altar oferendava então algumas gotas o seu próprio sangue ao representante de Satanás simbolizando o pacto com o Diabo. Ao invés de hóstias era servidas rodelas de rabanete preto, e água ao invés de vinho. Seguia-se então um festim de obscenas luxurias, onde a sodomia era praticada, porquanto é um acto impuro e abominável. Por vezes, criaturas de tenra idade eram sacrificadas. Esses sacrifícios eram usados para a feitura de trabalhos de magia negra, e os seus efeitos eram espantosos. Por isso mesmo, a bruxa Anne Marie era requisitada por incontáveis clientes que solicitavam os seus bruxedos celebrados em missas negras.

Por volta do ano de 1662, a bruxa bruxa Isobel Gowdie que habitava na localidade de Lochloy, em Moreyshire, também celebrou célebres Sabbats Satanicos numa Igreja. A bruxa iniciou-se muito jovem nas artes da magia negra, havendo sido abordada pelo Diabo aos quinze anos, e desde então frequentado Sabbat. Foi em 1647, que a bruxa Isobel Gowdie celebrou pacto com o Diabo numa Igreja em Auldearne. O Diabo assim lho tinha pedido, para que maior fosse a afronta da heresia para com a Igreja.

Sabbats celebrados em locais ocultos

Foi por volta dos anos de 1669 que se soube sobre os famosos Sabbats Satanicos de Blocula, ocorridos na Suécia. Blocula era um vasto prado com um fim a perder de vista. O local é mencionado na obra «Saddicismus Triumphatus» de 1862 de Joseph Glaville ( 1636 – 1680) . Glaville  foi um padre, e também autor de um compêndio sobre bruxas e bruxaria, o «Philosophical considerations about Witches and Witchcraft», de 1666. Consta que havia uma grande casa nesse longínquo prado, onde se celebravam sabbats satânicos aos quais o Diabo aparecia fisicamente através de possessão demoníaca , fosse incorporando num animal, ou num homem. Nesses Sabbats realizava-se um banquete, no qual se serviam várias iguarias acompanhadas de doces, cerveja e vinho, tudo providenciado pelo Diabo. Depois do banquete seguiam-se as danças, e as cópulas lascivas entre bruxas e demónios. As bruxas faziam juramento a Satanás, assim como se comprometiam a realizar a sua obra neste mundo. O fenómeno das bruxas, longe de ser um fenómeno atribuível a camponesas incultas e esfomeadas, fez-se presente até nos mais elevados círculos intelectuais. Um dos bruxos que frequentou estes Sabbat em Blocula, era um doutor de nome Anders Stjernhok, um professor universitário da Upssala University. Também um outro professor fez pacto com Diabo frequentando esse Sabbat, tendo depois – por favores concedidos pelo Diabo – sido promovido a reitor da sua escola. As bruxas que frequentavam os Sabbats de Blocula era temidas pelos seus poderosos trabalhos de magia negra. Uma dessas bruxas era Karen Snedkers, e um dos seus trabalhos de magia negra ficou famoso por volta do ano de 1670. Foi nessa data que um vereador de nome Niels Pedersen, aquando de uma viagem para Copenhaga, foi acometido de terríveis dores, e perdeu a capacidade de falar. Ninguém conseguia explicar o estado em que Pedersen ficou.  Na verdade, a bruxa Karen Snedkers tinha-lhe lançado um fortíssimo trabalho de magia negra através de uma efígie representativa do vereador. Os trabalhos de magia negra realizados nesses célebres Sabbats, eram temiveis e temidos.

Na Suiça, por volta do ano de 1428, as bruxas do cantão suíço tornaram-se celebres pelos seus sabbats satânicos e trabalhos de magia negra. As bruxas do lado francês do alpes eram conhecidas por serem devotas adoradoras de Satanás, fazendo fortes pactos com o Diabo, e usando dos seus saberes satânicos para causarem todo o tipo de fenómenos, desde a união de casais á separação de casais, desde a fertilidade de mulheres inférteis á esterilidade dos úteros femininos, desde a potencia sexual á frouxidão masculina. Nos Sabbats nocturnos, as bruxas eram conhecidas por sacrificar crias de tenra idade, usando do seu sangue para os mais fortes trabalhos de magia negra. O Diabo manifesta-se nesses Sabbats sobre a forma de um animal negro, ou num homem vestido de negro. Porem sabia-se que o Diabo conseguia mudar de um corpo masculino para um corpo feminino, conforme tinha relações carnais com bruxas ou bruxos durante os Sabbat satânicos. Era então que o Diabo deixava a sua marca nas bruxas. Durante os Sabbat, bruxas e bruxos apresentavam-se nus, e alguns dos ritos de submissão a Satanás implicavam beijar as nádegas ou o falo do Diabo, depois recitando o Credo Niceno ao contrário.

