Amarrações inquebráveis

Amarrações inquebráveis

Por volta dos anos de 1765, existiu na pequena vila de Spittlehouses, no norte de York, Inglaterra, uma célebre bruxa de nome  Nan Hardwick. Certa vez a bruxa Nan foi visitar um fazendeiro que contava sempre com os seus préstimos ocultos, havendo deste recebido o seu pagamento, assim como algumas outras ofertas. A bruxa aceitou tudo com agrado e gratidão, quando se cruzou com a esposa do fazendeiro, que estava gravida do seu primeiro filho, que ia dar á luz em breve. Nan olhou para ela, e disse-lhe que o bebé nasceria antes da próxima manhã.  Informou logo que se tratava de um menino, e sugeriu á esposa do fazendeiro: «ele vai chamar-se Tommy, não é verdade?». A esposa replicou que se fosse menino, chamar-se-ia John. «Ah, mas é melhor chamá-lo de Tommy», disse a bruxa, partindo de imediato. A verdade é que quando estava a anoitecer, tal conforme a bruxa previra, a esposa do fazendeiro entrou em trabalho de parto. A fazenda ficava num local muito distante, ermo, isolado, e cercado de densa floresta, e pessoa mais próxima que podia ajudar ao parto morava a alguns quilómetros, pelo que o fazendeiro apressou-se a partir a cavalo, para ir buscar quem ajudasse no parto. E porem, ainda não ia longe quando o seu cavalo parou inexplicavelmente, e recusava-se a mover. Nunca tal tinha sido visto, e o fazendeiro logo percebendo que a bruxa estava envolvida, olhou em volta da floresta que o rodeava, e gritou perguntando o que é que a bruxa queria. Ouviu-se então a voz da bruxa, apesar dela não se ver em lado algum, e a voz dizia «Vai-se chamar Tommy, não vai ? Caso contrário o teu cavalo não se mexe mais» Dizia a tradição que um nome uma vez prometido não devia ser alterado, para não dar má sorte ao bebé. Porem, aflito para acudir á sua esposa, o fazendeiro cedeu, e logo a seguir ouviu-se um riso da bruxa. Imediatamente o cavalo começou a galopar novamente, e assim nasceu o pequeno Tommy, abençoado que foi pela bruxa, a quem deveu o seu nome, e teve sempre boa sorte. Esta passagem da vida da bruxa Nan acabou registada nas memórias do padre de Danby Dale, e acabou assim por ficar para a história.

Conforme a bruxa Nan fez este prodígio, ela também fez muitos outros através dos seus bruxedos de amarração. E os seus bruxedos de amarração eram infalíveis, conforme foi aquele que a bruxa fez ao fazendeiro, e que lhe garantiu o casamento com a sua jovem esposa.

Nessa amarração, a bruxa Nan usou da mão de um enforcado, através da qual tanto segurou a esposa junto com o fazendeiro, como segurou o cavalo do fazendeiro na hora do parto da sua esposa. A tradição desta técnica de magia negra á ancestral, e cheia de mistério.

Jacques Collin de Plancy ( 1793 – 1881) célebre ocultista e demonologista Francês, autor do influente «Dictionnaire Infernal», um tratado de demonologia publicado em 1818, faz que a mão de um homem enforcado era apontada pelos antigos grimórios como um forte instrumento de magia negra. Assim que recolhidas, a não deveria ser espremida de todo o sangue, e colocada num recipiente de barro junto com sal, salitre e pimenta. Deve ser deixado nesse recipiente por quinze dias, e depois exposto ao sol até secar completamente. Despois, deve-se preparar á parte uma vela feita de cera preta, Sesamum indicum, e gordura do enforcado. Tanto a vela como a mão do enforcado podem ser usadas para diversos fins, tais como assombrar nocturnamente um lar, ou uma pessoa. Ela também era usada para causar paralisai nocturna ou até terrores nocturnas com grande eficácia.

O filosofo e escritor Horácio ( 65 – 8 a.C), descreve na sua obra os sinistros ritos das bruxas, celebrados no cemitério de Esquine, sob a Lua Nova, quando as bruxas ali procuravam por ossos de defuntos amaldiçoados e ervas ocultas, invocando espectros, e banqueteando-se num cordeiro rasgado em pedaços, cujo o crânio depois usavam para invocar a demónios. Naquele cemitério, as bruxas pagãs faziam bonecos representativos das vítimas dos seus trabalhos de magia negra, e operavam as mais fortes amarrações. Algumas dessas amarrações eram feitas com o recurso á mão morta cortada de um defunto condenado, e causavam as mais pavorosas aparições e terrores ás suas vitimas.

