Trabalhos de amarração

Trabalhos de amarração 

O célebre ocultista Henry Cornelius Agrippa von Nettesheim, ( 1486 – 1535), um contemporâneo de Faustus – o notório doutor que fez o lendário pacto com o demónio –, e autor do influente «De occulta Philosophia» (1531-33), afirma na sua obra que «uma imagem criada adequadamente, é capaz de cumprir com os seus deveres espirituais», ou seja, é capaz de invocar seja a Deuses ou Deusas Pagãos, ou seja a demónios, para fazer-se cumprir o objetivo de um bruxedo. A magia negra nos tempos medievais estava repleta de bruxedos destinados ao amor, e a trabalhos de amarração.  Alguns desses trabalhos de amarração, faziam-se com recurso a símbolos e imagens ocultas que quando aplicados a um bruxedo, geravam efeitos contagiantes e infalíveis. Muitos dos mais antigos e secretos grimórios indicam quais são os sigilos mágicos que se devem usar, de forma a aprisionar a pessoa desejada a uma amarração. A maioria dos grimórios indica que os sigilos devem ser desenhados a sangue, ás vezes o sangue da própria bruxa, outras vezes sangue animal. Por vezes o sigilo deve ser riscado no peito de um boneco previamente baptizado com o nome da pessoa que se deseja amarrar, e outras vezes deve ser rascunhado num tecido que se faz arder, pois através do fogo e da combustão o pedido de amarração é levado do fogo deste mundo para o fogo dos infernos, e aceite pelos demónios que depois vão infestar a criatura embruxada com a amarração.

Hermes Trimegistus, o Sábio, no seu pequeno livro intitulado Quadripartitus, menciona varias imagens que tem poderes invocatórios. E a obra «Speculum Lapidum Clarissimi» de 1533, quando mencionando os saberes de Hermes, indica por exemplo como uma ágata esculpida na forma de um galo ou de três jovens donzelas, conquistará os favores de qualquer homem ou mulher que se pretenda conquistar. Os bruxos da Idade Media sabiam destes segredos, e como usa-los da forma adequada. Quando a ágata era esculpida na forma de um galo ou de tres donzelas, ela servia para invocar certos demónios que respondiam sempre ao chamamento, desde que vertendo-se na imagem algumas gotas de sangue da bruxa, e entoando-se os encantamentos próprios.

Haviam também alfabetos mágicos, cujo o conhecimento foi compilado por autores como o estudioso Jesuíta Athanasuius Kircher ( 1601-1680), que escreveu vários tratados como O Mundo Subterrâneo de 1664. Nessas obras, são reproduzidos alfabetos antiquíssimos e secretos, como os alfabetos de Hermes. Já no século X, um reputado historiador árabe de nome Ibn Wahshiya ( f. 930 d.C), compilou um tratado sobre Alfabetos Ocultos, no qual reproduziu alfabetos de Hermes, de Platão, de Sócrates e de Demócrito. O interessante sobre esses alfabetos, é que certas letras, ou uma certa combinação delas, geravam sigilos mágicos de grande poder invocatório para espíritos e demónios.

Em 1667 , no condado de Leinstrand, na Noruega, houve um conhecido bruxo de nome Ole Nypen. O bruxo Ole Nypen foi procurado por um jovem abandonado pela sua amada, pedindo-lhe um trabalho de amarração. A jovem donzela insistia em abandonar o antigo amante, e casar-se com um homem de nome Erik Kveneld. O bruxo celebrou um trabalho de amarração lançando umas runas de madeira para o fogo que ardia no seu caldeirão. As runas tinham sido esculpidas e desenhadas pelo bruxo, contendo certos símbolos místicos antigos, que apelavam aos antigos demónios que habitavam naquelas terras nórdicas, e que outrora se fizeram passar por Deuses e Deusas pagãs. Uma vez lançado o bruxedo com as runas desenhadas pelo bruxo, Erik começou a sofrer de dores atrozes nas mãos, de tal forma que nem conseguia abraçar ou sequer tocar a noiva. Depois, começou a sofrer de padecimentos nos seus genitais, de forma que não conseguia satisfazer amorosamente a sua noiva. Ao mesmo tempo, a noiva começou a sentir-se acossada por intensos desejos carnais, e pensamentos eróticos com o seu amante. Tanto a situação perdurou e persistiu, que a jovem se foi entregar lascivamente ao antigo amante. O bruxedo de amarração não apenas funcionou com um resultado impecável, como agradou sobejamente ao demónio, que viu com grande regozijo como as artes de magia negra do bruxo Nypen estavam a ser deliciosamente empregues para promover o sacrilégio do adultério e o pecado da concupiscência carnal. Por isso, bruxo recebeu do demónio ainda mais sabedorias ocultas, que lhe permitiam realizar os mais espantosos trabalhos de amarração, de modo que alcançou grande reputação, e foi recompensado com uma imensa clientela de damas e cavalheiros vindos de todos os cantos do reino, procurando pelos seus préstimos ocultos. E as amarrações no bruxo Norueguês nunca falhavam. Nunca.

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