Já no caso da célebre bruxa Catherine Derlot, que participou em memoráveis Sabbats Satanicos, essas reuniões ocorreram em diversos locais ocultos. O pacto da bruxa Catherine Derlot foi celebrado nocturnamente num Sabbat que se realizou nos confins de uma floresta na paroquia de Quint, numa encruzilhada de duas estradas. A bruxa deixou que gotas do seu próprio sangue derramassem sobre um fogo onde ardiam ossos de defuntos que não haviam sido baptizados, pronunciou um encantamento em latim, e um demonio apareceu-lhe na forma de uma chama violeta. Às sextas-feiras á noite, a bruxa frequentava sabbat satânico que se celebrava numa localidade de nome Pech-David em Toulouse. Outras vezes os sabbat realizavam em locais mais longínquos, no topo das montanhas negras dos Pirenéus. Era nesses Sabbats que a bruxa prestava adoração ao Diabo que se manifestava incorporado através de possessão demoníaca num grande bode negro, entregando-se para satisfazer os profanos prazeres do Diabo, fosse de quem mais participasse no festim de abominações. Sacrifícios de criaturas de tenra idade eram feitos a Satanás, e depois disso a bruxa voltava a receber mais ensinamentos sobre os segredos dos trabalhos de magia negra. Alguns dos segredos que a bruxa Derlot usou em muitos dos seus mais lendários bruxedos, foi usar de figuras de cera representando as vitimas da magia negra, assim dispondo da sua sorte conforme lhe era encomendado: ora unindo casais, ora separando casais, ora destruindo lares, ora arruinando negócios e empestando vidas com pestilências demoníacas, enfermidades e assombrações.

Christian stridtheckh, na sua obra De Saguis, escreveu: «as reuniões de bruxas passam-se em diferentes sítios, mas normalmente ocorrem em florestas, montanhas, cavernas, ou seja, em locais longe da presença do homem, e assombrados». Na Alemanha, existe um local historicamente conhecido por ter sido o local de celebração do Sabbat. Trata-se da famosa montanha de Brunswick, situada no ducado com o mesmo nome. A montanha na verdade chama-se Blocksberg, e são tantas as evidencias históricas da presença de bruxas e da realização de Sabbat de bruxas naquele local, que a montanha se tornou num local visitado por turistas de todo o mundo, que ali procuram vislumbrar os locais reais, onde bruxas reais se reuniram em lendários Sabbat satânicos. A zona está profundamente ligada a fenómenos místicos, aparições e eventos inexplicáveis que ainda hoje ocorrem. Algumas pessoas já desaparecerem misteriosamente nas sinuosas escarpas e picos enublados daquela sinistra montanha, onde ainda hoje vagueiam os assombrados espíritos de ancestrais bruxas. Os Pirenéus, são outra área geográfica onde se celebraram famosos Sabbat satânicos. Na área basca, havia uma região chamada Lane do bouc, na linguagem basca «Aquelarre de verros, prado del cabron», onde durante os seculos da Idade Media as bruxas e bruxos se reuniam em certas noites para venerar o Diabo, especialmente em noites de segunda, quarta e sexta-feira.

Doutrina das bruxas ensinada nos Sabbats satânicos

Durante a celebração de um certo Sabbat ocorrido no século XIV, soube-se da doutrina satânica ensinada pelo próprio Diabo ás bruxas, e isso ocorreu no caso sucedido em França por volta do ano de 1330/35, que foi o caso da célebre bruxa Catherine Derlot. A bruxa Catherine Derlot participou em memoráveis Sabbats Satanicos, onde os mais fortes de trabalhos d magia negra eram celebrados. Catherine Derlot tornou-se bruxa quando estando nos seus afazeres domésticos numa localidade de nome Pech-David em Toulouse, ela foi abordada por um homem de elevada estatura. O homem encantou-a com o seu olhar, e seduzindo-a, convidou-a a participar num Sabbat Satanico. Na próximo noite de sábado, Catherine Derlot compareceu á reunião de bruxas, onde viu o Diabo incorporar num enorme bode negro. Depois de o saudar, Catherine Derlot submeteu-se-lhe, dando-lhe os prazeres que o Diabo queria. Em troca, o Diabo ensinava-lhe todo o tipo de bruxedos para todo o tipo de assuntos, cada um deles sempre eficaz e de efeitos visíveis. O Diabo pedia-lhe também que frequentasse missas negras onde se profanavam as missas da Igreja, e se honrava a Satanás. Na sua iniciação, a bruxa Catherine Derlot recebeu um caldeirão como presente do Diabo, assim como ensinamentos sobre a forma como acender um fogo amaldiçoado que fosse chamamento ao próprio fogo dos infernos, assim realizando as mais fortes magias negras nesse caldeirão. Aprendeu também os ingredientes para os mais poderoso bruxedos feitos no caldeirão oferecido pelo Diabo, tais como ervas venenosas, órgãos de animais, e certas partes de defuntos que não houvessem sido baptizados, ou até obtidos por meio de sacrilégio ao solo consagrado dos cemitérios. Desses defuntos, usavam-se pedaços de unhas, pedaços de cabelo, pedaços de roupa, dedos, orelhas, línguas, cada coisa apropriada ao tido de bruxaria que ia celebrar. A bruxa Catherine Derlot muitas vezes afirmava para grande escândalo dos padres, uma doutrina que lhe havia ensinada pelo próprio Diabo durante um Sabbat Satânico, que dizia:

«que Deus e o Diabo eram deuses iguais, um reinando sobre o reino do Céu, e outro reinando sobre o reino da Terra. Todas as almas que o Diabo conseguia seduzir, eram almas perdidas para o Altíssimo Deus do céu, e viveriam  perpetuamente na terra e no ar deste mundo, indo todas as noites visitar as casas onde habitaram em vida, e inspirar os vivos a servir ao Diabo ao invés de servir a Deus. Essas almas de antigas bruxas vagueando a terra, seriam por isso angariadoras de novas bruxas, num círculo que se perpetuava sem cessar. Afirmava a bruxa que recebeu estes ensinamentos do próprio Diabo, e que a luta entre Deus e o Diabo tem existido desde o início da eternidade, continuará a existir até ao fim da eternidade, e nunca deixou nem deixará de existir, porque é eterna, sem início, nem fim. Umas vezes um sai vitorioso, outras vezes o outro sai vitorioso, num ciclo sem fim, que sempre existiu, e sempre existirá. E é deste ciclo eterno e desta disputa sem fim que nasceu a própria Criação, e é esta contenda entre opostos que alimenta e sustenta a existência da própria criação. Sem esta luta entre um e outro, nada existiria.»

Era esta a doutrina que o próprio Diabo ensinara á bruxa Catherine Derlot durante a celebração de um Sabbat satânico, que é a doutrina do Satanismo que perdura viva até aos nossos dias. O pacto da bruxa Catherine Derlot foi celebrado nocturnamente num Sabbat que se realizou nos confins de uma floresta na paroquia de Quint, numa encruzilhada de duas estradas. A bruxa deixou que gotas do seu próprio sangue derramassem sobre um fogo onde ardiam ossos de defuntos que não haviam sido baptizados, pronunciou um encantamento em latim, e um demonio apareceu-lhe na forma de uma chama violeta. Desde então, todos os seus trabalhos de magia negra tornaram-se infalíveis. Às sextas-feiras á noite, a bruxa frequentava sabbat satânico que se celebrava numa localidade de nome Pech-David em Toulouse. Outras vezes os sabbat realizavam em locais mais longínquos, no topo das montanhas negras dos Pirenéus. Era nesses Sabbats que a bruxa prestava adoração ao Diabo que se manifestava incorporado através de possessão demoníaca num grande bode negro, entregando-se para satisfazer os profanos prazeres do Diabo, fosse de quem mais participasse no festim de abominações. Sacrificios de criaturas de tenra idade eram feitos a Satanás, e depois disso a bruxa voltava a receber mais ensinamentos sobre os segredos dos trabalhos de magia negra. Alguns dos segredos que a bruxa Derlot usou em muitos dos seus mais lendários bruxedos, foi usar de figuras de cera representando as vitimas da magia negra, assim dispondo da sua sorte conforme lhe era encomendado: ora unindo casais, ora separando casais, ora destruindo lares, ora arruinando negócios e empestando vidas com pestilências demoníacas, enfermidades e assombrações.

Os ritos satânicos celebrados nos Sabbat das bruxas

Durante a celebração dos Sabbat das bruxas, celebravam-se vários tipos de ritos: uns eram festivos e destinavam-se a que bruxas e bruxos se entregassem a praticas heréticas e profanas de grande agrado para o Diabo, outras eram ritos de iniciação onde bruxas e bruxos iniciados eram baptizados pelo Diabo, outras eram cerimonias de veneração e adoração a Satanás através das quais as bruxas afirmavam e reafirmavam a sua devoção ao Diabo, sendo que outros ritos como o baptismo de objectos destinados a usarem-se em bruxedos já faziam parte de um processo através do qual o Diabo concedia saberes ocultos ás bruxas, para que elas empreendessem nas artes da magia negra.