O historiador Romano CornéliusTacitus ( 56 – 120 d.C),  na sua obra dá nota de um bruxo de nome Piso, menciona como o bruxo procurava pelos restos mortais de certos defuntos nos cemitérios, assim como fazia feitiços inscrevendo os nomes das vitimas em placas de chumbo que depois era soterradas junto das tumbas de certos defuntos. Um desses bruxedos foi dirigido a um homem de nome Germanicus, havendo o seu nome e uma maldição sido escritos numa folha de chumbo, havendo depois a folha sido enrolada e amarrada com uma corda na qual se deram vários nós mágicos, acompanhados de certos encantamentos de magia negra. A placa foi depois soterrada numa sepultura de um defunto amaldiçoado, e na verdade passados tempos o homem começou a enfraquecer misteriosamente. O contágio deste tipo de bruxaria é inescapável. E este tipo de técnica de bruxaria quando é aplicado ás amarrações, gera amarrações imbatíveis e infalíveis.

Já o poeta Virgílio ( 70 – 19 a.C), descreve como as bruxas empreendiam nos mais poderosos bruxedos para fins amorosos, ou amarrações. Nesses tempos, falava-se de uma bruxa de nome Erichtho, a quem até os Deus pagãos obedeciam. A bruxa oferendava caes pretos e cordeiros negros aos demónios e encruzilhadas e cemitérios; através essas oferendas e trabalhos de magia negra, ela embruxava irremediavelmente qualquer criatura que desejasse, assim, lançando amarrações de magia negra que ficaram lendárias.

Já o filosofo Porfírio de Tiro (233 – 305 d.C), na sua obra De Sacificiis, faz igual menção a este tipo de bruxaria feita com a mão morta de um defunto. Afirmava este notório erudito, que uma alma assim que libertada do corpo pela morte, ela volta a adquirir os poderes e virtudes normais de uma alma; porem, essas almas acabadas de desencarnar deste mundo, ainda mantem algum contacto com a sua antiga habitação – o corpo agora defunto –    , e por isso, se forem adequadamente chamados através do meios certos, eles pairam e assombram os seus antigos corpos, e podem até ser invocados em magia negras. E é por isso, que as bruxas da antiguidade, fazendo uso de certas partes de certos defuntos, invocavam ás almas de mortos para realizarem os mais temorosos trabalhos de magia negra. Por esse motivo, as bruxas procuravam sempre por corpos defuntos que albergassem almas penadas, pois as características infernais e contaminadas de pecado de uma alma condenada são as ideais para serem usadas num trabalho de magia negra, tal conforme o são os espíritos demoníacos. Por isso mesmo, as bruxas procuravam sempre por corpos de condenados á morte por crimes pecaminosos, ou pessoas que morreram sem receberem os santos sacramentos dos ritos funerários, ou quem houvesse falecido sem ser baptizado. Todas essas criaturas dão origem a almas penadas, almas condenadas a vaguear pela terra sem perdão nem repouso. Tais almas, são precisamente as adequadas para invocar num trabalho de magia negra, pois irão infestar a vitima do bruxedo com assombrações, aparições , temores e padecimentos sem igual. Destas técnicas de bruxaria, existem registos históricos documentados desde há séculos.

O caso ficou famoso, e foi registado historicamente pelo filosofo, dramaturgo, matemático e cosmologista Giovanni Battista Porta ( 1535 – 1615).  Na localidade de Guermingen, em 1588, haviam duas bruxas de nome Nichel Gross e Beschess, ambas conhecidas por uma temível reputação de lançarem poderosos trabalhos de magia negra. Alguns dos seus mais famosos trabalhos foram celebrados no cemitério daquela localidade. As bruxas obtinham partes de certos defuntos que lhes interessavam para fins de magia negra, especialmente a mão cortada de um morto. Depois queimavam-na num fogo que tinha propriedades sulfurosas. O fogo atraia aos demónios com irresistível chamamento, e consumia-se á base de enxofre, emitindo uma luz diabólica. Quando das bruxas desejavam embruxar alguém, elas acendiam os dedos da mão do defunto, que ardiam numa chama azul e sulfurosa, enquanto elas entoavam encantamentos de magia negra. Estando o encantamento dito, a chama extinguia-se imediatamente, e porem os dedos da mão do morto permaneciam ilesos, inteiros e intocados, como se nunca tivessem sido queimados, e isto repetia-se sempre que as bruxas desejavam. Era um fogo que ardia consumir aquilo em que tocava, tal como o célebre fogo bíblico descrito no capítulo III do Livro de Êxodo, no qual Moisés viu um fogo arder numa sarça, sem porem consumir a mesma, quando um anjo de Deus lhe apareceu. Porem, neste caso das bruxas Nichel Gross e Beschess, o fogo por elas produzida tinha uma origem diferente, pois embora sendo manifestação de um anjo, porem tratava-se de um anjo-caído, ou seja, de um demónio. E a verdade é que a vítima a quem um bruxedo era dirigido através deste meio necromântico, com a mão de um morto… era uma vítima a quem a bruxaria contaminava certeira e infalivelmente. Não havia quem escapasse ao horror das infestações e assombrações que estes trabalhos de magia causavam.  E com estas técnicas, geraram-se também as mais fortes e infalíveis amarrações amorosas, ás quais nunca ninguém escapou. Essas amarrações assim feitas, são amarrações completamente inquebráveis. E por isso, a pessoa não tem alternativa senão ceder á amarração. E cede sempre.

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