As práticas ocorridas e realizadas nalguns célebres Sabbat satânicos, ficaram historicamente documentadas em textos como o«Sadducismus Triumphatus» (1681), de Joseph Granvill, um padre que realizou uma detalhada observação e investigação ao caso das bruxas de Somerset ( 1664). Os sabbats das bruxas de Somerset, eram presididos pelo Diabo, que se dava a manifestar incorporando num homem através de possessão demoníaca, e apresentando-se sempre sob o nome de Robin. Uma bruxa de nome Ann Bishop era a rainha de uma das colmeias de bruxas, e que tambem presidia aos ritos. As bruxas de Somerset realizaram sabbats satânicos nocturnos, nos quais o diabo sempre se fez manifestar, fosse apenas em espirito, ou fosse encarnado num homem. Quando algumas das bruxas por algum motivo não podia ir ao Sabbat fisicamente em carne-e-osso, então visitava-o e participava dos ritos em espírito. Nesses sabbats as bruxas participavam num farto e abundante festim cuja a refeição era proporcionada pelo Diabo. Os festins das bruxas de Somerset constavam de carnes, bolos que eram um despertar irrecusável da gula, e quantidades generosas de cerveja e vinho, tudo providenciado pelo Diabo. Há quem falasse de um bolo mágico, que era servido no final das refeições, e que proporcionava sensações indescritíveis. Depois da refeição, as bruxas dançavam. As suas danças em torno de um caldeirão ou e uma fogueira, realizavam-se sempre no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio, simbolizando isso a oposição ás convenções cristãs.  Após o banquete e as danças, as bruxas realizavam vários trabalhos de magia negra. Nesses trabalhos de magia negra, as bruxas cravavam agulhas ou espinhos em bonecos de cera. Os bonecos eram baptizados pela própria mão do Diabo, assistido que era no baptismo por duas bruxas que representavam as madrinhas de baptismo. O boneco uma vez baptizado com o nome da pessoa que se desejava embruxar, gerava uma relação espiritual com a própria vítima da bruxaria. Tudo aquilo que fosse por isso feito no boneco, acabaria por suceder na vítima, e em carne-e-osso. Um trabalhos de magia negra feito nestes Sabbats ficou famoso por volta de 1664, pois que um boneco foi baptizado com o nome de um homem chamado Dick Green, e passado pouco tempo o homem veio a falecer em circunstancias inexplicáveis, tal conforme lhe tinha sido destinado no boneco.

O caso do notório bruxo alemão de nome Johannes Junius tambem atesta sobre as praticas celebradas nos Sabbat Satanicos. O bruxo Johannes Junius ficou conhecido por ser amante de uma bruxa, e ter um relacionamento com um demonio sucubbus. Os eventos ocorreram por volta do ano de 1628, e quando Johannes Junius foi abordado por um demonio Sucubbus, através de uma bruxa na qual o espírito de trevas havia incorporado por possessão demoníaca. Dessa forma o demonio sucubbus seduziu o homem, levando-o a celebrar pacto com o demonio, e com ele saciando-se em actos lascivos. Tudo isso sucedeu quando Junius foi levado pela bruxa ao seu primeiro Sabbat satânico, onde a Hóstia sagrada foi profanada, e o bruxo recebeu a sua marca do Diabo, que no seu caso consistia numa mancha na forma de uma folha de um trevo. O bruxo recitou depois a fórmula que a bruxa lhe ensinara, dizendo «Renuncio a Deus no Céu e todas as suas hostes, e reconheço o Diabo como meu Deus». Depois disto dito, o bruxo Junius foi baptizado em nome do Diabo. Foi após ter recebido o seu baptismo – segundo o qual o seu nome de bruxo era Krix –,  que o Junius ficou a saber que o demonio feminino que o acompanhava se chamava Vixen. Depois da cerimónia estar concluída, todas a demais bruxas e bruxos acolheram Junius na comunidade, dizendo que agora sim, eram todos iguais. Dai em diante Junius passou a celebrar trabalhos de magia negra, a frequentar os Sabbats satânicos, sempre acompanhado do demonio sucubbus que o recrutara.

Por volta do ano de 1662, uma lindíssima bruxa ruiva de nome Isobel Gowdie era famosa na Escócia. A bruxa Isobel Gowdie habitava na localidade de Lochloy, em Moreyshire. A bruxa iniciou-se muito jovem nas artes da magia negra, havendo sido abordada pelo Diabo aos quinze anos, e desde então frequentado Sabbat. Foi porem anos depois, já em idade adulta, que os seus trabalhos de magia negra a tornaram famosa.  Em 1647, a A bruxa Isobel Gowdie celebrou pacto com o Diabo numa Igreja em Auldearne. O Diabo assim lho tinha pedido, para que maior fosse a afronta da heresia para com a Igreja. Foi naquele local santo lugar que Gowdie renunciou á fé cristã, e foi baptizada pelo próprio diabo que a picando, usou das gotas do próprio sangue para a baptizar. O sangue da iniciada uma vez entrando em contacto com o Pacto, torna-se sangue de bruxa, pois fica impregnado de essência demoníaca. A bruxa Gowdie recebeu um novo nome, que era o seu nome de bruxa. O nome era Janet, e seria esse o nome inscrito no Livro da Morte do Diabo, havendo-se assim riscado o seu antigo nome cristão do Livro da Vida de Deus. Embora neste mundo ela respondesse pelo nome cristão, porem para o Diabo e todos os demónios e espíritos do inferno, o seu verdadeiro nome era Janet, e era por esse nome que os espíritos de trevas respondiam ao seu apelo. Assim sucede com todas as bruxas, conforme sucedeu com A bruxa Isobel Gowdie. No local onde o diabo a tinha picado para extrair o sangue usado no seu próprio baptizado e Pacto, ficou uma marca, a marca da bruxa ou marca do diabo. No final, o próprio Diabo incorporado num homem através de possessão demoníaca, leu palavras blasfemas do seu Livro Negro no púlpito da Igreja, assim culminando-se a perversa heresia realizada naquele templo. Na noite seguinte, a bruxa Isobel Gowdie participou num Sabbat satânico. Isobel Gowdie foi ao encontro do Diabo, que teve relações lascivas com ela e outras doze bruxas, adoradoras de Satanás. O impuro festim de obscenidades e luxuria celebrou-se com agrado do demonio, havendo depois a bruxa Gowdie sacrificado duas criaturas animais de tenra idade em nome de Satanás, havendo o seu sangue depois sido usado em ritos satânicos, assim como em trabalhos de magia negra. Foi nessa altura que a bruxa Gowdie viu que o sangue provindo de ritos satânicos e empregue em bruxedos, no decorrer de um Sabbat, conseguia produzir os mais fortes efeitos em qualquer tipo de trabalho de magia negra.

A natureza profana dos Sabbats das bruxas 

No seu «Dictionnaire Infernal», um tratado de demonologia publicado em 1818, Jacques Collin de Plancy ( 1793 – 1881) – um célebre ocultista e demonologista Francês – fala de uma bruxa de nome Maria Mariagrane. A bruxa dizia ter visto e presenciado o Diabo a copular com um vasto número de mulheres durante a celebração de Sabbats. A bruxa Maria Mariagrane afirmava também que o Diabo abordava sempre as mulheres bonitas de frente, e as menos atraentes por trás. A bruxa afirmava também que o Diabo preferia a sodomia sobre todas as outras formas de prazer lascivo, e os prazeres da luxuria e do pecado perverso eram festejados nos Sabbat para deleite do Diabo.

O juiz e caçador de bruxas Pierre de la Lancre, ( 1553 – 1631), que esteve ao serviço do rei Henrique IV, deixou relatos documentados nos quais uma bruxa do sul de França, em 1609, lhe revelou que durante alguns sabats satânicos o Diabo fazia-se aparecer, incorporando num bode, num touro, num homem negro, ou num cão preto. A bruxa revelou que quando se tocava no diabo ele era gelidamente frio, e que as bruxas se lhe submetiam beijando as suas nádegas, assim como os seus cascos e as suas pegadas no chão. Muitas bruxas queixavam-se que a copula com o demónio era dolorosa, e o seu membro era frio. Depois, nestas mesmas reuniões os bruxos ajoelhavam-se e veneravam submissamente as bruxas, beijando-as nos pés, nos joelhos, no ventre, nos seios e nos lábios, seguindo-se a isso festins de lascívia onde os demónios possuíam as bruxas diante dos bruxos, em acto de deliberado adultério que conspurcava o santo matrimonio de Deus. Aliás, ao aliciarem mulheres para se converterem em bruxas e devotas de Satanás, os demónios tendiam a ter uma preferência para aliciarem mulheres casadas e mães de filhas fêmeas, pois dessa forma não apenas desviavam e corrompiam almas para fora do caminho de Deus, como depois se banqueteavam nos incontáveis pecados do adultério, e até noutros mais inconfessáveis entre mães e filhas.

Nicolas Remy, ( 1530-1616), na sua obra Demonolatreiae ( 1595), descreve que nos Sabbats, Satanás determinou que as bruxas deveriam «conspurcar-se aos santos domingos entregando-se a demónios incubus e sucubus, contaminar-se com o pecado da sodomia ás quintas-feiras, e ao sábado cometerem a herética prostituição com a abominação da bestialidade»

Assim se sabe:

A propensão dos espíritos – invocados pela magia negra – , para levarem  alguém a praticar os mais lascivos desejos carnais, é reconhecida, e está documentada historicamente. Com eles, bruxas e bruxos cometiam pecados e heresias agradáveis ao Diabo, e nos quais os demonios se banqueteavam para seu grande deleite.

Baptismos de bruxas celebrados nos Sabbat Satânicos

Quando uma jovem bruxa passa de noviça a bruxa, ela é baptizada pelo Diabo num cerimonial satânico que é realizado num Sabbat. O cerimonial é detalhadamente descrito na notória obra «compendium maleficarum» , ou o «O COMPÊNDIO DAS BRUXAS» de 1608, do padre Italiano Francesco-Maria Guazo (n. 1570). Para saber mais, veja: compendium maleficarum

Por volta do ano de 1662, uma lindíssima bruxa ruiva de nome Isobel Gowdie era famosa na Escócia. A bruxa Isobel Gowdie habitava na localidade de Lochloy, em Moreyshire. A bruxa iniciou-se muito jovem nas artes da magia negra, havendo sido abordada pelo Diabo aos quinze anos, e desde então frequentado Sabbat. Foi porem anos depois, já em idade adulta, que os seus trabalhos de magia negra a tornaram famosa.  Em 1647, a A bruxa Isobel Gowdie celebrou pacto com o Diabo numa Igreja em Auldearne. O Diabo assim lho tinha pedido, para que maior fosse a afronta da heresia para com a Igreja. Foi naquele local santo lugar que Gowdie renunciou á fé cristã, e foi baptizada pelo próprio diabo que a picando, usou das gotas do própria sangue para a baptizar. O sangue da iniciada uma vez entrando em contacto com o pacto, torna-se sangue de bruxa, pois fica impregnado de essência demoníaca. A bruxa Gowdie recebeu um novo nome, que era o seu nome de bruxa. O nome era Janet, e seria esse o nome inscrito no Livro da morte do Diabo, havendo-se assim riscado o seu antigo nome cristão do Livro da Vida de Deus. Embora neste mundo ela respondesse pelo nome cristão, porem para o Diabo e todos os demónios e espíritos do inferno, o seu verdadeiro nome era Janet, e era por esse nome que os espíritos de trevas respondiam ao seu apelo. Assim sucede com todas as bruxas, conforme sucedeu com A bruxa Isobel Gowdie. No local onde o diabo a tinha picado para extrair o sangue usado no seu próprio baptizado e pacto, ficou uma marca, a marca da bruxa ou marca do diabo. No final, o próprio Diabo incorporado num homem através de possessão demónica, leu palavras blasfemas do seu Livro Negro no púlpito da Igreja, assim culminando-se a perversa heresia realizada naquele templo. Na noite seguinte, a bruxa Isobel Gowdie foi ao encontro do Diabo, e participou num Sabbat Satânico em que teve relações lascivas com ela e outras doze bruxas, adoradoras de Satanás. O impuro festim de obscenidades e luxuria celebrou-se com agrado do demonio, havendo depois a bruxa Gowdie sacrificado duas criaturas animais de tenra idade em nome de Satanás, havendo o seu sangue depois sido usado em ritos satânicos, assim como em trabalhos de magia negra. Foi nessa altura que a bruxa Gowdie viu que o sangue provindo de ritos satânicos celebrados em Sabbat, e depois empregue em bruxedos, conseguia produzir os mais fortes efeitos em qualquer tipo de trabalho de magia negra. A bruxa ficou assim famosa, pois os seus trabalhos de magia negra, tinham efeitos espantosos.

Os dias e horas de celebração dos Sabbat Satânicos 

O Sabbath é um dia semanal de descanso ou repouso e adoração a uma divindade.

Na religião Judaico – Crista, o Sabbath corresponde ao ultimo dos dias da criação, no qual  Deus repousou.

Por assim ter sido, emana das sagradas escrituras, (e consta mesmo como um dos 10 mandamentos ditados a Moisés), que nesse dia em que Deus repousou, também o Homem deve cessar toda e qualquer actividade, para apenas se dedicar á adoração de Deus.

Muitas outras religiões possuem este conceito Sabbathiano, e praticam-no de acordo com as suas crenças teológicas.

Na bruxaria, o Sabbath é chamado o sabbat negro ou sabbat satânico.

O sabbat negro ou sabbat satânico é um momento de reunião e comunhão religiosa entre bruxas, e que se pratica em torno celebração de uma comunicação com os seres espirituais de onde provem o seu poder e existência.

A maior parte das crenças comuns ao o sabbat negro ou sabbat satânico concordavam que o demónio se encontrava presente aquando da realização de um Sabbath, geralmente incorporado na forma de um bode negro. Esse domínio é Baphomet, um dos príncipes do inferno, e mestre que preside aos sabbats negros.

Também era comum acreditar-se que vários demónios presidiam e participavam na celebração desta cerimónia infernal de bruxaria.

Igualmente defendia-se que durante os o sabbat negro ou sabbat satânico, as bruxas ofereciam os seus corpos á possessão de demónios que assim incorporavam nelas para festejarem os seus mais luxuriosos e depravados vícios em carne humana, como tanto lhe é agradável.

Os Sabbat tratam-se sempre de liturgias das trevas, que são de essência oposta ás de adoração a Deus. O cerimonial do inferno é por isso obscuro, obsceno, profano, devasso, impuro, pleno de heresia e de abominações. Sempre houve datas históricas para a celebração de Grandes Sabbat de bruxas. Na Alemanha, tendiam a ocorrer no dia de são Tomás, a 21 de Dezembro. Na Alemanha, existe um local historicamente conhecido por ter sido o local de celebração do Sabbat. Trata-se da famosa montanha de Brunswick, situada no ducado com o mesmo nome. A montanha na verdade chama-se Blocksberg, e são tantas as evidencias históricas da presença de bruxas e da realização de Sabbat de bruxas naquele local, que a montanha se tornou num local visitado por turistas de todo o mundo, que ali procuram vislumbrar os locais reais, onde bruxas reais se reuniram em lendários Sabbat satânicos. A zona está profundamente ligada a fenómenos místicos, aparições e eventos inexplicáveis que ainda hoje ocorrem. Algumas pessoas já desaparecerem misteriosamente nas sinuosas escarpas e picos enublados daquela sinistra montanha, onde ainda hoje vagueiam os assombrados espíritos de ancestrais bruxas. Na Inglaterra, os Grandes Sabbat tendiam a ocorrer no Dia de Apresentação do Senhor, ou Candlemass, ou Missa das Velas, que ocorre a 2 de fevereiro, assim como no Halloween, que ocorre a 31 de Outubro. Havia também um festival de bruxas que se realizava sempre no dia de são João Baptista, a 23 de Junho. Nas terras da Finlândia, há muitos séculos atrás, era á meia-noite de ultimo dia de Abril que ocorria uma grande reunião de bruxas e demónios. Na Espanha da Idade Media, as bruxas bascas reuniam-se para um encontro satânico com os seus ritos infernais nas épocas de Páscoa, Epifania, Dia da Ascensão, Dia do Corpo de Cristo, dia da Natividade de Nossa Senhora, Dia de Todos os Santos, e dia de são João Baptista a 24 de Junho. Haviam também bruxas, como as bruxas de Nova Inglaterra nos Estados Unidos da América, que celebravam Sabbat satânico no Natal, por tal constituir uma heresia de imenso agrado ao Senhor Satanás.

Acreditava-se igualmente que o o sabat negro ou sabbat satânico começava ás 00h00 e prolongava-se pela madrugada fora. De acordo com o grimorio «Errores Gazariorum» de 1405, os Sabbats das bruxas terminavam quando um galo preto anunciava o raiar do dia, altura em que as bruxas urinavam e defecavam em escárnio para com as missas brancas da igreja, e partiam do templo onde Sabbat Negro havia sido celebrado. O Galo preto estava sempre presente no Sabbats das bruxas, fosse no inicio da celebração sendo oferendado para invocar o demonio, fosse no final dos ritos, anunciando que o demonio já tinha partido, e que o Sabbats Satânico estava assim encerrado.

Um notório bruxo de nome Louis Graufidi ( f. 1610), afirmava que um galo preto estava presente nos Sabbat das bruxas, sendo que quando ele cantasse, terminava a reunião. São Prudêncio ( 348- 410), dizia que os ritos demoníacos celebravam-se durante a noite, até ao cantar do galo. Tendo o galo cantado, então terminam as cerimonias do demónio, pois que os ritos de Satanás cessam, quando os ofícios da Igreja começam. Por isso mesmo, nos tempos de são Benedicto ( 1526- 1589), logo ao raiar do dia iniciavam-se cânticos religiosos, aos quais se chamavam «Gallicinium», em honra do galo que anunciava o nascer do dia que trazia a luz de Deus, e o cessar das actividades das assombrações e dos demónios. Os antigos Judeus, acreditavam que o bater das asas de um galo podia enfraquecer o poder dos demónios, e dos bruxedos das bruxas. Nicolas Remy( 1530 – 1612), foi um demonologista Francês que presenciou pessoalmente vários casos verídicos de bruas, bruxaria e trabalhos de magia negra.  Com as conclusões que retirou das suas experiências e observações, Nicolas Remy escreveu a obra «Demonolatreiae», publicado em 1595. Nicolas Remy falou certa vez com a notória bruxa Latoma, que lhe disse que o galo era desprezado pelos demónios, por ser considerado um arauto de Deus, um paladino da luz, um mensageiro da cristandade, despertando os homens para a adoração a Deus, afastando-os dos pecados com que as trevas da noite os infestam através da bruxaria.  Assim, para os sacerdotes cristãos o galo que anunciava o nascer do dia e do Sol, e assumia-se como um símbolo da luz de Deus que diariamente vence as trevas. Pois por o galo ser tão importante e precioso para estes fiéis de Deus, diz-se que o Diabo o adoptou como oferenda a ser-lhe sacrificada em ritos de magia negra, enquanto símbolo da sua vitoria sobre aquele que era um paladino da luz Deus. E de todos os galos, preferiu o preto. E por isso mesmo, é que a oferenda do galo preto e do seu sangue, se tornou um elemento tradicional na magia negra, e um elemento agradável aos demónios invocados. Sacrificando um galo preto, esta-se a sacrificar um arauto da luz, e esta-se a silenciar o detestável cantar que anuncia a alvorada. Isso agrada aos demónios, e daí o galo preto ter esta importância simbólica, cuja a origem poucos conhecem.

Os dias em que se celebram os Sabbat, variam nalgumas versões historicamente registadas. Em 1428, a Itália da Idade Media teve uma das suas mais famosas bruxas da época, a bruxa Matteuccia. A bruxa residia nos arredores de Perugia, perto de Umbria, no centro de Italia. A bruxa era conhecida por usar uma unção esfregada pelo seu corpo nu, que invocava irresistivelmente o Diabo. A fórmula da unção havia sido escrita há muito por uma velha bruxa, e foi-lhe dada pelo próprio Demonio. Usando-se da unção no corpo de uma bruxa, a sua fragância atraia o Demonio de forma quase imediata, vindo ele sempre com desejo ardente de possuir a bruxa, para depois lhe conceder todos os favores que lhe fossem pedidos. A formula era feita a partir de alguns ingredientes conhecidos, e outros desconhecidos. Entre aqueles que se conheciam, estava a gordura de defuntos que não houvessem sido baptizados, cascos de mula-fêmea, penas de certas aves, ossos de defuntos pagãos da antiguidade, e outros mais ingredientes, tudo ardido e reduzido a um , que depois era usado para fabricar o unguento. A bruxa Matteuccia celebrava os seus sabbat satânicos junto da arvore de nogueira de Belavento, onde ali se reuniam bruxas e demónios para prestarem culto a Satanás. Nesses sabats, juravam fidelidade a Satanás, entregavam-se a obscenos festins de devassa luxuria com demónios, prometiam espalhar a obra da magia negra pelo mundo, e produziam trabalhos de magia negra, alguns feitos de ingredientes como gordura de abutres, de morcego, e sangue de criaturas de tenra idade. A bruxa Matteuccia visitava a árvore de nogueira ás segundas, sábados e domingos, que foi quando o Demonio lhe ordenou que ali fosse. Porem, noutros casos é sabido que o Diabo indicava que os Sabbat deviam ser celebrados ás quintas, sábados e domingos. Nicolas Remy, ( 1530-1616), na sua obra Demonolatreiae ( 1595), descreve que quanto aos Sabbats, Satanás determinou que as bruxas deveriam «conspurcar-se aos santos domingos entregando-se a demónios incubus e sucubus, contaminar-se com o pecado da sodomia ás quintas-feiras, e ao sábado cometerem a herética prostituição com a abominação da bestialidade».

Conforme o Baptismo e a Eucaristia são os grandes ritos celebrados pela Igreja, também o Sabbat Satânico, aliado á celebração de Missa negra, são os dois grandes ritos celebrados pelas bruxas. São os ritos que as mais antigas tradições ocultas dizem que foram pedidos ás bruxas pelo próprio Diabo para serem celebrados em seu nome, e para invocar a sua presença. Dessa forma, celebra-se não apenas a devoção da bruxa a Satanás e á magia negra , como também os mais fortes trabalhos de magia negra.

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